Olhei para o meu sanduíche e pensei que aquilo não me faria tão mal quanto meus problemas tem feito. Antes uma reclamona de barriga cheia do que com fome. Abri a minha lata de coca-cola e passei os olhos pelo rotineiro restaurante cheio, ouvi um barulho na mesa e olhei rápido a chave de um carro voar em cima da mesma.
— Quanta delicadeza — Reclamei.
— Você tomando refrigerante? Comendo esse sanduíche imenso? O que aconteceu? Algo deu errado? — Ele riu da minha cara ao se sentar de frente para mim.
— Olha aqui — comecei irritada — A sua namorada pode chegar a qualquer momento e ela não gostaria nada de te ver sentado na minha mesa. Melhor você esperar alguém sair e reservar uma mesa para o casal. O que você acha? — Sorri cínica.
— Não acho, só sinto. Sinto cheiro de ciúmes — Continuou sorrindo largo, com aquela cara lerda de sempre.
— Não me faça perder o apetite — Mordi pela primeira vez meu sanduíche.
— Eu ainda acho que quando você sair daqui vai ter dificuldades em andar, esse sanduíche não cabe dentro do seu estomago — Guilherme soltou uma gargalhada.
— Imbecil — Olhei-o sem paciência para discussão.
— Não fala de boca cheia, você fica feia e mal-educada.
— Você sempre foi e nem por isso eu jogo na sua cara.
— Pode falar que você está se mordendo de ciúmes.
— De você? Bem capaz... — Ri com dificuldade pois acabara de morder mais um pedaço daquele sanduíche.
— Como se você me enganasse com esse sorriso cínico — Me analisou por alguns segundos e eu respirei fundo.
— Me deixa almoçar em paz, vai guardar uma mesa pra sua namorada, ela deve estar chegando.
— Ela senta com a gente — sorriu alegre — Eu não vejo problema nenhum nisso, você vê, Mari?
— Nossa que sanduíche gostoso, será que tem como fazerem um pra viagem? — Virei os olhos após crer que estava conversando sozinha.
— Gorda — Ele riu percebendo meu desprezo.
— Cafajeste — Rebati reclinando meu corpo para mais perto da mesa.
— Prefiro que me chame de gostoso. Porque pelo menos eu não estou comendo um sanduíche de mil calorias.
— Pelo menos eu não namoro uma sonsa. — Quando percebi, já era tarde demais para pensar.
Parei de falar e encarei Guilherme. Ele havia se levantado da mesa para ir embora e eu achei mesmo que fosse. Só achei, porque ele se sentou novamente sem dizer nada e eu pude nos ver brigando pela eternidade depois de ter falado isso.
— Já ouviu falar em ciúmes? — Me encarou novamente risonho. Tentava de todas as maneiras me convencer de que não estava explodindo de raiva por dentro.
— Tudo pra você é ciúmes, troca o disco garoto. — Sorri convencida e lhe fiz ficar ainda com mais raiva.
— Eu te fiz uma pergunta — Rebateu sem sorrir.
— E você, já ouviu falar em desconfiança? Caso você encontre a sua, pode se levantar e sair — Respondi ao sentir meu sangue ferver dentro do meu corpo.
Guilherme pegou a chave do carro em cima da mesa e depois deu as costas dali sem me responder. Agradeci em pensamento já que não suportava mais vê-lo andando feito um cachorro sem dono atrás de mim, enquanto sua namorava esbravejava pelos quatro cantos como o namoro deles era perfeito.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Meu nome é cafajeste
Romantik"Quando se acredita muito em amor, é ideal imaginar que o amor da nossa vida, aquele que ainda há de aparecer, chegará montado em um cavalo branco, será lindo como um príncipe e cortês com um rei. Difícil é acreditar que aos vinte anos de idade, cur...