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Mercury Stanford.

Minha vida se resumia a estudar, estudar e estudar. E também dormir. Mas apenas quando tinha tempo livre.


Eu não dava uma palavra dentro de casa com Blake. Já tinham se passado quase um mês. Estava o evitando a todo custo. Meu peito ainda doía quando eu lembrava daquela cena.


Zach sempre me mandava mensagens de apoio. Ele não estava podendo vir aqui por conta das coisas da faculdade e, de certa forma, era melhor assim.


Suspiro e desço as escadas, indo até a cozinha e vendo que o loiro estava ali e mexia no celular.


Pego o que preciso na geladeira e quando me viro, o vejo parado em minha frente. Sabia que ia começar a falar como sempre.


- Eu...vou ao supermercado. Você quer algo? - sorri de lado.

- Não. - respondo seca.

- Por favor, eu estou tentando, Mercury. - suspira.

Ignoro e me sento no balcão, vindo a abrir o pacote de biscoito e começando a comer.

- Você não pode comer tanto doce. - comenta e se senta ao meu lado. - Como se sente?

- Como você acha que eu me sinto?! - falo demais pela primeira vez em muitos dias.

- Mal... triste. Mas está levando estudando e me ignorando. - torce os lábios. - Está brava comigo e eu entendo. Mas precisamos nos dar bem. Pelo bebê.

- Tem aí a sua resposta. - falo olhando para meu celular na mesa.

- Você não está pensando no nosso filho, apenas em si. - nega com a cabeça. - Precisamos ser bons pais para ele ou ela.

- Você pensou? - rebato e ele suspira.

- Penso todos os dias. Você que se trancou no quarto e não percebeu. - me olha triste. - É só ir no último quarto.

- E para quê? Para me lembrar do que você estava fazendo com aquela garota no dia da festinha?! Não, eu passo. - digo cínica.

- Não. - sorri decepcionado e desce do balcão. - É só para ver um quarto decorado para o bebê.

- Claro. - digo sem dar muita atenção.

- Viu? Você coloca toda a culpa em mim mas não faz esforço nenhum. - ri sem graça.

- E nem farei. - falo e o olho. - Você quer que eu simplesmente te perdoe por beijar uma garota, Blake.

- Não estou pedindo para voltarmos. Estou pedindo para sermos amigos. - fala como se fosse óbvio.

- Eu juro pelos céus que faria de tudo para não amar você. - o olho séria. - Nem você e nem mais ninguém.

- Não fale isso. Não pode jogar quase um ano no lixo por um dia. - nega com a cabeça. - Eu estou tentando, e você não sabe o quanto isso me machuca. Mas estou aqui por vocês dois.

- Engraçado que você me mandou jogar anos no lixo por causa de uma noite quando aconteceu com o Zach. - rio sem graça. - Mas com você é diferente, não é?-

- Porque você sabe que ele não valia a pena. - suspira.

- Eu não sei mais o que vale a pena. -  nego com a cabeça. - Me perguntei várias vezes nesses dias se deveria ficar com essa criança em mim.

- O quê? - arregala os olhos. - Você quer abortar?

- Parte de mim queria. - admito.

- Você realmente quer fazer isso? - pergunta atordoado.

- Escute primeiro. - reviro os olhos. - Não vou fazer isso por ter pensado melhor.

- Ah...entendi. Que bom que decidiu isso. - sorri de lado.

- É. - me levanto, pegando o celular e o vendo suspirar.

- Até quando vamos continuar assim? - questiona por fim.

Não respondo e ando até a sala, pegando um dos livros que estavam na mesinha de centro e começando a ler.

Nesse período de tempo, Blake chega no sofá e senta ao meu lado, subindo minha blusa e colocando a mão em minha barriga. Ele achava que estava tudo bem.

- Posso fazer isso, não é? - questiona com um pequeno sorriso, olhando minha barriga.

- Já está fazendo. - digo sem olhá-lo.

- Eu sei, mas quero saber se você deixa. - diz calmo.

Evito responder e ele suspira, negando com a cabeça e me encarando.

- Temos que pelo menos, viver em paz. Consegue fazer isso? - me olha suspirando.

- Talvez com um tempo. - encaro o livro em minhas mãos.

- Tudo bem...com o tempo. - sorri de lado. - Está lendo o quê?

- Não força, Blake. Não vou fingir que está tudo bem, porque não está. - digo meio seca.

- Eu sei que não, mas estou me esforçando. Pelos três. - se afasta um pouco.

- Ah pelos três. - repito irônica.

- Pelo bebê. - me olha e torce os lábios.

Desvio o olhar e evito suspirar. Nada entre nós seria a mesma coisa.

Não negava que sentia falta dele e nem que o amava muito. E que doía como o inferno a situação. Mas não podia fazer nada.

- Por favor, podemos ao menos tentar? - molha os lábios.

- Tentar o quê, Blake?! - me levanto. - O que é que você quer? De repente não está mais chateado comigo como esteve naquele dia?!

- Você sabe que eu sempre perdoaria você. Em qualquer situação. - ele diz mantendo a calma.

- Experimenta me encontrar aos beijos com o Zach e me diz o quanto isso dói em você. - cruzo os braços.

- Foram só beijos, para mim não significaram nada. - se ajeita. - Você está me culpando por coisas carnais, mas eu não culpo você por sentir coisas por Zach. Eu não jogo isso na sua cara, não aponto seus erros pois sempre confiei em você.

- Só beijos? É isso que acha? - minha voz falha. - E coisas carnais? Nossa...

- Isso doeria bem menos de se ver, do que saber que você ainda ama Zach. - ele respira fundo e fecha os olhos.

- Infelizmente quem eu amo é você. - falo e nego com a cabeça. - Os dois fizeram o mesmo no final de tudo.

- A diferença é que eu estou tentando fazer tudo por você. - se levanta também. - E que eu ainda amo você.

- Você não me ama. - me afasto. - Quem ama não trai. Mesmo que esteja frustrado.

- Você não pode dizer o que eu sinto. - nega com a cabeça. - Eu sei que errei, mas você também. Você também me traiu e o que eu fiz? Fiquei ao seu lado. Em tudo.

- Traí? - repito e coloco a mão na barriga, começando a sentir dor.

- Ei, ei, ei. - ele murmura e vem até mim, me segurando. - Respira fundo, se acalma...

Me afasto dele e saio de casa, indo para dentro do carro e me encostando no vidro.

false dream life ↬blake gray| zach herronHistórias para pegar e não largar. Descubra agora