Capítulo 5: Ansioso

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Sentada em frente à penteadeira, Marinette brincava com o guarda-chuva de papel enquanto segurava o celular contra a orelha. Fez duas tentativas de ligação antes de desistir. Então digitou uma mensagem.

***♡***

Após atravessar a porta dupla para a suíte de meus pais, fingi um pigarro para chamar a atenção deles.

— Mãe... Pai.

Mamãe abaixou o livro de romance que tinha em mãos, depois o acomodou na mesinha ao lado e me encarou em curiosidade com seus olhos verdes. Diziam que os meus eram idênticos aos dela, assim como o tom loiro do cabelo.

Do meu pai, acho que só herdei a altura.

— Diga — pronunciou meu pai.

Ele me olhou rapidamente e depois voltou a digitar no laptop sobre o colo. Possuía os cabelos grisalhos finamente penteados; nem parecia que estava prestes a dormir. Este era Gabriel Agreste: sempre impecável. Confesso que admirava seu porte refinado, mas não o bastante para me tornar seu reflexo. Eu não queria ser a miniatura de meu pai.

Ambos estavam sentados no colchão e com as costas apoiadas na cabeceira acolchoada, um ao lado do outro (embora com um enorme espaço entre eles por causa do tamanho colossal daquela cama).

Ergui o queixo, mantive a postura ereta e os braços relaxados ao lado do corpo. Só eu sabia o quanto confiança era importante na hora de discutir um argumento com aqueles dois. Então arrisquei:

— Eu gostaria de rediscutir os termos do meu castigo. Tenho uma proposta para reconciliação que considero justa para ambas as partes.

Meu pai abaixou o rosto e me olhou por cima dos óculos de grau.

— Quais são os termos? — perguntou com uma sobriedade invejável.

— Não foi estipulada uma data para o término da minha punição.

— Você sabe por que, querido — ela comentou com sua voz angelical.

— Sei. Eu... — comecei a dizer quando fui interrompido pelo meu pai.

— Não vai ter cartão de crédito até que a gente decida o contrário. Esta é a única forma de você aprender o valor das coisas.

Ergui um dedo em triunfo.

— Não é a única forma — falei. — Eu poderia trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro.

Eles se entreolharam. Deixei que assimilassem a ideia por um momento. Continuei:

— Vou gastar apenas o que eu receber, esse vai ser meu limite. Nada de cartão de crédito até o fim do verão.

— E a televisão nova...? — meu pai indagou.

Aquele velho era uma raposa habilidosa. Claro que ele anteciparia meus passos.

— Esperava que vocês também me dessem permissão pra instalar a do meu banheiro no quarto. Não preciso de uma nova.

Olharam novamente um para o outro. Parecia que conversavam por telepatia. Eles sempre faziam isso. E era sempre assustador.

— Parece razoável — respondeu mamãe.

— Também vou retirar a cesta de basquete do quarto. — Tinha acabado de ter a ideia.

Meu pai consentiu ao menear a cabeça. Então estreitou o olhar.

— Terá que conseguir por meios próprios, não vou te dar um trabalho na empresa.

Foi impossível conter meu sorriso. Mordi o lábio inferior para disfarçar.

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