Capítulo 15: Olha pra mim

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Observei Marinette no restante da manhã de sexta-feira e também na seguinte. Apesar de estar — aparentemente — bem, reparei quando ela e Luka conversaram com uma discrição fora do comum. Pensei em perguntar o que houve, mas não tive oportunidade nem lampejo de coragem.

Então chegou a noite de sábado. Estávamos no apartamento da Jess, sentados lado a lado no sofá, nos espremendo entre desconhecidos; havia bem mais gente naquela festa do que no dia do luau.

Depois a gente acabou ficando a sós no sofá quando os demais se levantaram para dançar no espaço à nossa frente. No entanto, a gente sequer se moveu, mantendo a proximidade.

Marinette estava me falando dos seus amigos e da época da escola, qualquer lembrança aleatória que vinha à mente. E eu também compartilhei algumas das minhas memórias mais divertidas. Estranhei quando Chloé atravessou a sala, sozinha, na direção da varanda.

Marinette fez menção de levantar-se para ver se ela estava bem, mas eu a impedi.

— Ela precisa ficar sozinha de vez em quando pra pensar. Eu a conheço, pode confiar em mim — falei.

— Tá. Mas se ela demorar muito, a gente vai até lá.

— Combinado.

Não foi necessário. Algum tempo depois, o próprio Nathaniel estava indo ao encontro de Chloé, e eu e Marinette seguimos nossa conversa despretensiosa.

Com o quadril mais para baixo no assento, pude acomodar a cabeça confortavelmente no encosto, de modo que meus olhos ficaram na mesma altura dos dela.

— Você disse que ele era tímido. Ele não parece muito tímido agora — observei.

Do onde eu estava sentado no sofá, virado para Marinette, minha visão seguia diretamente para a varanda.

Ela olhou para trás, nada discreta, e depois se virou para mim completamente atônita.

— Eles estão se beijando? — Mari perguntou.

— Se ele abrir mais a boca, vai engolir a cabeça da Chloé.

— Adrien!

Eu ri sem reservas.

— Eles estão se beijando. — Fiz uma pausa. — Apaixonadamente.

Ficamos nos olhando por um tempo até que ela quebrou o silêncio:

— Acho que eles não precisam mais da nossa ajuda.

— Só precisaram de um empurrãozinho.

Ela ergueu o punho fechado para me cumprimentar.

— Zerou?

— Zerou. — Meu punho encontrou o dela e depois voltei a falar. — Seria mesmo um desperdício ignorar a noite de lua cheia.

— É... seria — ela pronunciou devagar.

Pela forma como ela me olhava, com a cabeça deitada no encosto do sofá e virada para mim, tive a impressão de que Marinette ainda refletia sobre o que eu disse. Ela mantinha os lábios fechados, formando uma intenção de sorriso que estava e ao mesmo tempo não estava ali.

— Você ainda tá olhando pra lá? — ela perguntou, baixinho, quando percebeu meus olhos se moverem na direção da varanda.

— Eles estão praticamente na minha frente, é impossível não olhar.

Só para implicar, ergui as sobrancelhas.

— Sério, Adrien, para com isso! Deixa eles!

Mal pude controlar o meu sorriso.

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