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13 de Setembro de 2016. – Etéria, Província de Ontário, CA.

Adora POV

Bip... Bip... Bip...

Quando foi que meu despertador ficou tão irritante?

Bip...Bip...Bip...

Por que meu braço está ardendo?

Bip...Bip...Bip...

— Mas que merda!

Quase grito, agarrando a primeira coisa que minhas mãos alcançam para não cair da cama tentando desligar o suposto despertador. As luzes brancas me cegam momentaneamente, e a pontada na cabeça fazia parecer que tinha passado a noite bebendo litros de álcool, antes fosse. Volto a deitar no leito de hospital, percebendo minha irmã adormecida numa cadeira ao meu lado direito, e a agulha que leva o soro até minhas veias; então isso era a ardência estranha. Fecho os olhos outra vez, finalmente me dando conta de algo: eu lembrei!

Do meu passado, minha infância, dela...

— Queridinha! — sobressalto assustada com a voz estridente repentina. — Vejo que acordou do sono de beleza. — estava tão perdida em pensamentos que mal notei quando Madame Rizzo entrou no quarto. — Foi um tombo e tanto!

— É, acho que sim... — murmurei tentando organizar a mente, ela estava de costas mexendo na bolsa de palha que vive carregando por aí. — Ainda está tudo meio bagunçado na minha cabeça.

— Aqui querida, Madame Rizzo trouxe seus preferidos! — colocou uma bandeja em meu colo. —Torta de morango, e café forte sem açúcar. — tenho certeza que meus olhos brilharam, realmente poderia comer aquela torta pelo resto da vida.

— Rizzo, eu não sei o que faria sem você! — dei um beijo rápido na bochecha da velhinha, não tardando em enfiar quase metade do doce na boca. Eu já disse que isso é incrível?

— Agora sei quem está deixando essa pentelha mimada. — desviei o olhar para a cadeira verde. — Cochilo por uns minutos e Madame já traz café da manhã na cama pra ela! — Mara tinha o rosto amassado pelo sono recente, em sua boca aquele sorriso idiota de quando quer implicar comigo, e olhos carregando o mesmo brilho carinhoso e preocupado de sempre.

— O nome disso é ciúme, só porque eu, obviamente, sou a preferida. — provoquei, em seguida sorvendo um pouco do líquido preto levemente amargo para quebrar o sabor adocicado; não tem combinação melhor.

— Vai ter que aprender a fazer muita torta até se tornar a preferida, topetuda. — fuzilei-a com o olhar pelo apelido, o que não surtiu o efeito esperado graças a minha boca cheia de massa e suja de geleia de morango.

— Queridinhas, não briguem, trouxe para as duas. — Rizzo interviu, indo em direção à minha irmã com um prato de muffins de blueberry, seus preferidos. — E para a informação de vocês, gosto mais do Vassourito, ele não bagunça minha casa como as mocinhas. — falou antes de sair do quarto, deixando eu e Mara sozinhas.

— É, fomos trocadas pelo amigo imaginário. — comentei capturando a última colherada de torta do prato, um tanto triste por já ter acabado.

— Ainda tenho esperança que um dia vamos encontrar o Vassourito andando pela casa. — quase engasguei com o café quente rindo do comentário idiota, levando Mara a fazer o mesmo. — Hm... Então, vai me contar o que houve ontem? — a pergunta veio assim que nossas risadas cessaram.

Suspirei pesado, deixando os ombros caírem. Não é como se pudéssemos simplesmente ignorar meu desmaio, mas confesso que gostaria.

— Acho que nem eu sei direito, foi muito rápido. — tento organizar os acontecimentos em minha mente. — Ganhei a luta, estava comemorando, — encarando um ponto fixo do quarto exageradamente branco, aos poucos conseguia reviver as cenas do dia anterior. — e depois lembrei de tudo, mas acho que foi demais pro meu cérebro e acabei desmaiando.

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