9. O início do caos

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Eu fico em silêncio, me mantenho estática no lugar, com medo de que ela tenha me visto com o loiro.

— Vamos, me responda! — Ela ordena.

Seco rapidamente meu rosto com o dorso das mãos antes de finalmente me pronunciar.

Você não ia para a casa de meus tios? — Perguntei.

— A consulta de seu pai foi reagendada para a parte da tarde, então não iremos precisar passar a noite na casa dele. — Minha mãe responde. — Mas você ainda não respondeu minha pergunta! Onde esteve o dia todo?

Eu te avisei ontem, sai para correr de manhã e após isso, saí com alguns amigos. — Falei tentando soar o mais natural possível.

— E desde quando alguém como você tem amigos para passar o dia todo?

Eu me virei para ela, pensando se ouvi bem o que ela havia acabado de dizer.

O-o que? - Eu recuei em meu lugar. — "Alguém como eu"?

— Quero que pare de sair com essas pessoas, você entendeu? Não quero que fique saindo desta forma. Portanto, se afaste deles!

Ela passou por mim, chocando seu corpo no meu propositalmente. Não sabia muito bem o motivo dela estar agindo assim. Eu pressionei os lábios e fechei meus punhos, pronta para fazer algo que nunca havia feito na vida: contrariá-la.

Não.

A mulher parou de andar assim que me ouviu falar, ficou inerte em seu lugar por alguns segundos, até que se virou na minha direção com lentidão.

— O que você disse, Aiyumi?

Não se faça de desentendida, você me ouviu claramente, mamãe.

— Você está louca? Quem você pensa que é para falar comigo dessa forma?

Eu não me importo! Gosto de passar meu tempo com meus amigos, eu preciso deles e nós nos divertimos muito! Não vou desistir deles porque disse!

— Olhe para o seu pai! Está vendo algum amigo com ele? Alguém veio atrás dele quando seu pai se afastou? — Minha mãe diz e eu me mantenho em silêncio, já que todos os amigos de meu pai o deixaram. — Você está passando por cima da minha autoridade por causa dessa gente, Aiyumi. Mas agora eu te pergunto, se vocês se afastassem, eles iriam atrás de você?

E-eu... eu não... — Eu desvio olhar diante a dúvida que minha mãe fez surgir em minha cabeça.

Talvez ela tenha razão...

Talvez eu seja um peso e eles estão interagindo comigo apenas porque pedi para que me treinassem.

— Foi o que eu pensei. — Minha mãe diz e volta a andar. — Agora vá para o seu quarto, eu cansei dessa conversa.

Sim, mamãe...

〜 ✘ 〜

Quando as aulas acabaram, eu fui para o ginásio. Eu estava triste e distraída, já que não conseguia parar de pensar nas coisas que minha mãe havia me dito na noite anterior.

— Você está bem? — Miwa perguntou.

Eu pisco algumas vezes e tomo um leve susto porque não havia notado sua presença ao meu lado até que se pronunciasse.

Estou bem. — Tentei dar o meu melhor sorriso.

— Mesmo após tantos anos você ainda não aprendeu a mentir, não é mesmo, Aiyumi? — Ele diz e afaga meus cabelos rapidamente. — Vamos, me conte o que aconteceu.

Eu dou um longo suspiro e hesito bastante antes de começar a falar sobre a situação de meu pai.

— Eu sinto muito sobre seu pai. — Ele diz. — Mas, ainda tenho a sensação de que esse não é o único motivo que está te deixando triste hoje.

Ontem eu acabei brigando com minha mãe. — Falei, desta vez, sem mais rodeios.

— Sobre o que? Ela descobriu que você faz parte da equipe de vôlei?

Não! Ela não pode nem sonhar que sou da equipe! — Falei. — Isso seria o começo do caos.

— Por que a sua mãe abandonou o vôlei e passou a odiá-lo de repente? — Miwa perguntou.

Está relacionado ao meu pai. — Respondi, tentando ser o mais vaga possível.

— Yu-chan! Me ajude com alguns levantamentos, por favor! — Hinata se aproximou.

— Eu iria pedir para a Ayu-chan me ajudar com o treino agora. — Tanaka se aproxima também. — Aí eu posso aproveitar e te dar algumas dicas para controlar sua força.

— Que história é essa de Ayu-chan?! — Miwa parece irritado.

— Mas o kageyama está treinando saque no momento. — Hinata diz de modo melancólico.

— Acho que eu sou a melhor pessoa para auxiliá-la no quesito de controle de força. — Miwa respondeu.

— Seu playbozinho... — Tanaka reclama.

Vamos, Shouyo. — Falei para o ruivo.

— Ah, Yu-chan, você me chamou pelo primeiro nome. — Os olhos do garoto brilham e eu solto um sorriso tímido diante de sua empolgação.

— AIYUMI! — A voz de minha mãe soou por todo o ginásio, fazendo todos olharem para a entrada do local.

Mãe...

Ela andou até mim, eu soltei a bola que estava em minhas mãos e recuei cerca de dois passos. Mas isso não impediu a mulher de dar um tapa na minha cara.

— Quando eu vi aquele garoto loiro, na porta da minha casa, com um uniforme do clube de vôlei, eu me recusei a acreditar que estaria envolvida com isso. Mas então eu soube dos seus atrasos ao voltar da escola então tudo começou a fazer sentido! — Ela diz. — O que está fazendo aqui, Aiyumi?

Eu pus minha mão sobre minha bochecha, que latejava por causa do tapa, meus olhos se encheram de lágrimas e meu queixo tremia na tentativa de tentar conter o choro.

Eu sou assistente do time de vôlei da Karasuno. — Respondi com a voz falha.

O semblante da minha mãe se fechou ainda mais. Ela segurou a blusa preta do clube que eu estava usando e a tirou de mim de maneira brusca, jogando a roupa em qualquer lugar do ginásio.

— Você nunca mais irá voltar até esse ginásio, okay? Vamos! — Ela agarrou meu pulso com firmeza e me puxou para fora do lugar.

〜 ✘ 〜

Mamãe, espere! Por favor, espere! — Eu dizia tentando me soltar da mulher que me agarrou novamente assim que saímos do carro.

Nós entramos em casa, ela me puxou pelos corredores e me jogou em meu quarto.

— A partir de hoje, irei te buscar todos os dias após as aulas! Está proibida de ir procurar as pessoas desse clube, okay? Agora fique no seu quarto, sem ao menos jantar!

Mãe, esper-... — Não consigo ao menos terminar o meu apelo, já que ela bateu a porta e logo a seguida a trancou pelo lado de fora.

〜 ✘ 〜

Crows • [Haikyuu]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora