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Quarto capítulo.

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Quando Liam tinha catorze anos, ele beijou um garoto pela primeira vez. Naquela época, “sete minutos no paraíso” não era um jogo tão clichê assim.

Nos anos '80, a homossexualidade ainda não era tão popular e aberta às pessoas. Por isso, Liam tinha passado sua pré-adolescência inteira achando que ele tinha algum problema por achar meninas e meninos atraentes. Aos catorze, ele já tinha se conformado a manter sua opinião sobre os colegas pra si. Ninguém precisava saber, por exemplo, que ele achava o menino quieto da sua turma de Física muito bonito.

Quando sua amiga fez aniversário, os pais dela organizaram uma grande festa na mansão da família. Sendo popular do jeito que a garota era, boa parte do colégio apareceu. Dado certo ponto, alguém deu a ideia de jogarem “sete minutos no paraíso”.

Durante algum tempo, Liam só ficou sentado na roda, vendo casais atrás de casais entrando no armário de casacos ali perto e voltarem, alguns sorridentes, outros envergonhados e uns poucos que pareciam entediados.

Liam já não prestava mais tanta atenção no jogo quando a garrafa apontou para ele. E, seguindo para onde o fundo da garrafa apontava, Liam viu Andy, um garoto que era um ano mais velho que ele.

Os dois se levantaram, Andy sorrindo, simpático, e Liam não sabia o que sentia. Todos sabiam o objetivo do jogo e o que acabava acontecendo dentro do armário, mas quando duas pessoas do mesmo sexo eram escolhidas, as opções aumentavam. A) eles esperavam o tempo terminar, num silêncio embaraçoso, b) mantinham algum assunto ou, enfim, c) se beijavam. Liam não sabia se devia cogitar a última opção, já que ele não fazia ideia se Andy era homossexual. Mas pelo sorriso que lhe foi lançado, ele soube que a primeira opção estava descartada. Quem sabe eles não acabariam amigos?

Sasha, a aniversariante, trancou a porta quando os dois entraram, deixando ambos no escuro. Os pais da garota deviam saber que o armário acabaria sendo usado, pois não havia nenhuma peça de roupa ali, o que tornava o armário minúsculo um pouco mais espaçoso. Bem, pelo menos, espaçoso o bastante para duas pessoas ficarem em pé sem precisar se apertar.

“Então...” Liam começou, apenas para puxar conversa.

Andy deu uma risadinha. “Seria mais proveitoso pra você se fosse uma garota aqui?”

Liam não podia dizer que não, afinal, isso o entregaria completamente. Mas, aos catorze, ele não era o tipo de garoto que mentia. Ele também não podia dizer sim. Porque talvez seria proveitoso se fosse uma garota, em vez de Andy. O que não significava que fosse mais proveitoso do que estar trancado com outro garoto.

“Iiiih, hesitou...” Andy provocou, o sorriso brincalhão nunca saindo do seu rosto.

“O quê? Eu... Não... Hã...” Liam desistiu e coçou os olhos, respirando fundo.

“Ei.” Andy ficou sério, de repente. “Eu não vou te julgar.”

Ele poderia mentir, é claro, mas Liam não achava que todas as pessoas fossem cruéis naquela época. E, quando se tratava de Andy, ele acabou se provando certo.

“Ok.” Liam assentiu. “É que, bem, na verdade... Não faria diferença.”

“Você quer dizer que não gosta de nenhum dos dois?”

Liam riu, balançando a cabeça. “Ao contrário, eu acho.”

“Ah!” O sorriso voltou ao rosto do mais velho. “Bem, isso é legal.”

“Hm, não me leve a mal,” Liam mordeu o lábio. “mas e você?”

“Gay.”

O coração de Liam bateu um pouco mais forte. “Oh. Legal.”

Teacher (AU!Ziam)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora