Capítulo 2: Gatinho

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Marinette me encarava com desconfiança.

— Eu...?! — ela indagou. Os olhos se semicerraram.

— Marinette... da Confeitaria Tom & Sabine — comentei em tom de pergunta.

Ela inclinou a cabela levemente para o lado.

— Sim, sou eu.

— Meu nome é Adrien. Fiquei sabendo da vaga de sommelier. Me disseram pra te procurar.

As expressões alheias se suavizaram, enfim. Ela havia percebido alguma coisa. O quê eu não sei. Nesse meio-tempo, Luka retornou e acomodou cerca de meia dúzia de caixas achatadas em cima da mesa.

— Já estacionei a bicicleta, chefinha — disse o moreno, se posicionando ao lado da garota. — Posso ajudar em algo mais? — ele perguntou a ela, mas olhando fixamente para mim.

— Ele veio pela vaga de sommelier — Marinette respondeu como se soubesse exatamente o que o rapaz pensava a meu respeito.

A expressão do moreno se tornou divertida.

— Nós estamos precisando de um... com urgência. E a Jess não vem hoje.

— A Jess não vem hoje?

— Ela só me avisou agora.

Marinette parecia surpresa. Então mudou o discurso, voltando-se para mim:

— Sabe ao menos segurar? — ela perguntou ao me entregar uma garrafa de espumante, outrora sobre a mesa.

O olhar dela me desafiava; precisava ganhá-la de vez, então esbanjei meu currículo:

— Também tenho conhecimentos em enologia e mixologia — respondi enquanto acomodava o polegar no fundo côncavo da garrafa e fingia verter o líquido numa taça imaginária.

Não gosto muito de me gabar, mas não poderia ter sido mais elegante.

— O cara é bom — Luka comentou enquanto Marinette me olhava boquiaberta.

Bendito seja o curso que fiz no verão passado.

A garota fingiu um pigarro e fechou a boca.

— Tem uma camisa extra? — perguntou a ele, que consentiu rapidamente. — Esta noite será um teste, mas você vai receber o pagamento na íntegra. O coquetel será de seis às oito. Quando terminarmos de arrumar o salão, te explico o resto. Alguma pergunta?

Devolvi o espumante para a mesa.

— Não, chefinha — respondi. (É, eu gostei do apelido. Ela poderia mandar em mim o quanto quisesse).

— Me chame de Ladybug. — Seu olhar me fuzilou. Não posso dizer que não gostei da intensidade.

Olhei para Luka ao meu lado. O malandro se esforçava para não cair na risada, então se pronunciou:

— Vou te mostrar o vestiário. Meu nome é Luka. — Ele estendeu a mão.

— Adrien — respondi, apertando a mão dele em cumprimento.

— Depois vocês pegam as máscaras — ela comentou.

Luka assentiu.

— Vem comigo.

Nós dois nos afastamos e ele me guiou até a pequena porta lateral.

— Qual é o lance com as máscaras? — perguntei enquanto caminhávamos pelo corredor interno.

— Ah, chefinha não te explicou? Todos trabalhamos de máscara. Sempre. É uma marca registrada do nosso buffet.

(Máscaras me lembravam bailes e minha mente logo imaginou como seria dançar com Marinette, ou melhor, Ladybug. Se eu quisesse mesmo manter o emprego, talvez fosse melhor eu parar de fantasiar com a encarregada.)

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