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Fui até o banco a passos lentos. Me sentei naquele pedaço de pedra, que para muitos não significava nada, mas que para mim, era extremamente importante, pois ele continha as minhas mais profundas lembranças. Aquele, não era qualquer banco, aquele, era o nosso banco. Toquei a pedra fria com melancolia, fazendo uma enxurrada de lembranças, que eu havia a muito tentando esquecer, virem à tona contra a minha vontade. Lembranças que eu enterrei no mais fundo de minha memória, três anos atrás. Antes, ao levar minha mão até aquele mesmo lugar, eu sentia o calor reconfortante das mãos dele. Me lembrei de sentir seus dedos, levemente calejados, se entrelaçarem aos meus, me transmitindo uma sensação de paz e proteção. Lembrei de seu sorriso, que para mim, era capaz de iluminar o mundo todo. Me lembrei de seu toque carinhoso. Lembrei de quando seus lábios macios, se juntavam aos meus, me fazendo sentir que eu estava nas nuvens. Me lembrei das músicas que ele cantava com tanto amor para mim, acompanhado do som melodioso de seu violão. Uma lágrima quente escorreu por meu rosto, eu sentia a sua falta todos os dias. Um vento frio do outono, chegou ao meu encontro, trazendo consigo, um cheiro que eu reconhecia. Será que eu estava com tanta saudades dele que eu comecei a imaginar coisas? De repente, algo se coloca na minha frente, cobrindo os fracos raios de Sol. Olho para cima na tentativa de ver o que teria se colocado na frente do Sol. Fico paralisada ao ver o que havia na minha frente. - S/n - ele fala calmamente - Sou eu. Eu devia estar delirando, aquilo não era possível, porém ele ali parado em minha frente, dizia o contrário. Me levantei trêmula do banco e levei as minhas mãos ao seu rosto, parando milímetros de distância de suas bochechas. Fecho os olhos e respiro fundo. Meu coração estava acelerado por conta da incerteza angustiante que me assolava naquele momento. Até que eu sinto, o rosto dele em minhas mãos, dissipando as minhas incertezas. Abro os olhos e o vejo, com a cabeça perfeitamente acomodada em minha mão direita. Ele lentamente retira o seu rosto de minhas mãos e sorri. Vou até seus braços e enterro minha cabeça em seu peitoral. Os batimentos cardíacos dele eram como a mais doce melodia para os meus ouvidos. Sinto ele passar a mão em meus fios de cabelo, exatamente como ele fazia antes. - Eu estou aqui S/n - ele sussurra - Vai ficar tudo bem agora. - Promete nunca mais me deixar Sanha? - Eu prometo. Nunca mais vou te deixar S/n. Nunca mais. Ao dizer essas palavras ele gentilmente me afasta e segura o meu rosto, passando carinhosamente o seu polegar em minha bochecha. Sinto ele se aproximando lentamente de mim, fazendo o meu coração novamente acelerar. Ele estava tão perto que eu pude sentir o seu perfume, o mesmo perfume de três anos atrás. Até que, ele roça os seus lábios nos meus, fazendo um arrepio percorrer o meu corpo, para logo em seguida, unir carinhosamente, seus lábios macios nos meus, selando assim, a sua promessa. Ele nunca mais me deixaria.
Escrito por: Sophia
************************************ Música: When the wind blows