Quarenta E Dois

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Senti me chacoalharem uma vez, duas vezes, na terceira eu abri meus olhos pronta pra xingar o filho da mãe que ousava atrapalhar meu sono, mas então o rosto de Noah surgiu. Tão perto que prendi o ar em surpresa.

- Finalmente você acordou! Já tem meia hora que estou tentando lhe despertar. - Falou calmamente enquanto se afastava.

Não me lembro quando exatamente eu dormi ontem, fiquei um bom tempo pensando nas palavras de Noah quando fingi estar dormindo, não parei de encarar o anel que foi colocado no meu dedo e tentei de todas as formas interligar uma frase com outra, mas tudo que eu conseguia era um nó cego bem apertado na minha cabeça.

Desviei meu olhar do dele quando percebi que o encarei demais.

- Que horas são? - Minha voz saiu falhada por conta do sono.

- Agora são duas horas da tarde. - Noah pôs uma bandeja em meu colo e logo após sorriu.

Arregalei os olhos e por pouco derrubo todo o café da manhã.

- Ei, ei, ei mocinha! - As palmas quentes de Noah apalparam meus ombros contra a cama para que eu não me levantasse. Sem perceber voltei a fita-lo, aos poucos me permiti repousar nos lençóis macios recebendo ondas de calor por onde seus dedos me alisava. - Você não deve se esforçar tanto ainda, está fraca e mal conseguiria ficar em pé por conta das dores.

Era diferente, ao mesmo tempo que estranho vê-lo preocupado comigo, a primeira impressão fria que Noah me dera era totalmente diferente do seus toques cuidadosos agora. Era como uma água que se torna vinho da noite para o dia.
E todos nos sabemos que ninguém muda drasticamente sem motivo, muda?!
Ao recobrar meus sentidos decidi que não iria ser fácil, não era com palavras dóceis e sorrisos calorosos que eu simplesmente esqueceria de tudo que passei desde o primeiro momento em que estive nessa casa. Oh Não! Eu não conseguiria apagar o quão pertubador foi ser torturada e chicoteada por aquele homens de sangue frio!

- Você poderia... sair? - Pedi olhando agora para o céu através da janela, ouvi um riso nasal vinda do homem em pé ao meu lado.

- Claro que eu poderia. - Uma de suas mãos tocaram meus dedos num carinho mínimo. - Mas posso ficar aqui por apenas mais 2 minutinhos? É que faz tanto tempo e-

- Por favor Urrea. - Dessa vez usei um tom mais firme, fazendo-o calar-se antes de terminar sua frase.

Sem insistir, Noah acatou meu pedido e saiu silenciosamente do quarto.
Estava cada vez mais difícil de ententer o ponto chave que explicam todas essas mudanças no clímax da história. E ainda existia a aparição inesperada de Sina, "ela não está morta!" eu pensei ontém aliviada, mas hoje o meu pensamento se baseia em uma única pergunta; Porque ela me encurralou e me deixou aqui? Sofri tanto injustamente por causa dela? O que eu não sabia sobre mim mesma que ocasionou essa confusão?

Acsa, Acsa, Acsa...

Quem diabos era essa maldita mulher que citavam em tudo como uma verdadeiro protagonista de um drama de mistério, ela era a verdadeira culpada do meu sofrimento? Céus!
Eu vou enlouquecer nesse ritmo!

.

Após passar o restante da tarde inteira em meus pensamentos mais profundos e reflexões sobre a reviravolta da minha vida, a porta se abriu revelando a figura de Rosa trazendo consigo uma tigela branca porcelanata.

- Olá Any, como está se sentindo? - Cuidadosamente ela repousou a sopa que antes segurava consigo, em minhas mãos. - Eu fiquei sabendo do que aconteceu, sinto muito por tudo isso pequena.

Os labios de Rosa vieram de encontro com meus cabelos, deixando ali um selar singelo antes de sorrir e afagar meu ombro.

- Fiquei preocupada com você...

- Obrigada por se importar Rosa. - Lhe enviei um olhar significativo. - hummm, como sabe que não gosto de cenoura? - Perguntei assim que provei a primeira colherada da sopa.

- Ah! - Sorriu mínimo - O Sr. Noah me disse para não colocar, ele me disse que você não gostava.

Parei por um momento, tentei recobrar a memoria de quando exatamente eu havia deixado escapar que não sou fã desse vegetal. Não me recordo de ninguém além de Sina que saiba...

- Entendi. - Foi a única coisa que disse e voltei a comer a sopa.

- Estou feliz que você está de volta, embora não possa voltar pra casa, sinto que em breve as coisas se tornarão melhores. Continue forte Any! - Rosa se levantou intensionada a sair do cômodo.

- Rosa... - A chamei e ela se virou calma como uma das sombrancelhas alta, a espera da minha continuação.

- Sim?

- O que há de novo para as coisas melhorarem? - Meus olhos cravaram diretamente nos de Rosa.

- Segredos. - Disse simplista.

- Segredos? - Inconscientemente fiz uma careta por não ter compreendido.

- Sim, segredos antigos vieram a tona e com isso o Sr. Noah se tornou vulnerável... - Fez uma pausa antes de prosseguir. - Por favor Any, seja inteligente e use isso ao seu favor, descarte as perguntas que existirem sobre a vida passada de Noah. Foque apenas na do seus ancestrais, e então terá a resposta para todas as outras coisas a qual está curiosa. - Ao terminar se retirou sem esperar respostas.

Novamente meu olhar se tornou vago.
Novamente alguém me dirigiu uma dica em códigos.
Se eu fizer o que Rosa me aconselha poderei finalmente ir embora? De uma vez por todas?

Wrong Target-NoanyOnde histórias criam vida. Descubra agora