O despertador de meu celular soou às 6h00 da manhã daquele sábado.
Era 21 de setembro de 2013.
Meu olhos se abriram com dificuldade e estiquei o braço para desligar o alarme, em seguida, pus-me a encarar o teto, quase não conseguindo conter a ansiedade. Fiquei surpresa ao perceber que, apesar de toda a minha inquietude, consegui dormir tranquilamente, estava disposta e animada para o dia que vinha pela frente.
Após fazer minha higiene e tomar um bom banho, percebi que meu pai e minha mãe já estavam acordados e tomando o café da manhã. Me sentei á mesa para comer com eles.
Acabei notando que, se havia alguém ali mais ansioso que eu, esse alguém era meu pai. Porém, minha mãe carregava um olhar tristonho em seu rosto enquanto seu marido ainda tentava convencê-la de ir junto.
— Vamos, Kyomi. Você não quer ver sua filha praticar o esporte que nós tanto amamos? — Ele perguntou.
— Que você ama, Shinsou. — Ela tratou de corrigi-lo. — Eu não amo isso já faz um bom tempo...
— Sabe muito bem que o vôlei não é o culpado da minha doença e nem do meu estado atual. — Meu pai continuou.
— Até hoje eu não entendi muito bem o que aconteceu. — Me pronunciei. — O que houve exatamente com o papai?
— Eu apenas não me cuidei muito bem... — Meu pai repetiu a frase que sempre falava quando eu tocava no assunto.
— É sempre a mesma desculpa esfarrapada! — Minha mãe disse.
— Kyomi... — Meu pai disse o nome de sua esposa de forma melancólica.
— Você já tinha uma doença e a ignorou! Você apenas jogava até que ficasse completamente esgotado! Quantas vezes você já desmaiou em quadra, Shinsou? Se lembra de quantas vezes tive que largar meus treinos e ir correndo para o hospital atrás de você? Você pensou em todo o meu desespero em ver você morrendo aos poucos? Porque você não dormia, comia pouco, treinava toda hora e não tomava os seus remédios! E tudo isso resultou no agravamento de sua doença! E agora nós só temos mais alguns dias com você!
— Me desculpe... — Meu pai desviou o olhar para o chão.
— Não aguento mais acordar todos os dias com medo de chamar seu nome para que você acorde também... e você não me responder mais. — Minha mãe começa a chorar. — É um inferno ir trabalhar com o pensamento: "meu marido ainda estará vivo para me receber quando eu voltar para a casa?".
— Mamãe... — Eu me levanto da cadeira ao perceber que ela estava tendo uma crise de ansiedade.
— Eu não quero que aconteça o mesmo com Aiyumi. — Ela diz ao se apoiar na parede para que não caísse. — Por favor, se vocês dois forem em bora o que eu vou fazer...?
— Mamãe! — Eu corro até ela quando a mesma cai de joelhos no chão com a respiração pesada. — Eu prometo não ser imprudente, vou me cuidar em relação ao esporte que eu querer praticar. Fique tranquila, eu não irei sair de seu lado. Eu estou aqui, fique calma.
Eu passo meus braços pelo seu corpo num abraço afetuoso, ela também me abraça de volta com brusquidão e se agarra em mim como se nunca mais fosse soltar.
— Me desculpe por te tratar mal. — Ela diz em meio as lágrimas. — Eu pensei que se eu te afastasse o suficiente a ponto de me odiar, você não iria se preocupar comigo e minha melancolia após a morte de seu pai. Me desculpa, por favor, me desculpa.
— Está tudo bem, mamãe.
— Eu fui tão podre, mas você nunca me odiou e sempre esteve lá quando eu precisei. — Ela diz. — Eu não quero perder vocês dois...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Crows • [Haikyuu]
FanficMesmo sendo filha de jogadores de volêi, futebol sempre foi o esporte preferido de Aiyumi, mas após a notícia de que seu pai teria poucos meses de vida, ela resolve dar a ele a chance de vê-la jogar uma vez. Porém ela acaba sendo recusada no time de...
![Crows • [Haikyuu]](https://img.wattpad.com/cover/236398863-64-k432614.jpg)