Capítulo 27 - Amor Insano

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Nicolas me arrasta até o quarto onde estávamos e mesmo protestando com dor ele me ignora e me joga na cama.
Caminha lentamente até a porta e a tranca, depois gira nos calcanhares parando de frente pra mim.

Seu olhar era indecifrável.

- O que estava fazendo? Bisbilhotando?

- Achei que poderia andar livremente dentro da casa.

- Você poderia em qualquer lugar da casa, menos ali.

- Ahh mas você matou minha melhor amiga na minha frente, o que teria demais em me mostrar sua sala de tortura?

Ele sorri de canto.

- Sabe Lissara, sou um assassino mesmo, desde os meus 5 anos de idade. Meu primeiro impulso quando a vi, foi torna-la mais uma de minhas vítimas. Torcer seu pescocinho lindo até você perder essa linda cor dourada-rosada.

Me encolhi com suas palavras e seu olhar de satisfação.

- Porém... - Ele continua. - Você é diferente das outras pessoas. Todas elas tem maldade e por isso elas pressentem quando estão perto do perigo ou, no caso das que estão perto de mim, perto da morte.

Ele começa a andar de um lado para o outro e para novamente me encarando com fascínio.

- Você não teve medo de mim, não sei o que viu em mim, mas não foi um assassino, porque você não tem a porra da maldade em você. E todos que eu mato tem.

Engulo em seco e continuo o encarando o achando um louco.

- Você foi minha... Amiga. - Ele diz com dificuldade a palavra "amiga". - E quando eu me sentia sozinho ia te ver, apesar de sempre tentar me convencer de que seria para te matar.

Ele anda até mim e segura meu rosto com as duas mãos. Sinto meu coração martelar no ouvido.

- Mas Lissara, eu não sou capaz de fazer isso com você. Eu não sei nem como viver sem você aqui. Provável que se você morresse eu me mataria porque pra mim o sentido da minha vida está em você.

- Então pode parar de matar as pessoas!

Ele me olha confuso e vejo relampejos de raiva em seus olhos. Então me apresso em continuar.

- Você disse que eu sou tudo o que você precisa e que se sente até melhor do que quando mata. Então já que você me tem, pra que continuar matando pessoas?

- Eu não disse exatamente que você é tudo pra mim, mas acho que é isso que significa.- Diz pensativo. - Porém não é como se eu pudesse parar, porque sou viciado nisso. Não significa que só porque tenho você meus instintos assassinos irão sumir, Lissara. Eu preciso matar também.

- Por que!? - Pergunto indignada.

- Já disse... Sou viciado nisso, é o que sei fazer de melhor.

- Então eu jamais vou amar um monstro como você!

Seu olhar se solidifica e eu sinto que Nicolas fica tenso e irado.

- Você vai ficar comigo me amando ou não, não percebeu a situação que se encontra, Lissara?  Ou você fica comigo sendo minha Prisioneira e pode ser pior pra você, ou se rende e podemos ser felizes.

- Como acha que serei feliz com você? Que causa tanta dor e sofrimento à pessoas inocentes?

- Simples! Como você sempre foi por anos no orfanato.

- Eu não sabia quem você era de verdade! E esse é o problema! Nem mesmo agora eu sei quem você é! Quem são as pessoas naquelas foto?  O que aconteceu com elas?

O olhar de Nicolas escurece e vejo seu punho tremer como se tentasse conter a ira.

- Você é uma patinha muito inxirida.

Engulo em seco.

- Eu não vou te contar minha história deplorável e patética. Você nem sequer aguentaria ouvir.

- Por favor...

- Já chega! Você era mais domável quando não sabia meus sentimentos por você. Acha que porque não quero te matar, não vou castigar você? - Ele ri e eu me arrepio toda. - Esta enganada... Preciso te mostrar o seu lugar.

- Espera! Eu não fiz nada que seja passível de punição.

- Ter uma língua ferina esta no topo da sua lista de coisas passíveis de punição.

- Você não pode me obrigar a te amar, você não manda nos meus sentimentos!

- Então observe.

Vejo ele vir em minha direção com um brilho de excitação e desafio nos olhos.

Tento fugir dele, mas ele me segura pelos cabelos me fazendo sentir uma ardência no couro cabeludo e sentir uma dor aguda na costela pela forma bruta que me virou.

Nicolas sai me arrastando escada acima e eu me debato mais ainda ao ver que ele esta me levando pra sala de tortura.

- Você não queria tanto conhecer o meu santuário? - Ele riu sombriamente. - Pois muito bem... Seja feita a sua vontade, minha princesa.

Ele para em frente a uma caixa escura de ferro que é um pouco maior que eu. Me joga la dentro sem pena e fecha a porta.

Há uma pequena grade que fica na altura de meus olhos onde posso vê-lo me encarar.

- Já que jamais será capaz de amar um monstro como eu... Então acho que prefere ficar ai ao dormir do meu lado. - Ele ri debochado. - Mas claro que sei que você pode mudar de ideia e repensar suas palavras. Estarei esperando...

Ele então fechou o único local por onde entrava alguma luz e eu comecei a gritar desesperadamente.

O Local era apertado, mal podia me mexer, mal podia respirar direito.

Minha respiração acelerou mais ainda quando o local começou a encher de água.

- Ahhh!  Quase esqueci de avisar. - Nicolas grita do lado de fora para que eu ouça bem. - Tem um tempo pra você mudar de ideia... Afinal, se não vai me amar viva, pode muito bem me amar morta.

Céus... Agora sim eu estou ferrada. Esse cara não é apenas louco... É insano.

Amor SombrioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora