Observei Marinette no restante da manhã de sexta-feira e também na seguinte. Apesar de estar — aparentemente — bem, reparei quando ela e Luka conversaram com uma discrição fora do comum. Pensei em perguntar o que houve, mas não tive oportunidade nem lampejo de coragem.
Então chegou a noite de sábado. Estávamos no apartamento da Jess, sentados lado a lado no sofá, nos espremendo entre desconhecidos; havia bem mais gente naquela festa do que no dia do luau.
Depois a gente acabou ficando a sós no sofá quando os demais se levantaram para dançar no espaço à nossa frente. No entanto, a gente sequer se moveu, mantendo a proximidade.
Marinette estava me falando dos seus amigos e da época da escola, qualquer lembrança aleatória que vinha à mente. E eu também compartilhei algumas das minhas memórias mais divertidas. Estranhei quando Chloé atravessou a sala, sozinha, na direção da varanda.
Marinette fez menção de levantar-se para ver se ela estava bem, mas eu a impedi.
— Ela precisa ficar sozinha de vez em quando pra pensar. Eu a conheço, pode confiar em mim — falei.
— Tá. Mas se ela demorar muito, a gente vai até lá.
— Combinado.
Não foi necessário. Algum tempo depois, o próprio Nathaniel estava indo ao encontro de Chloé, e eu e Marinette seguimos nossa conversa despretensiosa.
Com o quadril mais para baixo no assento, pude acomodar a cabeça confortavelmente no encosto, de modo que meus olhos ficaram na mesma altura dos dela.
— Você disse que ele era tímido. Ele não parece muito tímido agora — observei.
Do onde eu estava sentado no sofá, virado para Marinette, minha visão seguia diretamente para a varanda.
Ela olhou para trás, nada discreta, e depois se virou para mim completamente atônita.
— Eles estão se beijando? — Mari perguntou.
— Se ele abrir mais a boca, vai engolir a cabeça da Chloé.
— Adrien!
Eu ri sem reservas.
— Eles estão se beijando. — Fiz uma pausa. — Apaixonadamente.
Ficamos nos olhando por um tempo até que ela quebrou o silêncio:
— Acho que eles não precisam mais da nossa ajuda.
— Só precisaram de um empurrãozinho.
Ela ergueu o punho fechado para me cumprimentar.
— Zerou?
— Zerou. — Meu punho encontrou o dela e depois voltei a falar. — Seria mesmo um desperdício ignorar a noite de lua cheia.
— É... seria — ela pronunciou devagar.
Pela forma como ela me olhava, com a cabeça deitada no encosto do sofá e virada para mim, tive a impressão de que Marinette ainda refletia sobre o que eu disse. Ela mantinha os lábios fechados, formando uma intenção de sorriso que estava e ao mesmo tempo não estava ali.
— Você ainda tá olhando pra lá? — ela perguntou, baixinho, quando percebeu meus olhos se moverem na direção da varanda.
— Eles estão praticamente na minha frente, é impossível não olhar.
Só para implicar, ergui as sobrancelhas.
— Sério, Adrien, para com isso! Deixa eles!
Mal pude controlar o meu sorriso.
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Passion Fruit
FanfictionQue mal haveria em ficar de castigo logo no início das férias de verão...? Bem, era terrível. E a pior parte era viver sem meu cartão de crédito. Então fiz a única coisa que estava ao meu alcance: arrumei um emprego. Acontece que não era tão ruim as...
