Oi amores da minha vida. Desculpa a demora, mas tá aí um capítulo saindo do forno. Não deixem de ouvir a música que indiquei durante a leitura, ela estará em negrito, por favor, ouçaaam... Nos vemos no final do capítulo, bjssss.
21 de março de 1983. – Itália, Génova.
"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossivel, uma purza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói." - Cazuza.
- Sinueh você tem lido os jornais? – Alejandro perguntou enquanto bebericava um gole de café em sua xícara de porcelanato. Em suas mãos estava um New York Times, seus olhos percorriam minuciosamente cada detalhe do que lia com bastante atenção.
Sinueh terminava de secar os pratos e olhou para o marido que estava compenetrado em sua leitura. – Eu li ontem, querido. Preocupante que esta epidemia esteja se espalhando tão rapidamente... – Respondeu em lamento.
- Não tem tantos casos assim aqui na Itália, os americanos que têm sofrido bastante com essa doença e, pelos jornais, são os viados. – Disse em desgosto. – Isso que dá fazer as coisas que não são de acordo com a palavra de Deus. – Concluiu e virou a página.
- Há quanto tempo você não lê a palavra de Deus, querido? – Perguntou cuidadosamente. – Hipocrisia falar Dele e não seguir os passos que o mesmo seguia. – Disse e atraiu a atenção de Alejandro para si. – Você me engravidou antes de casarmos, não se lembra disso? – Perguntou risonha.
- Não compare um descuido desses com o fato de existir pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo, isso é um absurdo. Não é à toa que essa AIDS tem se espalhado tão rapidamente por esse meio que só faz promiscuidade. – Em seu tom de voz havia desprezo.
- Eu sinto pena desses rapazes. O Governo está ignorando o que está acontecendo enquanto cada vez mais mortes acontecem. Isso é um assassinato silencioso. Independente da sexualidade desses meninos, eles são seres humanos. Estive lendo que a expectativa de vida desses rapazes é de no máximo 45 anos, mas eles nem estão conseguindo chegar perto disso. – Sinueh disse tristemente e riu contragosto. – O que foi? – Perguntou genuinamente enquanto guardava as xícaras dentro do armário.
- Você insiste em chamá-los de seres humanos. Eles estão trazendo esse câncer para a nossa sociedade e você ainda tem pena? – Perguntou retoricamente. – Espero nunca esbarrar com um viado infectado na rua, pois por mais que eu venha adoecer por chegar perto, ele já vai estar morto, menos um pelas ruas. – Respondeu em um tom frio, fazendo Sinueh negar com a cabeça.
O assunto foi dado por encerrado, pois uma Camila sorridente havia entrado pela cozinha com uma cesta em suas mãos.
- Mama... papa... – Os cumprimentou rapidamente com um beijo no rosto de cada um. – Vou fazer um lanche com Emannuel e precisarei levar alguns alimentos. – Disse enquanto jogava algumas frutas dentro do cesto e Alejandro sorriu alegremente.
- Estou tão contente por você está namorando com esse rapaz, minha filha. – Disse enquanto coçava sua barba. Camila o olhou e apenas sorriu de lado, sem mostrar os dentes. – Relacionamentos assim que são saudáveis e certos aos olhos de Deus. – Finalizou olhando-a com orgulho.
- Aos olhos de Deus ou aos seus olhos, papa? – Perguntou enquanto abria as gavetas para pegar alguns guardanapos. Sinueh sorriu com a língua atrevida de sua filha.
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Noites de Inverno
RomanceItália, 1983. A era do romantismo. De um lado, Lauren Jauregui, uma fotógrafa boêmia de vida pacata na pequena cidade de Génova. Do outro lado, Karla Camila, uma burguesa romântica que sonha em ser uma bailarina. O que acontece quando dois mundos tã...
