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Zachary Herron

- Quantas vezes terei que dizer ao senhor que não sei quem foi?! - resmungo, já cansado das cinco mesmas perguntas seguidas.

O diretor me dirige um olhar desconfiado. É tão difícil assim acreditar em mim?!

- Senhor Dean, não vejo motivos para mentiras, porém, também não vejo motivos para alguém colocar esse tipo de "presentinho" em seu armário. - ele diz, seu olhar está no bilhete.

- Eu já disse que não mentiria! - digo, em um tom meio bravo, ele eleva seu olhar a mim. - Aliás, mesmo que fosse eu, por que eu escreveria esse bilhete?

- Não sei... Adolescentes não são normais! - diz como se fosse óbvio. - "Ainda serei seu amor, Herron!"... Uma garota apaixonada? Tem uma namorada, Dean? Se tiver, ficará mais fac...- o interrompo.

- Não, não tenho! - digo, rapidamente, ele me olha com os olhos cerrados como se ainda desconfiasse. Maldita hora que trocaram a diretora.

Três batidas se fazem presentes na porta e o diretor logo arruma sua postura.

— Entre!

— Com licença, diretor Clark - um homem adentra a sala, fechando a porta e se aproximando da mesa.

— Olá, senhor Avery, posso ajudar? - ele diz olhando para o outro. — Ah, claro... Pode voltar para sua sala, Herron. Descobrirei quem foi e lhe informo quando possível.

Me levanto e saio rapidamente da sala, chocando meu ombro contra o de outra pessoa... Ah, não...

— Foi mal...- o cacheado diz de forma ligeira e entra na diretoria.

Tento não pensar muito no que ele faria lá e sigo caminho a minha aula de matemática, que por sinal ele também teria.

— O que teremos aqui? - a professora pergunta esperançosa, ninguém respondeu. — Vamos lá, galera! Matemática é fácil! Olhem, se eu observar a concavidade voltada para cima, marcará o ponto exato no eixo x. Qual é o ponto, Lou? - a garota estava dormindo. — Okay, hum, Anna?

— Meu namorado terminou comigo! - a de cabelos ruivos choraminga.

— Está bem! Herron?

Sinto o olhar de alguns alunos em mim. Eu sou péssimo, ainda mais em matemática. Olho para o quadro tentando entender o mínimo possível, para pelo menos dar uma resposta errada com um pouco de sentido.

— O ponto é -5? - digo, morrendo de nervosismo.

— Quase isso, o ponto é -4, mas fico feliz que esteja tentando, Zach... Muito feliz! - ela sorri.

Pelo menos não foi uma vergonha tão grande!

Caminho pelos corredores, graças a Deus, meu armário já foi limpo e agora já estou indo para casa.

— E aí, Zach?! - ouço a voz de Jonah atrás de mim, me viro para ele.

— Hum, oi

— Viu o Jack por aí?!

É mesmo, não me lembrei dele.

Será que ainda está na sala do diretor?!

Ah, claro! Avery! Jack Avery!

— Acho que o pai dele estava na diretoria...- digo, enquanto saíamos pela grande porta de entrada. — Ele também tinha entrado lá quando saí.

— Ah, não...- o moreno diz, seu olhar mais a frente.

Jack e o pai. Discutindo!

— Você acha que eu quero isso?! Ah, claro, você nem se importa com o que eu quero! - o cacheado diz, sua face estava vermelha de aparente raiva. Alguns alunos tinham seus olhos focados em tal acontecimento, como se fosse novidade, mas não é.

— Sou seu pai, Jack, isso é o que importa! - o homem diz, já entrando no automóvel. — Entre no carro!

O cacheado, antes de entrar, se vira para os alunos que o observavam e manda um gentil dedo do meio para os mesmos, logo fazendo um sinal de conversamos-depois para Jonah.

— O que será que aconteceu com ele? - Daniel pergunta, Corbyn ao seu lado.

Lie | JacharyOnde histórias criam vida. Descubra agora