Estou correndo, correndo pela floresta e meus pés se rasgam nos espinhos e pedras que no chão estão. Galhos secos rasgam minha roupa, minha pele e minha barriga dói de tanto correr.
Mas eles estão vindo atrás de mim, não posso parar.
Chego em um barranco e não vejo mais saída.
Droga! Droga! Não!
Tento voltar, mas é tarde, uma fileira de pessoas se forma me cercando.
- Lá está ela! Matem!
- Sua bruxa!
- Amaldiçoada!
Levo as mãos até meus ouvidos tentando bloquear as palavras que asfixiam meu coração.
- Nã... - Sou empurrada barranco a baixo por uma pessoa familiar, de olhos azuis intensos.
Acordo gritando e suando.
Droga...
Meu despertador me irrita, gritando em meus ouvidos e minha vontade é de quebra-lo com uma marreta mas me controlo pois sei que não tenho dinheiro pra comprar outro.
Levanto de mal humor, não consegui dormir direito, aqueles pesadelos... Suspiro pesadamente e começo a me arrumar.
Já faz 2 anos desde o dia em que saí do orfanato. Um casal de idosos, donos de um restaurante, me viram em um estado deplorável de pavor e choque, suja e machucada. Não pensaram duas vezes em me ajudar, mas eu não podia aceitar tudo de graça, então comecei a trabalhar pra eles. Inicialmente eu lavava pratos e ganhava as refeições do dia, eu podia dormir na dispensa e usar o banheiro do restaurante quando quisesse.
Depois me colocaram como garçonete e agora que pegaram muita confiança em mim, fico no caixa. Eu sempre chego 1h mais cedo para arrumar as coisas e dar uma limpada. O sr. e a sra. Martins são muito bons, são pessoas do bem e eles tem um neto mais ou menos da minha idade que também é um doce.
Mas eu não falo com eles, apenas sorrio e agradeço.
Tenho medo... Medo de que eles... De que algo ruim aconteça.
Como caixa, tenho salário fixo. Não é grande coisa, mas já posso pagar o aluguel da minha casa que fica apenas a meia hora do restaurante, é meio isolada e a noite fica bem deserto. Recentemente, estava ouvindo boatos de pessoas serem encontradas mortas dentro da floresta que cercava a cidade. Se me perguntarem o que eu acho disso, digo que em todo lugar tem avisos dizendo para não entrar na mata, que ela é perigosa e bla bla bla! Mas essa molecada gosta de se enfiar onde não é chamada. No máximo foram comidas por urso, lobos e cobras. Não acredito que haja assassino algum.
Eu nunca tive problemas com nada aqui e estou bem com isso.
Boatos são apenas boatos.
- Bom dia, flôr!
Eu sorri para a sra. Martins
- Bom dia, sra.
- Você não aprende mesmo a me chamar de Fátima, né.
- Sra. demonstra mais respeito... - Digo dando de ombros e tentando não demonstrar meu desconforto.
A mesma saiu resmungando sobre eu chamá-la de senhora e como isso a faz parecer bem mais velha.
Mordi o lábio para conter o sorriso.
Hoje estava muito movimentado, era uma sexta e muitas pessoas foram comer lá com a família, esposa, namorada, amigos. Afinal, era um lugar bem bonito, ficava em um local elevado da cidade e a varanda fornecia uma vista incrível para a floresta e um lado no fundo.
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Amor Sombrio
Romance⏩⏩ 1° Volume da saga Amor. ⏪⏪ Romance dark, doentio, tóxico e tudo aquilo de ruim que vocês já sabem que tem nos meus livros, aconselho a não ler se não curte esse tipo de história 😬 - O que quer de mim, Nicolas? - Quero que seja minha! Se entregu...
