Assim que terminei de ajeitar o que Marinette me pediu, segui para a cozinha e fucei nas gavetas para conhecer o "arsenal" à disposição e poupar tempo no futuro. Graças aos céus Tom Dupain era um confeiteiro organizado.
Achei um nicho na parede com inúmeros livros e comecei a ler as lombadas. Marinette surgiu ao meu lado. Olhei rapidamente para ela, que terminava de amarrar o avental nas costas.
— Me diz que seu pai tem outro livro de pão artesanal...
O único exemplar estava escrito em chinês. Puxei o objeto para analisar melhor a capa.
— Você sabe chinês? — ela perguntou.
— Não o suficiente para seguir uma receita. Eu não confiaria, seria um desastre.
Ela me olhou numa mistura de espanto e admiração.
— Nem eu sei direito, e minha mãe é chinesa. Ela ganhou esse livro de um tio dela. — Ela tirou o item de minhas mãos e o colocou de volta no lugar original. Em seguida, puxou uma caderneta brochura de capa azul. — Aqui tem tudo o que a gente precisa.
Marinette o folheou e rapidamente encontrou uma receita de massa choux*. Todas as páginas estavam escritas à mão e tinham anotações extras ao longo das margens.
— Pode dobrar a quantidade que tá aqui. Ah, você precisa de uma touca. Vou te emprestar uma das minhas.
— Por favor, não me diga que... — Parei de falar quando ela retirou o item da gaveta. — Claro que tinha que ser cor-de-rosa.
Eu a encarei com falso aborrecimento e ela mordeu os lábios para não rir.
— Eu tenho algumas descartáveis — ela ofereceu.
— Minha masculinidade não é tão frágil. E eu fico bem de rosa. Pelo menos é o que a minha mãe diz.
Desta vez ela não disfarçou o sorriso, mas logo virou o rosto para o lado e mirou o armário abaixo da bancada.
— Você é muito mimado, Adrien.
Logo em seguida ela alcançou a mesma gaveta e buscou uma touca branca descartável. Depois, posicionou o item nas mãos e fez menção de colocar em mim, então me inclinei para baixo.
Fixei meus olhos nela conforme Marinette terminava de ajeitar minha franja para dentro do tecido fino; ela estava com o cabelo preso em maria-chiquinha. Também reparei que seus lábios estavam com um tom discreto de batom vermelho.
— Eu já volto pra te ajudar, vou ficar lá na frente até o Luka aparecer.
Consenti.
De fato, ela não demorou muito a retornar. Eu já havia conversado brevemente com a senhora Cheng. Ela me agradeceu pela ajuda e parecia até emocionada. Me chamou de anjo e tudo.
Ajudei Marinette a decidir a ordem das receitas que faríamos, mas era ela quem coordenava quem iria fazer o quê. Lá para o meio da manhã, terminei o creme pâtissière* e apanhei um pouco numa colher. Então assoprei e ofereci a ela:
— Aqui, prova.
Ela também assoprou e tomou a colher com a boca, puxando o creme com os lábios. Eu não deveria ter achado aquilo tão sexy, mas ela fechou os olhos e gemeu. Fiquei imóvel diante dela, segurando a colher lambida e sem saber como reagir. Então ela abriu os olhos.
— Minha nossa, eu tenho que ter cuidado com você. Se meu pai souber o quanto você é bom, vai querer roubar você de mim.
Ela sorriu com tanta naturalidade que eu não consegui evitar o flerte.
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Passion Fruit
FanfictionQue mal haveria em ficar de castigo logo no início das férias de verão...? Bem, era terrível. E a pior parte era viver sem meu cartão de crédito. Então fiz a única coisa que estava ao meu alcance: arrumei um emprego. Acontece que não era tão ruim as...
