XXIV.

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Nora Willians.

Depois de toda a cena com Daniel no quarto, desci até a sala um pouco ofegante.

— Por que a demora? – mamãe me lançou um olhar bravo e eu engoli seco.

— Fui até o quarto de Katherine. – olhei para minha amiga que fez uma careta mas, logo, entendeu. — Fui ver alguns livros. – falei e me sentei novamente no sofá.

— Hum... – minha mãe disse, séria, e eu apenas sorri de lado. Katherine me olhou com os olhos arregalados e eu apenas dei de ombros. — Bem, Keri e Nicholas, preciso fazer um pedido a vocês. – todos os olhos voltaram-se para ela e eu fiz uma careta, sem entender nada. — Vai ter uma conferência do banco. Precisarei ir para New York por uma semana. Eu gostaria de saber se vocês poderiam cuidar de Nora nesses dias.

— Mas eu posso ficar sozinha! – rebati ao ver Daniel descendo pela escada.

— Oh, mais um habitante nessa casa. – o loiro brincou e se jogou no sofá.

— Claro! Será um prazer cuidar de Nora. Ela é tão querida por nós! – Nicholas falou e eu sorri fraco.

Meu estômago estava revirando. Ver Daniel, em minha frente, com aquele olhar de quem sabe o que iria acontecer nesses próximos dias, me deixou nervosa. Enquanto minha mãe, Keri e Nicholas acertavam os detalhes da minha estadia na casa deles, Daniel me encarava. Sua língua estava entre seus lábios e seu cabelo bagunçado. DESGRAÇADO!

Com licença. – uma moça falou e entrou na sala de estar. — O almoço está servido. – deu um sorriso fraco e saiu dali.

O almoço correu bem, sem nada muito interessante. Apenas conversas sobre escola, faculdade e tudo isso.

Quando estávamos comendo a sobremesa, o celular de minha mãe tocou.

— Com licença. – ela disse, sem jeito, e se levantou. Alguns minutos depois, ela retornou. — Tenho um problema...

Meus olhos se arregalaram e eu soltei a colher do pudim rapidamente.

— Está tudo bem? – Keri perguntou, preocupada.

— Eles adiantaram a conferência... Tenho que viajar essa noite.

— Oh! Espero que você faça boa viagem! – Keri se levantou. — Nora estará em boas mãos, eu te prometo.

— Posso te levar até o aeroporto! – Daniel falou, parecendo até educado.

— Não precisa! Eu e Keri vamos levá-la. – Nicholas disse sorrindo. — Mas, Daniel, você pode levar Nora para buscar as coisas dela mais tarde.

— Sim! Eu preciso ir agora pra casa e fazer as malas. – minha mãe disse e me olhou. — Se cuide meu amor. As chaves estarão aonde sempre ficam. Eu te amo. – ela me abraçou e eu retribuí o abraço.

— Ficarei bem, eu prometo. – falei, com um sorriso, e ela logo saiu, seguida de Keri e Nicholas.

Eles iriam junto com ela para casa e, depois, a levariam para o aeroporto. Quando ouvi a porta principal se fechando, Anna levantou-se da mesa.

— Vai ser uma semana interessante! – ela falou, rindo, e saiu da sala de jantar.

— Que horas você vai querer ir buscar suas coisas? – Daniel me perguntou. — Seria legal antes da chuva. – ele falou e olhou pela janela.

— Tem roupa pra você ficar hoje. – Katherine disse, me abraçando de lado. — Amanhã, depois da aula, vocês buscam.

— É... Pode ser. – concordei e sorri fraco.

— Tenham um bom final de tarde. – o loiro falou e saiu.

— Eu... – comecei a falar e Katherine colocou a mão na minha boca. Fiz uma careta, até porque não entendi nada. Fiquei em silêncio e observei ela ouvindo os passos de Daniel até que a porta se fechasse.

— Você vem comigo. – ela falou e saiu me puxando até uma porta enorme, que levava até a biblioteca da casa. — Vamos, o que rolou entre você e o Daniel? – Kath disse, fechando a porta.

— Que? – fiz uma expressão de desentendida. — Nada... – senti meu rosto corar.

— Nora Willians, me diga IMEDIATAMENTE o que aconteceu entre você e aquele loiro aguado! – Kath falou impaciente.

— A gente ficou. Uma vez na escola. – ela abriu a boca, com cara de surpresa. — E agora... No quarto dele... Ai. – fiz uma careta e balancei a cabeça. — Ele fez uma coisa comigo. Mas eu deixei.

— VOCÊ PERDEU SUA VIRGINDADE COM ELE? – Katherine gritou e eu coloquei a mão correndo na boca dela.

— NÃO! Meu Deus, você é doida. Ele só... Ai, não te interessa. – falei, envergonhada, e tirei a mão de sua boca.

— Você gosta dele? – ela me olhou séria.

— Não. Eu não tenho tempo pra gostar dele. Tenho muitos afazeres. – disse e abaixei a cabeça.

Não era como se aquilo fosse mentira. Eu realmente tinha muitos compromissos, coisas para fazer. Tinha a competição, precisava estudar e trabalhar. Daniel era minha última prioridade naquele momento.

— Você sabia que foi ele quem te mandou as flores, né? – Kath indagou e eu arregalei os olhos, realmente surpresa.

— Pensei que tinham sido presente de Zach... – resmunguei.

— Como você é burrote! – Kath me deu um tapinha no ombro.

— Eu nem o conheço há tanto tempo, Katherine. Como vou saber que ele está sendo sincero?

— Desde quando tempo define conexão? Acorde, Nora! O clima chega a ficar tenso quando vocês estão no mesmo lugar. – ela disse e eu ri fraco. — Você tem a chance aí. Faça a escolha certa.

Kath estava certa. A escolha era única e exclusivamente minha.

cold as ice ⌗ daniel seavey.Onde histórias criam vida. Descubra agora