Capítulo 13 - A Festa

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- Estávamos tão preocupados com você! - Repete a Sra. Martins pela quadragésima oitava vez.

Michel apenas olha pra ela sem esboçar reação. Os médicos dizem ser um estado de choque.

- Você já disse isso. - Ele diz parecendo um robô.

Val está ao meu lado segurando minha mão e posso ver que está impaciente pra ficar a sós com seu novo "namorado recém salvo pela principal suspeita de seu atual estado".

Uau... Até eu me surpreendi com essa minha linha de pensamento.

Suspiro e decido perguntar a ela onde estava na noite que Michel surgiu do além.

- Eu passei no mercado, precisava comprar umas coisas. Não se preocupa Lissa, ninguém além do "Xerifopótamo" suspeita de você.

- Xerifoque? Isso é mistura de Xerife com hipopótamo? Sabia que você pode ser presa?

- Eu já fui, pelo "policilindo" e não foi tão ruim assim. - Ela pisca pra mim.

- Você precisa parar com essa junção ridícula de nomes com adjetivos e nomes com espécies de animais. Isso é bizarro!

Ela ri e enfim a sra. Martins sai. Eu a sigo para deixar o casal estranho sozinho e vejo Michel me encarar com um olhar que transpassou emoção, a primeira que vi nele desde que voltou. Raiva!

Volto para ter certeza do que vi, mas quando o olho ele está da mesma forma que sempre.

Suspiro e volto pra minha casa, a sra. Martins não quer abrir o restaurante hoje, então terei um longo dia.

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Estou na minha casa jogada na cama enquanto Val enche o meu precioso e curto saco para irmos a uma festa ridícula de uns amigos ridículos dela.

- Vamos, por favor!

- Val, você lembra o que aconteceu da última vez que saímos com amigos seus? Não? Pois eu lembro. Deu merda! - Disse enfatizando o final da frase.

- Lissara, estávamos em uma floresta, próximo de onde ocorre a maioria dos crimes aqui. Só deu merda por isso. - Ela cruza os braços.

- Prefiro ficar em casa.

- Lissa, vamos! Eu fico te devendo uma. -  Ela junta as mãos em súplicas.

- Você me deve várias, sua lista imaginária explodiu por sobrecarga.

- Lissa, eu não posso ir sozinha e o Mozão não pode ir comigo.

Eca... "Mozão"... Odeio essas espécies de apelidos bizarros. Urgh!

- Se não quiser ir, tudo bem, mas então vou ficar aqui falando tudo sobre mim e Michel. - Ela continuou com as as mãos na cintura.

- Que horas tenho que estar na festa? - Disse rapidamente, porque qualquer coisa nesse mundo seria melhor do que ouvir Val falando sobre ela e Michel que formam um casal ridículo e nada "combinante".

- Te vejo lá às 19h.

Droga!

 Tenho o dom de entrar em furadas.

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O barulho alto da festa parece estourar meus tímpanos. Já me arrependi de ter vindo.

- Vamos sentar no bar! - Val grita pra mim e só entendo porque faço leitura labial.

Sigo-a até o bar onde o barulho parece menos gritante e observei ela pedi duas bebidas de cores fluorescentes, uma azul e outra vermelha.

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