De tudo o que a vida poderia me oferecer, a cidade onde morava era o maior presente; Paris era simplesmente fantástica, e às vezes eu me flagrava admirando detalhes esquecidos nas vielas mais antigas.
A beleza nascia em cada miudeza, mas era o esplendor do conjunto que me fascinava. Não sabia por que estava tão feliz naquele final de tarde, apenas me sentia bem, disposto, e precisava sair de casa.
Sozinho na rua, sorri. Eu precisava desesperadamente sair de casa. Acontece que eu estava com o cartão de crédito bloqueado por causa de uma punição de meus pais. Sem dinheiro, fui para o único local onde eu poderia me divertir de graça.
Atravessei o rio Sena por uma de suas pontes seculares e segui na direção do Le Grand Paris, o hotel onde morava minha melhor amiga. Chloé Bourgeois era quase uma irmã, para falar a verdade. Nos conhecemos desde sempre, desde antes de a gente aprender a falar, por causa da amizade entre nossas mães.
— Bom dia, senhor Agreste — cumprimentou o porteiro do hotel, abrindo a porta gentilmente.
— Como estão as crianças? — perguntei.
— Estão bem, obrigado.
— E me chame de Adrien, eu imploro. Senhor Agreste é o meu pai. Você faz eu me sentir velho que nem ele...
Ouvi sua gargalhada mesmo após a porta de vidro se fechar às minhas costas. O saguão luxuoso era convidativo, mas logo caminhei adiante.
Conhecia aquele lugar como a palma da minha mão; havia decorado todas as cores e curvas que existiam ali. Sabia até mesmo a ordem dos vasos de flores e repararia se os trocassem de lugar.
Em outras palavras, tudo me era familiar e eu caminhava distraído, mas não desatento o bastante para não notá-la. Seria impossível não notá-la: uma garota passou por mim enquanto arrumava sua franja lisa com os dedos delicados. Céus, ela era linda.
Respirei fundo quando nos cruzamos (de modo disfarçado, é claro). A essência que descobri despertou novos sentidos. Era floral e também um pouco doce, com uma nota cítrica no final.
Eu não tinha o costume de cheirar moças desconhecidas feito um maníaco. Só que realmente senti algo tão único aflorar dentro de mim quando a vi que até questionei se a garota era mesmo real. Talvez fosse um anjo; um deliciosamente perfumado.
A dúvida obrigou meus pés a cessarem a caminhada. Imediatamente virei o rosto para o lado e vi o motivo de meu devaneio continuamente se afastar atrás de mim.
Ela sequer me notou.
Retomei os passos e entrei no largo corredor onde ficava o conjunto de elevadores. Acho que nunca mais a veria... e lamentei o pensamento.
***♡***
O quarto da Chloé era tão extenso quando o meu na mansão Agreste, exceto pelo pé direito menor. Estava jogando no videogame, sentado na beirada da cama, e senti a loira fuzilando minha nuca com o olhar.
— O que foi? — perguntei, olhando para o lado.
A garota estava numa pose de meditação, sentada num pequeno tapete de ginástica sobre o piso, e deu um longo suspiro antes de responder.
— Você tá atrapalhando meu feng shui.
— Não é yoga? — indaguei, pausando o jogo.
— É yoga. Feng shui é você destruindo a harmonia do meu quarto. Você praticamente já faz parte da decoração.
— Só tô aqui há cinco minutos.
— Você vem todos os dias, Adrienzinho. — A voz, apesar de irritada, tinha um tom divertido.
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Passion Fruit
FanfictionQue mal haveria em ficar de castigo logo no início das férias de verão...? Bem, era terrível. E a pior parte era viver sem meu cartão de crédito. Então fiz a única coisa que estava ao meu alcance: arrumei um emprego. Acontece que não era tão ruim as...
