21. O que é real

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O cenário de baixa luminosidade e uma névoa esbranquiçada que atrapalhava ainda mais a visão, já era algo comum para Jungkook nos últimos tempos. Inicialmente, se via perdido, olhando de um lado para outro, procurando por alguém que lhe pudesse ajudar.

A figura bizarra, com suas pernas que pareciam cobras e a cabeça de galo, era Abraxas. Uma entidade antiga, aprisionada em um pergaminho por séculos, até ser encontrada por Namjoon. Abraxas era o equilíbrio entre o bem e o mal, a luz e a escuridão. Mas ao ser libertado, seu poder se dividiu: o lado bom, a luz, foi para Namjoon, e o lado sombrio, o mal, para Jungkook.

Abraxas observava os dois jovens, curioso para ver como lidariam com seus poderes. Namjoon, com sua ambição e sede de poder, usava a luz para manipular e controlar, acreditando que seus fins justificavam os meios. Jungkook, outrora puro e inocente, era atormentado pela escuridão, lutando para não se render à maldade que o consumia.

Em seus sonhos, Jungkook buscava respostas. Ele queria entender por que Abraxas o escolheu, por que a escuridão o dominava. Abraxas, em sua sabedoria enigmática, apenas o observava, esperando que Jungkook encontrasse seu próprio caminho.

- Por que me escolheu? - perguntou Jungkook em seu sonho.

- Você me encontrou - respondeu Abraxas, sua voz ecoando como um sussurro ancestral. - Você me libertou. E agora, você deve decidir o que fazer com o poder que lhe dei.

- Mas por que a escuridão? - insistiu Jungkook. - Por que não a luz, como Namjoon?

- A luz e a escuridão são faces da mesma moeda - explicou Abraxas. - Uma não existe sem a outra. Você, Jungkook, é o equilíbrio. E cabe a você decidir qual lado prevalecerá.

Abraxas desapareceu, deixando Jungkook sozinho com suas dúvidas e medos. Ele sabia que o tempo estava se esgotando, e que logo teria que tomar uma decisão que mudaria seu destino e o destino do mundo bruxo.

Aos poucos, o ambiente foi ficando mais claro, e uma silhueta conhecida surgia no horizonte, com seus sedosos cabelos loiros e um sorriso de tirar o fôlego. Em sua mão, uma orquídea, tão linda quanto a pessoa que a carregava. Jungkook sorriu, só agora notando que carregava outras flores como aquela em sua próprias mãos.

- Jimin, eu te amo.

Foi o que disse, quando o garoto se aproximou o suficiente.

No entanto, o sorriso lindo e sincero do sonserino começou a se transformar em um frio e sarcástico. As flores em suas mãos se tornaram serpentes e, assustado, Jungkook as largou, vendo a figura do Park sumir novamente naquela névoa, tornando o lugar escuro outra vez.

Virou-se, tentando enxergar algo ou fugir, antes de enxergar outra coisa.

- Por que ainda me procuras nos sonhos? Ainda não entendeu seu poder?

A figura bizarra, da qual Jungkook podia ver apenas as sombras, com suas pernas que pareciam cobras e a cabeça de galo, sempre conversava consigo através de sonhos.

- O Namjoon é ruim? Por isso que o poder foi dividido entre nós?

- A palavra não seria ruim, ele é ambicioso. Mas sim, se ele tivesse a parte má de meu poder, ele provavelmente se renderia ao lado das trevas.

- E por que deu poder a ele? Mesmo que seja a parte boa?

- Ele encontrou o pergaminho, ele estudou o que deveria fazer, ele foi merecedor?

- O que eu devo fazer? Seguir ele e ajudá-lo a realizar seus planos? Ou ir contra?

- Você sabe a resposta para isso.

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