Capítulo 18: Cada pedaço da minha alma

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Os convidados não olhavam mais para Marinette, já tinham entendido que o estrondo fora apenas a bandeja ao atingir o chão.

— Ela está bem? — meu pai perguntou para ninguém em especial.

Imediatamente saí do lado da minha mãe e corri para chegar até Marinette, me esquivando dos convidados, sem me importar com quem testemunhava meu desespero.

— Agradeço a presença de todos vocês, é uma honra para nossa família. Divirtam-se e fiquem à vontade — meu pai pronunciou com a voz alta e clara para encerrar habilmente o discurso.

Aplausos inundaram o salão, o que distraiu os presentes. Ninguém parecia me notar cruzando o espaço apressadamente.

Antes que eu chegasse até ela, porém, meu braço foi segurado com força, me impedindo de dar qualquer passo a mais, enquanto a outra mão do garçom erguia uma bandeja quase vazia.

Meus olhos se cruzaram com os de Luka, emoldurados pela máscara de cobra. Em silêncio, eu o desafiei a me impedir, tentando puxar meu braço, mas ele não era fácil de intimidar.

— Se você machucou a Marinette... — eu interrompi as palavras de Luka.

— Não é nada disso — pronunciei com firmeza.

A mão dele jazia apertada no meu braço; ele não estava convencido. Por sorte, ninguém ao nosso redor parecia notar nosso impasse, concentrados em cumprimentar meus pais.

— Eu a amo, Luka — continuei. Ele arregalou os olhos. — Não planejei essa situação, caso esteja se perguntando isso. Ela não sabia nada sobre a minha família, onde eu moro, mas isto não me transforma em nenhum monstro.

— Também não te transforma em nenhum príncipe — ele rebateu.

— Deixa eu tentar consertar — insisti. — Se depois você ainda quiser resolver isso de outro modo, eu vou ficar feliz em te oferecer a minha cara pra você socar.

Não sei se foram as palavras ou as lágrimas, mas ele me deixou partir.

Já não havia sinal dela na sala de jantar, então segui para a porta lateral que interligava com a cozinha.

Os funcionários da mansão se misturavam aos da equipe do buffet. Ignorei todos eles e rapidamente fui até a despensa. Ela também não estava lá. Então corri para fora da cozinha, indo ao exterior da mansão. A saída era voltada para os fundos do terreno.

Embora ainda estivesse longe do sol se pôr, nuvens densas cobriam todo o céu, diminuindo a claridade. Percebi que a música começara a tocar no salão; era uma composição animada, bem distante do que eu sentia naquele momento.

Marinette estava sentada nos degraus, com o corpo curvado para frente, escondendo o rosto nas mãos; o cabelo preso em coque era inconfundível. Meu coração estava em pedaços, mas não ousei sair do lugar, e me mantive no topo das escadas.

— Marinette... — eu a chamei o mais suave que pude.

Ela ergueu a cabeça, depois virou o rosto na minha direção. O céu pareceu desabar de uma só vez dentro do meu peito. Ela usava a máscara cor-de-rosa... a máscara de princesa.

Aguardei um tempo em silêncio antes de pronunciar novamente.

— Me escuta, por favor. Deixa eu explicar.

Marinette me encarou por um tempo curto, mas indubitavelmente doloroso. Então se levantou para descer os degraus até o jardim. Ao pisar na grama bem aparada, ela se manteve de costas para a escada, mas não fugiu.

Então decidi me aproximar, desci do patamar e fui até onde ela estava, mantendo uma distância respeitosa entre nós. A visão das flores talvez a acalmasse. Talvez me acalmasse também.

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