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Jack Avery

Vejo o Marais vir para a mesa e se sentar de frente para mim, uma xícara de café que ele acabou de fazer em mãos e uma expressão de nítida confusão em seu rosto. Talvez receber sem melhor amigo em plena madrugada na janela de seu quarto, sem dar nenhuma explicação ou motivo, não tenha parecido algo muito comum para ele, apesar de não ser a primeira vez que isso acontece, tampouco a última. O fato é que Jonah é a única pessoa que eu posso conversar abertamente, além da Sydnie. Ele é um ótimo ouvinte e tem os melhores conselhos para um garoto tolo como eu.

— Você vai dizer alguma coisa? - questionou, seu olhar no líquido quente, no qual ele estava despejando algumas gotas de adoçante. — Porque eu ainda não consigo ler seus pensamentos.

Mordo o lábio inferior, antes de deixar um suspiro pesado escapar.

— São cinco da manhã e é domingo, Jack, acho que mereço saber o que aconteceu. - ele me encarou por alguns instantes, enquanto tomava um gole do café.

— Eu e meu pai discutimos. - confessei, olhando para minhas mãos que estavam sobre o meu colo. — Você sabe, temos opiniões diferentes sobre o meu futuro.

Ele assentiu, quando eu dirigi o olhar para ele, como um sinal para que eu continuasse.

— Ontem de manhã... - começo e Jonah passou a prestar atenção em cada detalhe que eu dizia, como ele sempre fazia. E, enquanto eu citava o que havia acontecido na manhã passada, as lembranças em minha mente como um filme...

Após descer e tomar o café da manhã com o meu pai (quem estava estranhamente silencioso, devo acrescentar), me deitei no sofá, sem a mínima animação para fazer nada mais que assistir alguns episódios da série que eu decidi começar há uns dias atrás, ou assistir a algum filme que me chame a atenção na netflix. Pois, mesmo sendo um sábado, hoje está com um ar de domingo; e domingos são preguiçosos.

- Queira entrar, por favor...- ouvi a voz do meu pai e dirigi meu olhar à porta, onde ele estava parado, percebendo que à sua frente havia um homem bem formal, usava um terno preto e uma gaveta vermelha. Mais que imediatamente, retirei meus pés do sofá e me sento, tentando manter uma postura, que sinceramente não tenho. - Filho, esse é o Phineas.

Os dois se sentaram nas poltronas ao lado do sofá e o homem me estendeu a mão, oferecendo um sorriso fraco, não demoro muito para retribuir o ato, ainda sem compreender o porquê de meu pai ter convidado um cara tão engomadinho para cá em pleno sábado.

Acho que gostava mais de quando ele trazia uns dos seus amigos músicos, ou quaisquer outros que, quando falam com você não parecem ter engolido um dicionário minutos antes de entrar pela porta de nossa casa.

O sorriso do meu pai ficou ainda maior, o que apenas me deixou ainda mais confuso.

- Então, Jack, sei que deve estar se perguntando o que estou fazendo aqui, mas, pode ter certeza, de que é por um bom motivo e que vários garotos gostariam de ter a mesma oportunidade que você. - o homem, quem agora sabia que era Phineas, começou a abrir sua pasta preta, que nem percebi que estava consigo, retirando um papel de dentro da mesma.

Franzi o cenho, dividindo o olhar entre os dois, meu pai parecia ainda mais animado (se é que possível) , já o homem mantinha sua mesma expressão séria e o pequeno sorriso.

Ele me entregou a folha.

Era uma aprovação.

Uma aprovação na faculdade de Direito.

Senti minha visão ficar meio embaçada, por conta das lágrimas; não de felicidade, tampouco de euforia; não sabia distinguir se eram de raiva ou de tristeza.

Lie | JacharyOnde histórias criam vida. Descubra agora