Capítulo 6: Marinette.exe

604 68 462
                                        

A Confiserie Tom & Sabine não era grande, mas muito acolhedora: predominantemente branca com detalhes nas paredes em forma de pequenos losangos verde-claros, enormes espelhos com grossas molduras no mesmo tom de verde e algumas mesas em madeira estrategicamente espalhadas.

Conhecia o local por fora, assim como sua fama, mas de fato nunca havia entrado ali até aquele dia. Era um mundo de doces finos incríveis, além das tradicionais baguetes e croissants.

Após cumprimentar Nathaniel e Marinette, Luka caminhou na minha direção.

— E aí, novato? Fiquei sabendo que você veio parar aqui também.

Nós nos cumprimentamos num aperto de mão informal.

— Bom dia, Luka. Marinette me contou que você faz as entregas.

— Eu e minha bicicleta estamos às suas ordens. — Ele fez uma pequena reverência, curvando o tronco para frente e acomodando a mão no peito. É claro que ele não perderia a chance de zoar. — Se precisar de ajuda com alguma coisa, me fala. Eu entro e saio daqui o dia todo. E obrigado por cuidar dela ontem, viu?

— A honra foi minha.

O moreno, então, sorriu, deu dois tapinhas leves no meu braço e depois caminhou até o balcão; a senhora Cheng já o aguardava com algumas caixas empilhadas.

Observei Marinette rapidamente; ela se mantinha concentrada em suas tarefas, mas era bem diferente de quando a vi trabalhar ontem à noite, no hotel. Na padaria ela deixava transparecer a sua melhor parte: a sua aura feliz.

Permiti que aquela doce emoção me contagiasse e segui com minhas tarefas. Porém, para minha total surpresa, Chloé entrou na loja. Eu precisei olhar duas vezes para ter certeza.

Minha amiga usava grandes óculos escuros que cobriam boa parte do rosto, além das roupas mais casuais para seu hábito. Parecia que ela não queria ser reconhecida, mas decidi não implicar sobre isso... por enquanto.

— Ei, o que está fazendo aqui? — perguntei, animado. Estava feliz em vê-la.

A loira abaixou os óculos somente um pouco para me olhar por cima deles.

— O que você está fazendo aqui.

— Trabalhando, Chloé querida. Foi você mesma quem me sugeriu.

— Não era... aqui.

— Acontece que estavam precisando de uma ajuda aqui também.

— E você não ia me contar? — perguntou em baixo tom.

— Me perdoa, Chloé. Queria te falar pessoalmente, não esperava te encontrar aqui de manhã. Sério, tenho muita coisa pra te contar. Eu passo lá no hotel assim que eu sair, só vou trabalhar de manhã.

— Tá, pode ser — ela sussurrou, ajeitando os cabelos loiros sobre uma das laterais do rosto, escondendo parcialmente a face.

— Mesa pra quantos?

Chloé arrumou a postura.

— Não, eu... eu só vim comprar uma coisa e... e já vou embora. — Ela mexeu no cabelo outra vez.

Ela disfarçou? Caramba, Chloé estava disfarçando. Ela nunca disfarçava.

— Por que não fica hoje... e deixa uma boa gorjeta pro atendente? — Pisquei.

— Você é ridículo. — Poderia jurar que ela revirou os olhos, mas ainda usava os enormes óculos escuros.

Eu sorri e, por puro reflexo, movi o rosto de repente para o lado. Então reparei que Marinette nos encarava. Ela não parecia brava, apenas... surpresa? Ela desviou o olhar e seguiu para trás do balcão.

Passion FruitHistórias para pegar e não largar. Descubra agora