Capítulo 7: Vênus

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Após deixar a confeitaria, caminhei até o Le Grand Paris. Foi impossível não pensar em Marinette enquanto atravessava o saguão do hotel; foi onde a vi pela primeira vez.

Cheguei ao andar exclusivo da família Bourgeois e logo fui recepcionado pelo mordomo. Jean Pierre abriu a porta das acomodações de Chloé; ela já havia liberado minha entrada e me aguardava na passagem em arco entre a antessala e o quarto de dormir.

Ela ainda parecia a mesma Chloé divertida de sempre, mas o olhar estava difuso; algo realmente a incomodava. Tentei juntar com as pistas que havia recolhido no início daquele dia, só que nada fazia sentido.

— Chloé, querida... você está bem?

— Sim. Eu juro que não é nada preocupante.

Ela caminhou até a cama e se sentou.

— É só... vergonhoso. Você é o meu melhor amigo, Adrienzinho, mas é homem.

— Obrigado?

Ela sorriu.

— Chloé, é sério, não precisa me contar nada se não quiser.

— Eu já deveria ter te contado.

Ela deu dois tapinhas no colchão, me convidando a sentar também. Assim eu fiz. Ao mesmo tempo, ela alcançou o enorme urso amarelo sobre a cama para abraçar.

— Eu vou na confeitaria quase todos os dias — ela disse de uma só vez, como se me confessasse um delito. — Naquela confeitaria. Tinha um anúncio da vaga de sommelier no quadro de avisos ao lado do caixa. Foi assim que eu fiquei sabendo. A recepção aqui no hotel só me deu o estalo pra te sugerir o trabalho. Eu já sabia da vaga.

— Certo...

— Eu... eu faço isso só para ter a chance de encontrá-lo. Ele tinha postado uma foto que tirou lá... estava segurando uma xícara de café e dava pra ver o logotipo, aí eu reconheci o lugar, sempre foi uma das minhas confeitarias preferidas, é praticamente aqui do lado. Eu não tinha nada a perder indo até lá.

O canto da boca dela estremeceu quando seus olhos azuis me fitaram.

Não sabia ao certo se havia entendido o que pensei que tinha entendido.

— Ele? — indaguei.

Ela apertou o abraço ao redor do urso de pelúcia.

— Nathaniel Kurtzberg. Estou apaixonada por ele.

Oh, céus...

— Você não achou que eu estava viciada em doces, né? — ela seguiu.

Oh, céus!

— Ok, talvez eu seja um pouco viciada em macarons e... Adrien?

Minha nossa...

Ainda estava processando a informação quando algo me atingiu em cheio no rosto. Chloé me acertara com o urso amarelo.

— Sério, Chloé?

— Você ficou aí parado sem dizer nada — resmungou.

— Só estou um pouco surpreso, não sabia que você... Desde quando você gosta dele?

— Desde quando vi um quadro dele pela primeira vez.

— Você se apaixonou por um quadro?

— Eu não me apaixonei por... — Ela pausou a fala e balançou a cabeça, se recompondo. Com certeza me xingava em pensamento. — O quadro foi só o início de tudo. Foi como se a pintura me chamasse, entende? Não, ela me implorava pra olhar pra dentro de mim mesma. Senti meu corpo despertar em resposta, mas foi minha própria alma que foi tocada. Você deve achar que sou louca.

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