Capítulo 29

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Anahí

Chegara o dia tão esperado, a alta do meu pai. Finalmente ele iria para casa, mesmo que sob cuidados, e minha família poderia respirar aliviada. Enquanto aguardávamos os procedimentos burocráticos, Jesse e eu dividíamos um sofá na sala de espera, ele bebericava uma xícara de café enquanto eu jogava Candy Crush no celular.


— Any, então...estava pensando e acho que nosso pai merece uma recepção digna. Algo como um jantar, como nos velhos tempos. – Iniciou calmamente, os olhos claros observavam minha expressão.


— Como nos velhos tempos? – Perguntei, devolvendo o celular para o bolso da calça jeans.


— Exatamente, incluindo os Herrera. – Pontuou. - Vamos comemorar.


— Você acha uma boa ideia?


— Uma ótima ideia, não se preocupe com a dona Tisha, eu resolvo. Enquanto isso você convida Alfonso e os pais dele, ah...e não esqueça da Maite e Luna. – Frisou na última frase e eu engasguei, seria no mínimo interessante todos ao redor de uma mesa, fingindo costume e engolindo nossas diferenças, dificilmente daria certo, mas porque não tentar?


— Ok, eu vou. – Assenti e ele sorriu em resposta.


Alfonso certamente ficaria receoso com aquela hipótese, uma vez que tinha consciência do clima ácido entre Tisha, Maite e eu. Mas no fim das contas, o esforço valeria a pena, meu pai adoraria reunir a família e os amigos outra vez, e eu definitivamente não seria o empecilho para que isso acontecesse, mesmo que para isso precisasse deixar o orgulho de lado.


Catei o celular outra vez, e abri o whatsapp, a última visualização dele fora a duas horas, certamente estava em atendimento.


— Vou procurar o Alfonso, encontro você daqui a pouco. – Disse a Jesse que concordou em seguida.


— Ok, espero você aqui. – Afundou a cabeça no estofado e esticou as pernas.


Dei alguns passos até a ala dos consultórios e não foi difícil descobrir onde ele estava, a fila enorme denunciava o quão estava ocupado, o que me fez pensar também no quanto estaria estressado. Um lampejo em minha mente me fez pensar que eu poderia ajudá-lo de alguma forma, e também seria a oportunidade perfeita para pagar a aposta.


Prendi os lábios em meio sorriso, e me condenei por pensar naquilo em um ambiente inapropriado. Mas não o suficiente para me fazer mudar de ideia.


Adentrei a fila, passando despercebida entre os pacientes, ouvi algumas queixas sobre a demora no atendimento, enquanto outros o elogiavam pela atenção dada a cada um deles. Me segurei para não intrometer no assunto, eles certamente estranhariam caso eu o defendesse veementemente, da forma que no fundo eu gostaria. Eu sabia quão dedicado Alfonso era a profissão, mas, isso não significava que iria agradar a todos.


Algum tempo depois, lá estava eu fechando a porta atrás de mim, enquanto Alfonso lavava as mãos na pequena pia disposta próximo a janela.


— Só um minuto. – Pediu, ainda de costas.


— Se eu fosse você não perderia muito tempo. – Respondi e ele girou o corpo assim que reconheceu minha voz. Passeei meus olhos lentamente, capturando sua feição incrédula e o sorriso confuso.


— Garota?! – Perguntou, como uma espécie de afirmação.


— Oi doutor. – Iniciei e ele gargalhou. – Não vai perguntar o que estou sentindo? – Girei a chave, travando a porta.

O Preço de um SonhoOnde histórias criam vida. Descubra agora