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Trigésimo nono capítulo.

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Zayn não foi direto para casa quando saiu do apartamento de Liam. Eram quase nove horas e a cidade ainda funcionava à toda. Ele não ia conseguir lidar com seus pensamentos se ficasse trancado no silêncio do seu quarto. Sabia que só ficaria pior. Precisava de barulho, precisava das luzes, precisava de companhia – mesmo que fosse de estranhos falando ao seu redor.

Zayn, que sempre tinha se considerado autossuficiente, agora não conseguia suportar a si mesmo.

O centro estava cheio. Algumas lojas se mantinham abertas e os feirantes de rua começavam a desarmar suas barracas. Pedestres carregavam suas sacolas e bolsas, entrando e saindo de prédios. Apesar do vento frio que corria à noite, Zayn via muita gente de shorts e camiseta – o verão estava chegando e já começava a deixar claro que seria rigoroso. Ele mesmo não conseguia nem olhar mais para a sua jaqueta de couro no armário.

E, apesar do clima e do bom-senso que Zayn deveria ter, ele só sentia frio. O tipo de frio que jaqueta nenhuma venceria.

O garoto continuou andando, passando por pessoas que falavam alto e andavam rápido. Pessoas que o viam, mas não o olhavam de verdade. Ele queria socar uma parede ao mesmo tempo em que estava muito cansado pra isso. Pegou o maço de cigarros do bolso, acendendo um sem parar de andar. Talvez Zayn devesse comprar alguma coisa para se distrair. Ou arrumar briga. Ou correr até não aguentar mais. Andar demais não o escondia dos seus pensamentos. Droga, onde estavam seus fones de ouvido quando ele precisava?

Havia um banco no meio da calçada, algo que devia ser um ponto de táxi, mas agora era só uma estrutura quase caindo aos pedaços. Zayn se sentou ali. Ele não podia fugir dos seus problemas pra sempre. Sua memória era muito boa e ele ainda se lembrava da noite que passou com Niall, estacionados em algum ponto da cidade e tentando não se afogar nas próprias lágrimas.

Malik sentia vergonha de si mesmo. Sempre deixara claro que valia muito mais do que qualquer um pudesse oferecer e que jamais se submeteria a esse tipo de drama. Se um cara não lhe desse o seu devido valor, Zayn teria o maior prazer de chutá-lo. E ainda assim...

Ele nunca acreditou em “amor da vida toda” ou essas porcarias. Acrditava que os seres humanos mudavam o tempo todo e que, às vezes, a pessoa que combinou tanto com a outra um dia, não combinaria mais depois de algum tempo – e isso não seria culpa de ninguém. Às vezes, só dava certo durante um momento. Às vezes, daria certo se fossem outras condições que não aquelas. Zayn acreditava nisso. Mas era tão difícil se manter incrédulo ao senso comum, àquele que as pessoas repetiam pra si mesmas tentando se confortar e impunham aos outros porque não suportavam a ideia de uma opinião diferente. Era difícil para Zayn quando ele não conseguia evitar se humilhar por Liam. Tudo em nome do amor que sentia e na vontade que tinha de lutar por ele. Mesmo se Payne não quisesse mais. Mesmo se ele só quisesse pela metade.

Por que o professor tinha esse poder sobre Zayn? Era insano. Insano e terrivelmente patético. Ele só queria poder se desvencilhar daquela história toda de uma vez. Queria poder dar um fim em tudo e deixar seus sentimentos claros e seguir em frente em paz.

Mas, pelo visto, era mais difícil do que Zayn pensava. Talvez se dependesse  dele, sua história com Liam já tivesse terminado. Ou não teria passado por esse vai-e-vem estúpido. Porém, não dependia. Payne também tinha o seu dizer sobre a situação. Se ele quisesse, se ele estalasse a porra dos dedos, Zayn correria para os seus braços. Se não... Bem, a essa altura do campeonato, Zayn não sabia mais se insistiria ou não. Tudo dependia de Liam. Tudo dependeria do professor, se Payne não tivesse desistido antes.

Zayn não queria passar pelo sofrimento de esperar por ele de novo. Não queria ficar na reserva, dando um tempo. Mais principalmente, depois dessa noite, ele não queria seguir em frente e passar sabe-se lá quanto tempo com medo de que Liam mudasse de ideia e ligasse de novo. Zayn não queria ficar na incerteza.

Teacher (AU!Ziam)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora