Ponto de vista de Minatozaki Sana
Eu estava cada dia mais confusa, de fato. Estava longe da minha casa, longe de meus amigos e famílias e longe do mundo que eu conhecia. Tudo era extremamente novo pra mim, eu não sabia como lidar com a mudança, mas precisava aprender o mais rápido possível.
O que me deixou confusa, foi o fato de ter achado o espelho, mas não ter conseguido ultrapassar ele, de modo que não pude voltar pra casa.
Mas, eu não faço ideia do porque, mas a idéia de ir embora e nunca mais ver Chou Tzuyu, me causou uma sensação estranha dentro do peito, ouvi-la pedindo para que eu ficasse teve um grande impacto em meu coração. Eu senti-lo quebrar, não faço ideia do porque, mas doeu, e por uma fração de segundos eu quis ficar, quis ficar e descobrir o novo mundo ao lado da menina. Mesmo que eu não pudesse, mesmo que não tenha sido pra isso que nasci, mas de certa forma é como se tivesse sido exatamente pra isso que eu tenha vindo a essa época. Estranho? Muito! Contraditório? Sem dúvidas! Mas era assim que eu me sentia.
Estávamos em uma espécie de lanchonete, ao menos foi isso que elas me disseram que aquilo era. Tzuyu me explicou que ali vendiam hambúrgueres e outros tipos de lanches rápidos, que serviam bastante pra uma refeição apressada, ou apenas pra comer alguma besteira. Ela mesma se encarregou de fazer o pedido do que eu comeria, afinal, eu não conhecia nada do que era servido alí.
- Então.. Sana... - sorrio pelo fato de Nayeon não ter usado meu título, assim como pedi. - Como era viver em um castelo?
- Bom, eu tinha uma agenda muito apertada, muitos compromissos, muitas aulas, era muito puxado. Mesmo odiando as circunstâncias, eu gostava, mas gostava mais pelo fato de que tínhamos um jardim gigantesco, onde eu tinha minhas aulas de jardinagem e fotografia.
- Não sabia que pessoas da realeza tinham essas aulas. - a pequena, de nome Chaeyoung, tomou um gole do líquido preto, que descobri se chamar Coca-Cola, assim que terminou sua pergunta.
- E não temos, eu precisei insistir muito para que a Imperatriz autorizasse. São as minhas aulas favoritas, pois estás, eu faço com amor, todas as outras são por pura obrigação.
- Você falou algo sobre casamento, você ta noiva? - Tzuyu me perguntou, enquanto comia algumas das batatas fritas. Era estranho vê-las comendo com as mãos, Sr. Heechul as mataria por isso.
- Tecnicamente, eu estou, mas fugi do almoço de noivado antes que qualquer aliança fosse colocada em meu dedo.
- Boa Princesa, nada de casamentos arranjados! - a menor entre nós acertou um tapa na mesa, fazendo com que eu me sobressaltasse com o susto.
- Chaeyoung, não assuste a menina. - Momo, a outra japonesa alí, deu um tapa de leve na cabeça da Son, arrancando de mim um sorriso pequeno.
- Está tudo bem.
Continuei observando a interação entre elas. As meninas falavam alto, principalmente Nayeon e Chaeyoung, Tzuyu permanecia calada boa parte do tempo, apenas sorria em alguns momentos, ou falava quando as meninas a colocavam entre suas discussões, mas ela sempre se virava pra mim, pra saber se eu estava bem ou não, e isso deixava meu coração um pouco agitado.
Não tardou para que nossos pedidos chegassem, quando aquele pão com algumas coisas, ok, muitas coisas dentro foi colocado a minha frente, não pude reprimir a minha reação de espanto, como eu deveria comer aquilo? Onde estavam os talheres? Pois suponho que com hashis não seria possível.
- Princesa, ta tudo bem? - a morena colocou uma de suas mãos em meu ombro, virei meu rosto concordando rapidamente. - Você só precisa pegar assim, e morder. - Tzuyu mostrou-me a forma correta de comer aquele hambúrguer, então prontamente tentei imitar seu ato, acabando por ganhar uma bela mancha de molho em meu queixo. - Calma, ficou sujo aqui.
Tzuyu pegou um pedaço de papel, passando sob meu queixo com delicadeza. A nossa proximidade era muita, em determinado momento tive a impressão de ter visto seus olhos focados em meus lábios, mas não tenho certeza, posso ter alucinado, o que é uma grande possibilidade. Mas quando ela levanta o olhar, nossos olhos se prendem um no outro, nenhuma de nos conseguia se soltar dessa ligação, é como se tivéssemos presas em nosso próprio mundo. Tzuyu abre um pequeno sorriso, automaticamente o mesmo acontece comigo.
Porém, escuto Momo limpar a garganta, fazendo com que eu desviasse o olhar, me focando mais uma vez em meu hambúrguer, tentando mais uma vez dar uma mordida no mesmo, sendo bem sucedida desta vez.
Passamos mais algum tempo no local, enquanto terminávamos nossa refeição, ainda entre risadas e piadinhas infames feitas por Nayeon e Chaeyoung, que eram veementemente repreendidas por Momo.
- Você gostou? digo.. do passeio e do hambúrguer? - a pergunta vem da taiwanesa, assim que colocamos nossos pés fora do estabelecimento, sendo esquecidas pra trás pelas três, que brincavam de quem conseguia ir mais longe sem pisar na linha.
- Gostei, eu achei o hambúrguer saboroso e a companhia de vocês, sempre é muito agradável.
Estávamos em silêncio dessa vez, Tzuyu tinha a cabeça baixa em quanto caminhávamos, assim como tinha as mãos no bolso da calça. Olhei pra minhas roupas, e percebi que esse já era o quatro par de roupa seu que eu usava, mas estava sem graça de falar algo com ela, não queria que ela se preocupasse em ir em uma modista comigo. Porém, acho que por telepatia ou por um acaso do destino, passamos em frente a uma loja de roupas, e como se uma luz se acendesse na cabeça da maior, ela parou, chamando as outras para que elas voltassem.
- Meninas, eu acho que a Princesa precisa de algumas roupas, por mais que seja um prazer emprestar alguns pares das minhas próprias, ela precisa de roupas até encontrarmos a solução pros problemas dela.
- Isso eu concordo, e por sorte dela, a pessoa mais estilosa daquele colégio, está bem aqui na frente dela. - Nayeon pisca um dos olhos de forma desajeitada, enquanto entrelaçava nossos braços, me puxando pra dentro da loja. Olho pra Tzuyu que apenas nega com a cabeça enquanto sorris, nos seguindo pra dentro.
Rodo por todos aqueles cabides, as roupas haviam realmente mudado com o passar do tempo. Eu estava encantada com tudo, eram peças muito bonitas e coloridas, precisei ser parada muitas vezes por uma das meninas, pois segundo elas, estava escolhendo roupas de velho e que não ficariam bem em mim.
Após escolher algumas peças, paro de frente pras meninas, que apontam pra um lado da loja que eu não havia reparado, haviam pequenas casinhas, elas disseram que se chamava provadores, e era onde as pessoas faziam exatamente o que o nome do local indicava, elas provavam as roupas pra saber se ficariam boas em seu corpo.
- Vai com ela, Tzuyu. - não consegui reconhecer o olhar que estava no rosto de Nayeon, e muito menos o sorriso nos lábios da Son, mas sei que a Hirai, acertou as duas novamente, mandando elas se comportarem.
- Você quer que eu vá, Princesa? - pra falar a verdade, eu estava insegura em como iria ficar naquelas roupas, então sim, queria sua ajuda. Concordei com a cabeça.
Tzuyu seguiu em direção aos provadores e eu a segui. Ela se sentou em um banco que existia em frente a uma das cabines, enquanto eu entrei dentro da mesma e comecei a me despir, mas no meio do processo, acabei prendendo minha cabeça no moletom, e meus braços também, não conseguindo ver nada e muito menos retirar aquela coisa da minha cabeça.
- Tzuyu! Tzuyu, por favor! Será que você podia ajudar-me? Estou presa!
Rapidamente ouvi a cortina ser aberta, mas não ouvir a voz de Tzuyu, só então lembrei-me que por baixo do moletom eu não estava com nada além do sutiã, que era um dos novos que Tzuyu havia me emprestado.
- Tzuyu? Por Deus, eu preciso me cobrir!
Ela nada disse, apenas senti quando ela pegou o moletom e com quase esforço algum retirou de minha cabeça, assim como libertou meus braços que acabaram indo parar em seus ombros. Estávamos próximas, muito próximas, tão próximas que podia sentir sua respiração em meu rosto, assim como imagino que ela possa sentir a minha. Suas mãos desceram e descansaram em minha cintura, onde ela fez um movimento rápido, me puxando para si, colando nossos corpos. Inconscientemente umedeci seus lábios, a mais alta quebrou nosso contato visual, focando apenas em meus lábios.
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1950
FanfictionO ano era 1950. Sana desde o dia em que nasceu teve toda sua vida planejada, desde como vestir, se portar, falar, até com quem deveria falar ou com quem iria se casar. A vida de princesa não era o que a jovem Minatozaki queria, ela se sentia estranh...
