Mesmo sendo filha de jogadores de volêi, futebol sempre foi o esporte preferido de Aiyumi, mas após a notícia de que seu pai teria poucos meses de vida, ela resolve dar a ele a chance de vê-la jogar uma vez. Porém ela acaba sendo recusada no time de...
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O garoto se virou para mim e se manteve atônito assim que nossos olhares se cruzaram.
Soltei a bola que estava em minhas mãos, provocando um barulho que ecoou pelo ginásio silêncioso.
— MIWA! — Eu corri para abraçá-lo.
O garoto fez um esforço para não cairmos assim que nossos corpos se chocaram, senti ele hesitar em me abraçar de volta, antes de desistir e jogar seus braços para baixo, ignorando o meu afeto.
Eu me soltei dele e o encarei, suas bochechas estavam tão vermelhas e ele mal conseguia me olhar nos olhos.
— Aiyumi, eu-... — Eu o interrompo, lhe dando um tapa no rosto que soou feito um estalo.
— Eita, que isso tá até parecendo um Dorama. — Tanaka falou.
— Há quanto tempo você está de volta? — Perguntei, ganhando o silêncio como resposta, o garoto se encolheu no lugar e pressionou os lábios. — MIWA, QUANDO VOCÊ VOLTOU PARA MIYAGI?
— Desde o começo do ano. — Ele respondeu.
Meus olhos ficaram marejados no mesmo momento, então resolvi apenas ir embora.
Minha cabeça não parava, as lembranças de minha infância apareciam em minha mente como se eu não as pudessem contê-las.
Miwa e eu nos conhecemos no jardim de infância, ele era uma criança tímida e eu o chamei para brincar. A partir daí viramos amigos, passávamos o dia inteiro brincando juntos. Quando o garoto tinha problemas familiares, era eu quem o aconselhava. Prometi nunca deixá-lo mas, na verdade, foi ele quem me deixou. Estavamos prestes a ingressarmos no ginasial quando, de repente, ele foi embora da cidade e nunca mais deu notícia.
Ele sumiu, como se simplesmente nunca tivesse existido.
Após sair do ginásio, não demorou muito para que uma mão segurasse meu braço, me impedindo de continuar a andar.
— Espere! Vamos conversar... — Ele disse.
Num movimento brusco eu puxei meu braço, me libertando de seu toque.
— Miwa, éramos amigos! Crescemos juntos! Você ao menos se despediu! Sabe quantos dias eu fui até sua casa perguntando aos vizinhos se você já tinha voltado? Sabe quantas cartas eu te mandei?
— 84. — Ele respondeu sem hesitar. — Você me mandou 84 cartas. Eu li todas...
— ...E por que não me respondeu? O que aconteceu?
Ele desviou o olhar, levando a mecha branca de seu cabelo para atrás da orelha, em seguida, deu um longo suspiro antes de segurar minhas mãos.