Capítulo 12 - Que os Jogos Comecem!

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- Lissara, minha flor! Estávamos tão preocupados!- A sra. Martins me abraça com uma força e eu gemo de dor porque meu braço ainda dói.
- Não precisa mais se preocupar, estou bem.
- Oh, minha querida... Agora minha preocupação é com meu neto.
Engulo em seco... É bem estranho o sumiço repentino do Michel.
- Tenho certeza que ele voltará em breve.
- Deus te ouça, minha flor.
Ela anda em direção aos braços do sr. Martins.
Eu voltei a minha rotina normal, e faz quase uma semana que não vejo mais o Nick. A preocupação me domina e me causa uma onda de ansiedade.
Onde ele está? Por que não entra em contato comigo? Será que ele... Está... Vivo?
Derrubo um copo no chão sem querer.
- Lissa, tá distraída hoje, né. - Val me ajuda a juntar os cacos.
- Desculpa, meu braço ainda dói.
- Talvez seja melhor você ficar em casa de repouso.
- Não! Eu estou bem. - Digo rapidamente.
Ficar em casa acaba comigo, fico lembrando do Nicolas e do seu toque, seu beijo... Seus olhos.
Suspiro e termino de arrumar minha bagunça.
- Boa tarde sr. e sra. Martins.
- Oh! Policial Wood... A que devo o prazer de sua visita? - Diz a sra. Martins.
Prazer? Euem!
- Só vim ver como estão as coisas, se está tudo onde deveria estar. - Diz o maldito me olhando.
Seria ruim desejar que ele suma?
- Está tudo bem, policial. - Diz firme o sr. Martins. - Sabemos das suas suspeitas com relação a Lissara, mas não há motivos para isso. Ela está conosco há anos e nunca nos deu problema, é uma menina trabalhadora e honesta.
- Acredito nisso, sr. Martins... Mas as vezes as pessoas conseguem enganar as outras muito bem e escondem coisas muito bem também. - Ele me olha fixamente, mais uma vez.
Minha vontade é rasgar ele com os cacos que estou na pá.
- Acredito que as pessoas não devam se meter aonde não foram chamadas, só por que não tem nada melhor pra fazer. -  Digo olhando de volta. - Sr. e Sra. Martins, terminei. Se me der em licença...
Vou direto para a salinha ao lado onde costumo fazer a contabilidade do caixa.
Coloco as mãos na cabeça e me sento.
Por que precisam existir pessoas tão babacas assim?!
Calma, Lissara. É isso que ele quer, que você perca a calma.
Alguns minutos depois vejo Val entrando.
- Hey, a senhora Martins me pediu para ver como você estava. Não liga pro Wood, ele é um filho da mãe desgraçado que não tem o que fazer e está tentando se divertir com algo.
- Francamente, não há nem provas contra mim!
- Claro que não! Fique tranquila.
Ela me abraça e eu retribuo.
- Você vai fazer a inscrição para a nova faculdade que irá abrir daqui a 1 ano?
- Hmmm... Não sei.
- Você precisa ter uma faculdade, Lissa.
- Eu sei... Provavelmente devo fazer. Mas não é como se tivesse muitas opções aqui para se trabalhar.
- A inscrição começa mês que vem e a prova será daqui a 6 meses.
- Certo... Vou ver o que faço.
Ela pisca pra mim e sai.
Sinceramente, voltar a frequentar aquele orfanato não me é nada atraente...
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Meu expediente acabou e eu vou pra casa.
Ando observando fixamente a floresta do outro lado da rua. Queria vê-lo.
Paro por alguns segundos antes de entrar em casa.
Observo que a porta estava aberta. Empurro a porta bem lentamente e checo se há alguém ali.
Droga!
Será que eu deveria ligar pra alguém? Sinto meu coração martelar no ouvido. Meu celular havia sumido no meio de toda aquela confusão e eu só tinha o telefone de casa.
Considero ir para a casa da Val, mas a ideia de dormir fora da minha própria casa me incomoda.
Ouço um barulho lá dentro e isso é o suficiente para que eu encoste a porta novamente e saia dali.
Quando chego na esquina, olho pra trás e vejo um homem de capuz e roupas pretas em frente ao meu portão, provavelmente saiu de la.

Merda! Começo a andar e depois a correr sem olhar pra trás

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Merda!
Começo a andar e depois a correr sem olhar pra trás.
A casa da Val não é distante da minha, chego lá em menos de 5 minutos, isso andando lento, correndo provavelmente fiz em 2 e meio.
Bato em sua porta bem forte e grito por ela.
Nada.
Bato sem parar e gritei mais umas 6 vezes.
Nada.
Paro por um segundo e sinto que há alguém atrás de mim. Por que isso está acontecendo comigo!?
Com as pernas banbas e o corpo todo tremendo, decido olhar para trás.
Me viro bem lentamente...
Mas não vejo ninguém atrás de mim.
Solto todo o ar que prendi por esse tempo e volto a olhar para o portão.
Percebo que lá dentro está tudo apagado.
Mas... Será que ela não foi pra casa? Ela saiu bem antes de mim, já deveria estar aqui.
Me afasto do portão e olho ao redor da rua. O que eu faço? Não posso voltar, não posso entrar na casa da Val e onde ela está?
Coloco as mãos na cabeça.
Nick, cadê você?
Decido voltar para o restaurante, mas para isso eu precisaria passar pela esquina da minha casa e pelo caminho da floresta.
Não era como se houvesse muita opção.
Caminho olhando pra todos os lados de 3 em 3 segundos.
Chego na esquina da minha casa e não vejo ninguém.
Solto o ar e me dirijo para a direita que me levaria até o restaurante, quando ouço um gemido muito estranho e o mato balançando.
Congelo na mesma hora.
Me viro lentamente e vejo algo no mato, mas não parecia ser o cara que vi a pouco.
Dou um passo em direção pra ver melhor mas perco de vista, está escuro.
Ando até onde pensei ter ouvido o gemido, com muito medo e meu coração saltando pelos ouvidos. Sei que pareço aquelas vítimas estúpidas que caminham em direção ao perigo em filmes de terror, mas tinha algo de errado.
Não tem nada ali...
Vasculho o mato com os olhos, como se pudesse enxergar no escuro, mas não encontro nada e não enxergo nada bem no escuro.
- Só posso estar ficando maluca.
Me viro para ir embora, mas então sinto algo agarrar meu pé.
Dou um grito e puxo minha perna.
Olho desesperada para o que a segurou e vejo uma mão branca, pálida e com muito sangue seco.
Me aproximo mais e reconheço com dificuldade quem é.
OH. Meu. Deus!
- Michel!
Me abaixo perto dele e tento o ajudar a levantar, mas ele só geme e está num estado péssimo.
- Michel, preciso ligar pra alguém. Não saia daí! - Até parece que ele iria sair, mesmo se quisesse, sua burra.
Corri para minha casa que é o único lugar o qual teria como telefonar.
A porta ainda estava aberta, mas ignorei esse fato e corri até a sala onde ficava meu telefone. O medo de Michel morrer por alguma hesitação minha. Era maior que o meu medo de morrer.
Disquei o número da ambulância.
- Alô? Em que posso ajudar?
- Tem uma pessoa muito ferida em frente a esquina da minha casa. Rua Tolewy na altura da casa número 8. - Minhas mãos tremiam muito e minha voz também.
- Entendido, vou mandar um carro imediatamente.
Desligo o telefone e quando vou voltar o portão bate.
Paro e corro o olho pela casa. A falta de barulho chega a abafar meu ouvido.
Meus olhos se atentam ao espelho e vejo algo escrito de vermelho.
Me aproximo e vejo a mensagem:
" Você não irá escapar de mim."
Merda...
Merda!
Coloco as mãos na boca e caio no chão lentamente.
Ele não morreu...  O assassino... Ainda está vivo e ele quer me pegar e ele entrou na minha casa!
Sinto as lágrimas molharem meu rosto, mas me forço a levantar, Michel está sozinho e quase morrendo no mato.
Me levanto ainda zonza e volto para onde estava Michel.
Ele estava lá ainda, dessa vez com os olhos fechados. O chamei, mas ele não acordou.
Sentei no chão perto dele e verifiquei se ainda estava respirando.
Sua respiração era fraca, mas estava lá.
Olho para o mato de onde Michel provavelmente veio se arrastando e fico imaginando de onde veio esse assassino maldito e como entrou na minha casa.
Olho fixamente até ver alguma coisa na escuridão do mato. Ou seria alguém?
Sinto que essa coisa/alguém se aproxima, ouço até o barulho de seus passos. Cada vez mais próximo de forma que posso ver nitidamente o cara de roupas pretas que vi saindo do meu portão.
Meu coração acelerou tanto que achei que fosse sair pela minha testa, o frio nas mãos e o suor faziam uma mistura nada agradável.
Vejo a faca que usou para me cortar naquele dia e sinto um ódio profundo, mas também um medo paralisante.
Ele me estende a mão e eu fico sem entender esse gesto. Inclino a cabeça de lado franzindo as sobrancelhas e ele me imita inclinando a cabeça também. Então, eu ouço sirenes e vejo luzes vermelhas e azuis na minha cara. Olho para a ambulância chegando e depois volto meu olhar para onde estava o assassino que já não estava mais ali.
Droga... Ele está brincando comigo.
Virou um jogo de caça e eu sou a presa.

*~ Oi linduxx! Espero que estejam bem e gostem desse capítulo. Aceito sugestões <3 ~*

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