Dormi até a hora do almoço. Ou melhor, minha mãe quis verificar se eu estava vivo. Acordei quando senti o colchão se afundar; ela se inclinava sobre mim para checar minha respiração.
— É domingo, mãe... — resmunguei, puxando o lençol para me cobrir.
Sequer mantive os olhos abertos. Tinha uma força sobrenatural pesando em minhas pálpebras.
Percebi que ela se sentou, depois começou a acariciar meus cabelos.
— O almoço já vai ser servido, você vem? Sabe que seu pai não gosta quando você perde uma refeição de domingo.
Tentei ignorar o que ela falou, mas eu sabia exatamente o que ela queria dizer. Nem sempre a gente conseguia se encontrar para almoçar ou jantar juntos, não nós três ao mesmo tempo.
Domingos eram praticamente sagrados para meu pai. Mesmo se a gente não tivesse nada relevante para falar, ele queria ver se eu estava bem, fazer parte da minha vida.
Era seu modo polido de me obrigar a conversar, mesmo que eu não estivesse muito a fim, o que acontecia com frequência, pois sempre tinha a sensação de que iria decepcioná-los se eu deixasse transparecer minha invariável frustração.
Eu não queria ser rotulado como o filho de um grande empresário, e era somente isto que eu enxergava quando olhava para meu pai. Eu precisava saber quem eu era, achar minhas próprias ambições e sonhos, meu lugar no mundo.
Acontece que nunca descobri minha verdadeira vocação, tinha vergonha de encarar meus pais e contar a verdade. Eles pareciam satisfeitos com minha escolha óbvia de carreira, acho que nem desconfiavam que era apenas a alternativa mais fácil.
Mamãe me observava de forma gentil, sem saber o que me afligia. Ela ainda aguardava uma resposta enquanto mexia nos meus cabelos.
— Eu só vou tomar um banho. — Afastei o lençol com os pés.
Então pousou um beijo no meu rosto.
— Eu te amo, querido.
— Também te amo, mãe.
***♡***
Mais tarde, quando verifiquei o celular, tinha uma coleção de mensagens desesperadas da Chloé. "Por favor me diz que eu não dormi em cima do Nathaniel", "Eu estava de boca aberta?", "Por que eu sou tão ridícula?"
"Você dormiu e ele tava te segurando como alguém que se importava. Você não é ridícula, só estava com sono." — respondi.
"Eu nem sei como aconteceu. Uma hora eu tava rindo de você jogando Twister, depois só lembro de ser acordada."
"Não acredito que você contou para ele sobre eu e a Marinette" — enviei.
"Eu não contei"
"O que você disse pra ele?"
"Foi algo tipo 'Vamos ficar aqui e rir deles caindo.' Eu tava meio bêbada, desculpa"
"Eu fiquei sozinho com a Marinette. Acredite, não estou reclamando. Eu me diverti muito"
"Eu vi. Alguma coisa eu vi antes de dormir em cima do Nath"
"Teve bons sonhos?"
Ela demorou a responder, então deixei o celular sobre a mesinha de madeira e bebi um gole do suco de laranja.
Na espreguiçadeira ao lado, mamãe passava protetor solar no corpo, mesmo que não pretendesse sair da sombra do guarda-sol. Tinha convencido eles durante o almoço a se juntarem a mim na piscina. Eu estava de muito bom humor. Acho que consegui contagiá-los.
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Passion Fruit
Fiksi PenggemarQue mal haveria em ficar de castigo logo no início das férias de verão...? Bem, era terrível. E a pior parte era viver sem meu cartão de crédito. Então fiz a única coisa que estava ao meu alcance: arrumei um emprego. Acontece que não era tão ruim as...
