Capítulo 10: Suavemente

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Eu ainda estava perdido em devaneios quando Luka se pronunciou.

— O pessoal tá todo lá em cima. — Ele indicou com a cabeça a escada de onde Nathaniel viera. — Daqui a pouco eu subo, só vou ajudar aqui rapidinho.

Então fomos os quatro para lá. Após subir os degraus, passamos ao lado da pequena cabine onde ficava o timão (dava para ver pela extensa janela de vidro). Logo atrás havia uma área livre com um banco único de madeira; ele seguia o contorno retangular do casco da embarcação, formando uma espécie de U invertido. Havia umas oito pessoas desconhecidas ali. Avistei Jess a afinar um violão à minha esquerda.

Marinette apresentou nossos nomes para seus amigos de forma bastante informal. Eu apenas os cumprimentei de longe. Chloé fez o mesmo. Nathaniel aproveitou para recolher minha sacola e guardar os itens por mim; deve ter percebido que eu estava meio perdido.

Assim que ele virou de costas, Marinette agarrou minha mão.

— Senta aqui comigo! — ela disse. No instante seguinte ela já me puxava para a frente, me obrigando a caminhar para onde ela seguia.

Espero que eu não tenha arregalado os olhos na frente de todo mundo. Não tenho certeza como reagi, foi tudo muito, muito rápido.

Sentamos. Ainda assimilava o que estava acontecendo quando ela se inclinou sobre mim, segurando meu braço com força, próximo ao ombro, e sussurrou no meu ouvido, fazendo minha pele se arrepiar de súbito.

— Desculpa ter te puxado assim, Adrien. — Fez uma pausa. — Deu certo?

Meus lábios quase repousavam na curva do pescoço dela e seu cheiro me invadiu por completo, causando uma embriaguez nos meus sentidos.

— O quê? — perguntei e fechei os olhos por um tempo. Aquela proximidade era perigosa demais e eu estava prestes a cometer uma loucura.

— O plano.

— O plano... — balbuciei sem entender nada. Sua respiração provocava minha pele. E a voz... céus, a sensualidade daquela voz penetrava no meu ser com imenso ardor romântico. Minha alma já não cabia mais em mim.

Ela se afastou somente um pouco para me observar diretamente.

— Nossa operação secreta! — sussurrou entre dentes e moveu os olhos para a esquerda, sem virar o rosto, e aguardou minha reação.

Estávamos na parte central do banco, na traseira do navio. Então olhei para onde ela indicou e entendi tudo: Chloé e Nathaniel se sentaram lado a lado no último espaço livre que era grande o suficiente para duas pessoas.

Nathaniel era alto demais para o banco, mas estava confortável numa pose despojada, com o tornozelo apoiado na perna oposta. Chloé mantinha os joelhos unidos, com as mãos repousadas no colo feito uma donzela. Eu não sabia se comemorava ou sentia vergonha alheia.

— E aí? — Marinette quis saber.

— Você parece mais nervosa que ela — brinquei.

Marinette ajeitou a postura.

— E-eu... s-só...

— Tava implicando, Mari. — Logo corrigi ao perceber seu embaraço. Segui com a voz baixa. — Estão do lado um do outro.

— E...

Olhei para seus lábios entreabertos e segurei o desejo de me aproximar.

— Nada. Por enquanto. Ela ainda tá meio tensa, daqui a pouco relaxa, aí ninguém mais vai conseguir fazer ela parar de falar.

Mari sorriu e olhou para frente.

— Você foi rápida. E inteligente. — Não resisti em fazer um elogio.

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