Summertime sadness

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Ficamos alguns tempo nos encarando, mas mesmo assim ele não soltava meu pulso, o que eu achei estranho, a pergunta dele já foi respondida, não faz sentido ele continuar com seu ato.

- Pode me soltar agora. Sua pergunta já foi respondida.

- Respondida? Seu semblante volta para o confuso igual ao tom. - O que você tem? Nem raiva você demonstra mais.

- Como eu disse antes, sou diferente das outras pessoas, mas já que quer saber. Olhei para o canto inferior esquerdo e suspirei. - Eu nasci com uma doença chamada Alexitimia, que faz incapaz de expressar ou descrever qualquer tipo de emoção. O encarei novamente. - Bom, não sei muito sobre, mas eu pesquisei sobre essas "coisas" que vocês sentem e aprendi a descreve-las, mesmo não sentindo ou tendo o real entendimento. Soltei outro suspiro.

- Hm, isso explica muita coisa. Pronuncia num tom satisfeito, largando meu pulso no processo.

- Mas tem algo que eu não entendo. Quando eu te conheci, eu... não sei mas... acho que tinha... sentido... raiva, por tratar mal um amigo.

- Sentimentos são igual a andar de bicicleta, depois que aprende, nunca mais esquece. Ele solta seu riso nasal e um sorriso de canto. - Enfim...

- Satisfeito? Se me der licença, eu tenho um livro para terminar. Pego o objeto em questão e vou para meu quarto.

Na manhã seguinte.....


P.O.V Tin

Isso foi surreal, uma pessoa incapaz de expressar sentimentos desde criança, como ele consegue ser tão....intrigante. Saio dos pensamentos e vou até o casal sentado em uma mesa do quiosque particular.

- Ei Ae, a quanto tempo você conhece o Can? Pergunto sem rodeios puxando uma cadeira e sentando.

- Acho que desde o fundamental. Fez uma expressão pensativa. - Por que?

- Ele sempre foi desse jeito, seco e insípido? Dei um voto de confiança ao menor, se Can estiver certo, ele pode ser uma boa pessoa.

- Infelizmente sim, eu não notava na época, mas depois que ele me falou do seu problema, pude lembrar dele perfeitamente. Ele levanta a cabeça e encara o teto. - 'Pra ser bem sincero, eu nunca vi ele sorrir ou chorar, estando sempre com a mesma cara. Ele desce o olhar para mim e sorriu fechado. - Mas isso mudou quando ele te conheceu. Os dois se olham e me encaram novamente. - Não está muito perceptivo, mas ele mudou um pouco.

- Ele tem razão Tin... eu conheço ele a pouco tempo... mas pude ver a mudança... parecendo criar empatia com você. Foi a vez de Pete explicar animado, mas calmo, segurando a mão do namorado. - E você mudou também Tin.

- Como assim? Alternei o olhar entre eles incrédulo.

- Desde que chegou aqui, não me chamou de pobre ou reclamou com o Pete. Citou Ae simples.

- Seu rosto não está serio como antes... agora parece mais sereno. Pete fala abrindo mais o sorriso.

- Com certeza vocês estão loucos, eu não mudei nada. Retruquei sério e decidido, saindo da mesa em seguida.

Mas assim que peguei distancia e andei pelos corredores, pude soltar um pequeno sorriso e refletir melhor sobre o assunto. Can não consegue se expressar direito, Pete e Ae dizem que nos mudamos por conta que nos conhecemos. Parei em frente a um quadro de uma mulher com vestes antigas.

- Não sei. Me aproximo da moça. - Nem mesmo considero tanto Pete assim. Passo as costas dos dedos em seu rosto pincelado. - Mas eu quero confiar em você....

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