Capítulo 9: Vermelho-alaranjado

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Marinette havia trocado a camisetinha e o jeans pelo uniforme: uma camisa preta com gola branca e saia cor-de-rosa. O cabelo estava preso num coque que deixava o rosto mais alongado e distinto. A camisa a destacava dos demais garçons, uma vez que todos nós usávamos peças brancas.

Chefinha... Ah, aquela era chefinha e ela estava de volta. Marinette era graciosa todos os dias, mas havia uma mudança perceptível em seu comportamento assim que colocava a máscara de joaninha. Ela ia além, se tornava uma garota mais confiante, até mesmo os passos eram mais firmes.

Sentia uma ponta de inveja ao observar sua firmeza e porte refinado. Acho que eu deveria fazer o mesmo e incorporar meu lado mais sisudo, se é que eu tinha um. Foi difícil não extravasar meu bom humor depois dos momentos que passamos juntos na estação de metrô; minha pele ainda guardava a sensação inebriante dos dedos dela debaixo dos meus.

Aproveitei um momento ocioso para me aproximar; o coquetel ainda não tinha começado. Era um salão não muito grande num prédio comercial. Entreguei a máscara de gato preto a ela, pedindo silenciosamente por ajuda. Claro que era só um pretexto para conversamos (além de agradar meu próprio coração).

— Conseguiu comentar com o Luka do luau? — sussurrei e virei de costas.

— Ainda não, assim que der eu pergunto, não posso parecer muito interessada ou ele vai suspeitar. — Ela terminou de amarrar e me cutucou no ombro.

Virei de frente. Seus olhos azuis passearam nos meus e ela elevou as mãos para ajeitar melhor o item no meu rosto. Sem querer, as pontas dos dedos dela sutilmente me tocaram feito carícia e eu estremeci internamente. Fiz um esforço gigantesco para não fechar os olhos e ceder ao afago ou virar a cabeça para o lado e pousar um beijo naqueles dedos delicados.

Logo depois, chefinha arrumou minha gravata borboleta e a gola. Mesmo com o rosto coberto pelo disfarce, dava para perceber seu semblante de incógnita. Senti que ela não apenas ajeitava minha camisa, ela estava... tateando o tecido?

— Tá sujo? — perguntei.

— Não, é que... parece algodão egípcio.

Prendi a respiração. Era algodão egípcio, e uma camisa daquela não era exatamente barata.

— Você conhece? — desconversei.

— Eu estudo moda. — Ela retirou a mão de cima de mim. Então percebi que Luka e Jess se aproximavam.

O moreno estava com a máscara verde que imitava pele de cobra e Jess usava a de pássaro (parecia muito uma águia, não sei por que ele a chamava de pardal).

— Alguém quer ganhar elogio da chefinha... Ai! — Luka pronunciou e logo recebeu da namorada um leve tapa na parte de trás da cabeça.

— Não chama ela assim — Jess lhe advertiu.

— Era um elogio! — Luka tentou corrigir. Então se virou para mim. — Nunca vi um vinco tão perfeito — disse ele, se referindo às minhas mangas.

— Tava guardada há muito tempo — desconversei outra vez. Achei que não era uma boa ideia dizer que tinha uma passadeira na mansão Agreste.

— Ei, Luka, eu tava falando pro Adrien das festas que você costuma dar. Faz tempo que não faz uma. — Marinette mudou de assunto e eu quis muito, muito beijá-la.

O moreno me olhou com breve desconfiança, como se buscasse confirmação ou algo a mais nas entrelinhas proferidas pela amiga, mas logo voltou ao jeito despojado:

— Tenho um show amanhã, não vai rolar, mas podemos marcar pra sábado que vem.

— Todo mundo folga no domingo — Jess me explicou. — As festinhas do Luka nunca terminam cedo.

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