Capítulo 3: Paraíso

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As horas seguintes voaram e quando dei por mim o coquetel já estava na metade. Não fazia ideia do motivo da comemoração (se é que fosse uma), apenas notei que a maioria dos convidados eram homens de terno. Talvez fosse algum evento corporativo.

Senti uma mão segurar meu braço para chamar minha atenção. Levei o maior susto, sequer notei que alguém se aproximava.

— O que você está fazendo? — Ouvi um sussurro próximo ao meu ouvido em tom severo.

Era Ladybug. (Pois é, ainda usava a máscara vermelha. Acho que ela ignorou meu flerte. Eu não me espantei, tinha sido loucura.)

— Fiz algo errado? — perguntei.

Ela arregalou os olhos de forma inquisitiva e eu soube de pronto que estava encrencado.

— É a primeira vez que você serve?

— Sim.

— Oh, meu Deus! — ela praguejou. — Você não disse que tinha experiência?

— Eu disse que tinha conhecimento.

Acho que ela perdeu o ar. E não foi de uma forma boa.

— Desculpa, não quis te enganar. Pensei que sabia o que fazer. Sei tudo sobre bebidas, só nunca servi outras pessoas.

(Ademais, já estive em vários ambientes refinados, não era exatamente uma novidade.)

— Tá. — Ela olhou ao redor de forma disfarçada, depois ajeitou o pequeno avental branco na cintura. Ou talvez tivesse apenas a intenção de limpar as palmas suadas.

— Você está sendo muito simpático, Cat Noir.

— Obrigado.

— Não foi um elogio.

Eu estava muito, muito confuso. E observar os olhos azuis de Marinette diante de mim, tão perto e imersos nos meus não me ajudava a manter a razão.

— Só... Só tente ser mais discreto — ela instruiu com receio. — Você não está aqui para fazer amigos. Use sua visão periférica e abaixe mais a cabeça quando for conveniente. Você sorri demais e está sempre com o queixo muito erguido. Se não fosse pela roupa e a máscara, até eu... Até eu poderia te confundir com um deles.

— Com um deles? — indaguei.

Ela segurou com mais força no meu braço a fim de se apoiar, e percebi que ficou mais alta ao se erguer nas pontas dos pés. Senti a respiração dela roçar em meu pescoço.

— Ricos, loirinho — sussurrou, mas não desfez a pose, apenas se afastou o suficiente para mirar meus olhos.

Senti que era eu quem precisava me segurar em alguma coisa, qualquer coisa, pois foi como perder o chão.

Estávamos lado a lado como Ladybug e Cat Noir, e nossos olhos se fixaram silenciosamente em cumplicidade pelo que pareceu uma vida inteira, mas de fato não havia se passado mais do que um mero segundo.

— Nós estamos aqui para servi-los, não esqueça — ela seguiu e eu assenti.

Aquilo me destruiu por dentro. Eu era um deles. E este foi o único pensamento que se cravou dolorosamente em mim, gerando um estigma na minha alma.

— Mantenha a postura refinada, mas levemente indiferente. — Ela sorriu de forma amável e, ao largar meu braço, o acariciou num gesto de encorajamento incrivelmente íntimo. — Você consegue.

Poderia suspirar se não estivesse me recuperando do baque.

Ainda aturdido, meus olhos seguiram os movimentos da jovem pelo salão movimentado. Foi quando entendi exatamente o que ela quis dizer. Marinette era ágil e eficiente, havia buscado uma bandeja com macarons para servir; os clientes mal a notavam e continuavam a conversar entre si.

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