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Mercury Stanford

Respiro fundo ao ver meu celular tocando e notificando que Blake ligava. Estava com medo de atender por saber que ele ia gritar muito. Provavelmente já tinha lido às mensagens que eu havia mandado ontem pela manhã, dizendo que eu estava em Los Angeles.

Não queria que fosse assim. E sei também que errei ao fazer isso, ao fugir. Mas estava desesperada por paz. Eu precisava de um tempo. Uma atitude egoísta minha, sem dúvidas. Mas "inocente".

Fecho os olhos e quando vou atender o telefone, a porta do meu apartamento é quase destruída com batidas fortes. Franzo o cenho e ajeito Brandon no colo antes de ir até lá e olhar pelo olho mágico. Mas meus olhos se arregalam assim que eu vejo. Não podia ser.

Engulo em seco e verifico se meu filho estava mesmo dormindo antes de abrir. E só então Blake entra bruscamente. Seu rosto estava vermelho e ele parecia bravo. Muito bravo. E provavelmente só não gritou porque estávamos na presença do pequeno.

- Eu posso explicar. - fecho a porta e ele respira fundo, largando a mochila no chão.

Coloco Brandon no pequeno bercinho móvel e deixo uma musiquinha calma tocando para ele, antes de sentir Blake me puxar pela mão até a cozinha.

- O que diabos é isso, Mercury? - ele quase grita, mas se controla. - Há uma explicação plausível para isso? Porque eu não vejo uma. Podemos não estar juntos, mas ele é meu filho!

- Eu só precisava de tempo. Fui egoísta, eu sei. Me desculpa. - murmuro. - Mas eu não...Não consegui ficar lá.

- Não conseguiu ficar lá... - ele ri irônico e nega com a cabeça. - Não podemos estar em países diferentes. Está maluca?

- Eu não quero voltar, Blake. - digo e ele vai ficando mais vermelho. - Aqui é a minha casa.

- E a minha casa? Minha casa não é aqui, porra! - ele passa as mãos pelo cabelo. - Brandon vai ter que ficar com uns dois.

- Eu não sei, Blake, eu...- passo a mão pelo rosto. - Isso não deveria estar acontecendo.

- Não mesmo. - ele nega com a cabeça e começa a andar pela sala. Brandon se remexe e logo vê Blake.

- PAPÁ! - ele exclama.

Blake vai até o pequeno e o toma nos braços, abraçando seu corpinho.

Eu me sento no sofá e fico imaginando o que aconteceria dali em diante.

- Eu quero ficar com ele. - fala por fim.

- Blake, não pode...- nego com a cabeça. - Eu...Não podemos fazer isso.

- Ele é tão meu filho quanto seu. Sempre quando brigamos ele fica com você. - diz sério. - Você não me dá a oportunidade de ser pai, mas ele é meu filho e quero ficar com ele.

- Se você não tivesse aprontado, talvez eu não tivesse vindo pra cá! - jogo na cara dele. - E não pode levá-lo. Eu sei que errei, mas...

- Mas o quê? Zach vai ser o pai dele, você a mãe e vão ser uma família feliz? Me poupe. - revira os olhos e balança o pequeno em seu colo. - Vamos, Mercury. Diga.

- Zach não tem relação nenhuma com essa história. Ao menos uma vez você pode ser homem de verdade e admitir que esteve errado desde que começou com aquela traição?! - me levanto. - Não quero brigar na frente dele.

- Sim. Fui errado em trair você, admito. Fui muito errado. - ele bufa. - Mas isso não dá o direito de viajar para outro país com meu filho!

- Blake, deixe ele sentado e vamos conversar no quarto. - digo e ele nega com a cabeça. - Ele não precisa ouvir essa briga!

false dream life ↬blake gray| zach herronHistórias para pegar e não largar. Descubra agora