Xavier

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Às sete e meia da noite a galera começou a chegar. Tudo está acontecendo como planejei. Mais uma festa inesquecível para o currículo de Xavier Franco, obrigado.

– Sejam bem-vindos – digo para um casal que acabou de chegar, cujos nomes não faço ideia. – Espero que se divirtam!

Estou sorrindo para todos hoje porque a noite promete. A galera gosta de estar em uma boa bagunça e eu gosto de fazer a bagunça. O copo em minha mão ainda está relativamente cheio, afinal, eu não quero ficar bêbado antes de a festa realmente começar, embora já tenha tomado uns drinques.

Pelo bem de minha irmã e sua reputação, resolvi cancelar meus planos. Eu ia ferrar com o suburbano metido a militante, mas ao invés disso vou fingir que ele nem existe. Ouvi Suz resmungar o tempo todo para Adélia no celular ou no Instituto sobre seus pontos e fiz a ligação. Daniel, o nerd bobão, é um gênio, então com ele é pontuação máxima sempre. E aí tem o outro lá que não gosta da gente. Henrique, Erico... não lembro seu nome. Mas, enfim, Suz está tentando se relacionar com ele, afinal, depende disso para pontuar o máximo no fim do semestre. Minha irmã é paranoica com pontos. Suz simplesmente não relaxa enquanto não consegue chegar ao ápice da perfeição em tudo que é designado como seu trabalho. Não acho que seja questão de competir com alguém. Bem, a não ser consigo mesma. Por isso discutimos bastante quando estamos no mesmo grupo, só que sempre conseguimos a pontuação máxima.

– E aí, cara! – Júlio chega de surpresa por trás e envolve meu pescoço com seu braço. – Por que seu copo ainda está cheio?

– Só quero aproveitar um pouco antes de não conseguir me segurar de pé.

– Qual é? Justo hoje que eu estou preparado para tudo?

Sorrio e dou de ombros.

– Então aproveite ao máximo a festa – abro os braços ao me afastar dele, indicando todo o espaço que temos.

Há bastante gente ao redor da piscina e espalhada pelo jardim. A música está tocando em uma altura suficientemente agradável, porque tem vizinhos que não curtem muito um bom som. A comida está disposta na mesa na área de lazer, mas também na cozinha e sala de estar, mas a galera está toda concentrada aqui fora.

Meu pai me pediu que não houvesse bebida alcoólica. Sorrio dele. Que ingênuo se achou que iríamos passar a noite inteira tomando sucos de frutas cítricas ou refrigerantes. Não tem como ele saber o que vai acontecer aqui, mas mesmo assim mantenho cuidado com o pequeno grupo de pessoas que prefere ficar dentro de casa, pois tenho ordens restritivas sobre o seu escritório. E manter os adolescentes sedentos por sexo longe de qualquer lugar considerado discreto é minha missão de hoje, apesar de não me importar muito se alguém acidentalmente entrasse lá e o destruísse.

Vejo Suz acompanhando o carinha irritante e a minha colega de trio, que também é suburbana – Joana, eu acho – em direção a área da piscina.

– Olá! – Cumprimento quando se aproximam. – Espero que aproveitem a festa.

Eu me esforço para dar um sorriso, mas apenas Joana retribui. Não que eu esperasse algo diferente.

– Pode apostar que sim – ela diz e seus olhos estão brilhando muito, como se realmente estivesse encantada com o que está vendo. – Sua casa é linda – fala confirmando meu pensamento.

Imagino que a sua também seja, tenho vontade de dizer mesmo sabendo que não é. Mas não digo.

– Obrigado. Você está está linda!

Eu a elogio sinceramente e seguro sua mão, fazendo-a dar uma voltinha. O estilo dela é impecável, apesar de barato. Joana apenas dá uma risadinha discreta e enrubesce.

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