Mesmo sendo filha de jogadores de volêi, futebol sempre foi o esporte preferido de Aiyumi, mas após a notícia de que seu pai teria poucos meses de vida, ela resolve dar a ele a chance de vê-la jogar uma vez. Porém ela acaba sendo recusada no time de...
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Eu entrei no quarto de hospital ainda atônita, avistei meu pai e me aproximei dele em passos lentos. Me sentei no banco ao lado de sua cama e o observei em completo estado de perplexidade.
— Aiyumi. — Com dificuldade, o homem que já estava chorando bastante, levanta sua mão para tocar o meu rosto e acariciar minhas bochechas. — Você fica tão bonita de cabelo amarrado.
Como num choque de realidade, as lágrimas começam a descer pelas minhas bochechas. A mão do homem cai de volta sobre o leito no qual estava deitado, já que mal tinha forças para manter a mesma levantada.
— Não! Eu não estou pronta! Papai, eu não estou pronta! Por favor, não faça isso comigo! Não me deixe por favor. — Eu me agarro no colchão e digo em alto tom com a voz chorosa. — Por favor, você precisa voltar comigo para casa...
— Aiyumi, olhe para mim...
— Papai, por favor... Nós ainda vamos dar um jeito, nós vamos... Eu e a mamãe... Nós vamos... — Eu seco minhas lágrimas que não paravam de cair. — Você precisa aguentar mais um pouco, só mais um pouco, eu sei que deve estar doendo, mas por favor...
— Aiyumi. — Meu pai segura minhas mãos. — Não está doendo mais...
O meu queixo começa a tremer na tentativa de segurar minhas lágrimas, minha visão se torna turva diante a quantidade do líquido ali acumulado.
— O que eu vou fazer sem você...? — Murmurei.
— Prossiga. — Disse ele. — Lembre-se do colar que eu te dei. Apenas prossiga sua vida, faça o que você gosta, seja feliz e se case com alguém que você ame. Alguém bonito de preferência, porque se meus netos nascerem feios eu volto do quintos dos infernos para olhar na sua cara e perguntar "Por que meu neto tem cara de repolho?"
Eu acabo sorrindo diante sua piada, mesmo chorando bastante.
— Eu não sei se vou conseguir... — Murmurei. — Por que isso tem que acontecer? Você sempre foi uma boa pessoa, um bom pai, um bom marido... Por que eu não posso fazer nada pra salvar você? Eu só posso ter ver morrer aos poucos? Eu sou tão impotente...
— Aiyumi, foi você quem me manteve vivo todo esse tempo. Se tudo o que passei foi necessário para eu ver você se tornar a pessoa que se tornou, então valeu a pena.
— Papai, não diga isso... — Eu acaricio seu braço com meus polegares e deito minha cabeça em seu peito.
— Se eu morrer está noite, tenha em mente de que eu morrerei feliz. — Ele põe a mão em minha cabeça e acaricia meus cabelos com dificuldade. — Continue sendo sempre essa garota incrível, cheia de luz, que cativa facilmente as pessoas e as fazem se apaixonar por você e sua áurea gentil. Mas cuidado, existem pessoas que podem se aproveitar da sua bondade, não seja ingênua.
— Okay, papai. — Falei.
— Independente da sua escolha, futebol ou vôlei. Saiba que eu te apoiaria no que for.
— Eu já fiz minha escolha.
— E qual é...? — Disse ele um tanto ansioso e eu sorri com a expressão que ele está a fazendo.
— Eu quero jogar vôlei após o ensino médio.
Apesar do olhar mortiço em seu rosto e das pálpebras cansadas que agora lutavam para continuarem abertas, consegui perceber o brilho nos seus olhos com meu último pronunciamento.
— Eu fico feliz, eu fico muito feliz... — Ele sorri com a voz cada vez mais fraca. — Como chegou a essa conclusão?
— Eu sempre amei correr, por isso o futebol me chamou tanto a atenção, mas era só isso o que ele era pra mim, apenas um esporte. No começo, mesmo após ter aprendido a jogar vôlei, este também era apenas um esporte. Mas, depois de ficar trancada com alguém irritante, nós conversamos e...
— Harushiro? — Meu pai disse um nome.
— ...que?
— Harushiro, não é o nome daquele loiro, que tem um gêmeo e te mandou mais de 60 mensagens de uma vez. É dele de quem você está falando, não é?
— Sim, é dele. Mas o nome dele é Atsumu.
— Quase acertei. — Disse ele. — Enfim, continue.
— "A satisfação de fazer um bom levantamento, de marcar um ponto decisivo, de recepcionar uma bola difícil ou bloquear um ataque insano. Estar com as pessoas que você gosta e jogar com eles." — Repeti as palavras do loiro. — Eu entendi perfeitamente o que Atsumu quis dizer. Senti isso naquela partida e não quero que seja a última vez.
— Eu gostei desse Atsumu. — Ele sorriu para mim antes de continuar com uma voz tão fraca que se tornava quase inaudível. — Obrigado novamente. Eu sou o homem mais sortudo do mundo por ter você como minha filha.
— E eu sou a garota mais sortuda do mundo por ter você como pai. — As lágrimas voltam a cair.
— Eu estou cansado. — Disse ele com dificuldade. — Acho que vou dormir um pouco.
— Eu vou ficar aqui com você. — Tirei minha cabeça de seu peito e voltei a apenas ficar sentada ao seu lado.
— Assim como eu fazia quando você era uma criança?
— Exatamente, papai. — Uma de minhas mão desce pelo seu pulso e nossos dedos se entrelaçam.
— Você ainda estará comigo quando eu acordar pela manhã?
— Eu prometo estar. — Falei. — Não sairei daqui.
— Então espero que o dia amanheça logo... — Ele fecha os olhos.
Alguns minutos se passam sem seu pronunciamento. O meu coração começou a bater mais rápido, diante o início de meu desespero.
— Papai?... Papai!?
— Shiu, olha o barulho. — Disse ele.
Eu ri brevemente e tentei me recuperar.
— Desculpe.
— Tivemos uma longa noite, deite-se comigo. — Ele falou. — Descanse.
Eu abaixo meu banco, cruzo um de meus braços sobre a cama e pousei minha cabeça sobre o mesmo. Fiquei quieta por intermináveis momentos, tendo como fundo sonoro o barulho dos aparelhos que o ajudavam a respirar. E diante de tal barulho monótono, eu adormeci por poucos minutos, mas acordei em seguida.
— E você, papai? Ainda estará comigo quando eu acordar pela manhã?... Você ainda estará comigo...? — Eu insisto, não obtendo resposta alguma. — Papai... me responda... uma última vez, por favor... só mais uma vez... diga alguma coisa. Por favor, qualquer coisa...
Eu afundo meu rosto em meu braço e agarro com força suas mãos que já não apertavam mais as minhas. As lágrimas caiam sem pausa alguma, eu chorava tanto ao ponto de meus pulmões doerem.
Eu sentia como se uma parte de mim tivesse ido embora.
Mas pensando bem... era o que realmente tinha acabado de acontecer.