— Temari!
Todos os garotos estavam amontoados na cozinha, em frente à geladeira, contemplando o papel adesivado como se fosse um escorpião pronto para atacá-los — até mesmo Sasuke, com os braços cruzados, simulando indiferença.
— Qual o problema? — Ela tinha acabado de tomar banho, vestia a calça desbotada de um pijama e uma blusa de alça; na mão, levava uma toalha molhada, que muito provavelmente iria estender na área.
Era domingo à noite, já tinha passado das 22h, e, com exceção de Neji, que estava muito elegante com sua calça jeans e blusa social — tinha acabado de chegar de um encontro com Tenten —, o restante usava roupas desleixadas ou pijamas.
— Você não pode colocar essas... essas... coisas — enfim, Shikamaru encontrou a palavra — na lista de compras.
— Por que não?
— Porque é algo muito...
— Pessoal — ajudou Neji.
— Exatamente! — Naruto, Kiba e o próprio Nara concordaram em uníssono.
— Sim, da mesma forma que são os preservativos do Kiba, os cremes de espinha do Neji e o gel do Sasuke — enumerou, impassível — no entanto, tive que comprar todas essas coisas na minha semana.
Ela tinha um ponto. Temari já estava morando com eles há mais de um mês, tempo o bastante para encontrar seu espaço e ter confiança para exigir igualdade de tratamento em relação aos outros moradores — não que alguma vez ela tivesse sido maleável.
— Mas são... são... — Kiba tentou retrucar, completamente desajeitado.
— Absorventes? — a loira completou, vendo o desespero do rapaz — Não é um palavrão, pode falar tranquilamente.
Pelo seu tom e o brilho perverso nos olhos verdes, Shikamaru tinha certeza absoluta de que a mulher problemática estava se divertindo com toda a situação.
— E como acha que vamos passar com isso no caixa? — Sasuke questionou, apesar da arrogância, também estava corado.
— Da mesma forma que tive que passar um pacote de 20 unidades de preservativo lubrificado, sabor morango, com ultra resistência, — sua voz parecia um sibilar perigoso de uma cobra — olhando no fundo dos olhos da caixa enquanto ela me julgava abertamente.
Nesse momento, Kiba deu um sorriso de canto — envergonhado —, que poderia ser considerado um pedido de desculpa.
— Não sabemos nada sobre isso, — como um bom aluno de direito, Neji trouxe racionalidade à questão — a probabilidade de errarmos é enorme, seria muito mais prático que você mesma comprasse.
— Tem a marca e tipo descritos ao lado do nome, — irredutível, cruzou os braços à frente do peito — se forem descuidados ao ponto de errar, vão ter que voltar ao mercado e trocar por outro até acertarem.
— Isso é um absurdo! — explodiu o Uchiha.
Talvez com os outros, essa reação pudesse causar estremecimento — seguido de um recuo —, porém Sabaku no Temari apenas ergueu o queixo e o encarou de igual para igual.
— Pois é, perdedor! Se eu tive que me adaptar a vocês, os meninos chorões podem muito bem fazer o mesmo por mim.
Aquela era uma briga de titãs, e Shikamaru era inteligente o bastante para saber onde iria parar. Temari estava certa, afinal, só que Sasuke era orgulhoso demais para ceder — sempre foi.
— Okay, eu faço as compras.
— Não, é a vez do Sasuke, e você conhece a regra — repreendeu Neji.
— Eu sei, mas isso não é uma cortesia, — fitou o Uchiha — me deve uma, e você — apontou para Temari — sempre que precisar dessas... coisas, coloque na lista da sua semana, ou na minha.
— Também pode colocar na minha — Naruto se ofereceu prontamente.
— E na minha. — Se apressou Kiba, completando com um sorriso — Desculpa pelas camisinhas.
— Não foi tão ruim assim, a cena até que foi engraçada. — Temari devolveu seu sorriso — Obrigada, é bom saber que nem todos os fracotes têm a masculinidade frágil.
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Afinal, por que mesmo tinha aceitado aquela tarefa? Shikamaru se perguntou ao se ver parado em frente a uma estante do supermercado, lotada de prateleiras e mais prateleiras de absorventes. Havia encontrado a marca que Temari queria, mas tinham diversos tipos: com abas, sem abas, noturnos, diurnos, seco, com gel, com oito unidades, 16, 32. Quanto mais lia as embalagens, mais confuso ficava. Pensou em levar o de 32, no entanto, parecia muito visto que tinha de oito. Será que poderia estragar se ela não usasse tudo de uma vez e guardasse? Por que, no santo inferno, existia um para a manhã e outro para a noite? Temari não havia pedido um de cada, mas talvez devesse levar.
E O QUE, POR KAMI, ERA UMA ABA???
— Precisa de ajuda?
Uma mulher de olhar gentil e cabelo azul se aproximou do seu carrinho, trazia uma flor de origami no cabelo que a ele parecia muito familiar.
O Nara sentiu o rosto quente, não estava fazendo nada de errado, não tinha motivos para se envergonhar, no entanto...
— Aaah, não?! — Era uma pergunta, não negativa.
— Tem certeza?
— Preciso comprar uma dessas coisas, dessa marca — apontou — sem abas, só que tem várias outras especificações nas embalagens além disso, por exemplo, tem um que é noturno, outro que é toque seco.
— Bem, isso depende do fluxo da sua namorada, se é intenso ou não.
— O QUÊ???? — Não era burro, sabia exatamente o que "fluxo" queria dizer, porém não queria, de forma alguma, associar aquilo a Temari ou qualquer mulher, preferia a estúpida ignorância.
— Deixe-me ver o que ela escreveu? — Estendeu a mão para o papel que ele segurava.
— Sim, sim! — Entregou a lista como se estivesse se livrando de uma bomba.
— Vejamos, se fosse noturno ela teria colocado — passou a mão pelas prateleiras e pegou um pacote médio com o número 16 estampado — esse deve servir.
— O... Obrigado!
— De nada, — sorriu amigavelmente, colocando o absorvente no carrinho dele — não precisa se sentir envergonhado e com a prática vai acabar aprendendo a diferenciar um do outro. Da próxima vez, se tiver dúvida, pode pedir uma embalagem vazia a ela para fazer a comparação, ou uma foto.
Ele não queria aprender, entretanto, desde que uma mulher problemática, teimosa e agressiva, entrou na sua vida, já não tinha mais escolha.
— Vou seguir seu conselho.
— Bom, então até mais.
Depois que a mulher se foi, ele percebeu que não a corrigiu nenhuma das vezes em que se referiu a Temari como sua namorada.
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Colega de quarto
FanficNara Shikamaru tinha a vida perfeita que todo preguiçoso crônico sonhava. Era professor universitário aos 21 anos, dividia seu apartamento com outros cinco amigos e mantinha uma rotina banal e minimamente notória. Até que seu melhor amigo, Akimichi...
