Seu despertar foi o som dos passarinhos cantando no alvorecer, deitado em uma superfície rígida. A cabeça latejava, quando se ergueu, a tontura fez as paredes girarem. Estava deitado sobre o chão de uma pequena gruta, fechou os olhos novamente. E dormiu inebriado por uma lacinante dor.
Quando acordou novamente estava melhor. A dor de cabeça se tornara um um leve incômodo de ora em ora. Verificou suas feridas, estavam limpas, as imagens da noite anterior vieram. A penumbra, os socos no estômago que explicavam as dores no abdômem. Com um toque do indicador percebeu que seu nariz limpo de sangue, estava inchado, qualquer toque era dor. Seu lábio inferior tinha um corte interno e externo, causado pelos socos e uma leve incoveniência dos seus dentes.
Saiu da gruta com os olhos semicerrados pelo sol. Subiu o declíve das rochas tentando se situar. As árvores eram diferentes, a mana local era distinta do que estava acostumado. O vento parecia mais forte e quando a vista se acostumou, percebeu que um lugar onde tinha pinheiros no lugar de moráceas, estonqueiras, Mangueiras e toda aquela diversidade por uma singularidade na flora, com certeza seus pés pisavam solo inédito.
Para completar os embaraços, um macaco pulou nos seus ombros. O susto quase o fez cair, mas a calma prevaleceu.
—Quem é você?
O macaco mostrou os dentes meio irritado.
—Obrigado por me ajudar.—Disse Jonas, acreditando ser um idiota dos grandes, daqueles que falam com Animais e pensam ser entendidos por uma espécie de intelecto inferior.—Me ajudaria se soubesse falar. Que lobos me mordam, como eu vim parar aqui? Me carregaste ?
Para sua surpresa o macaco assentiu, batendo no peito e gritando. Enfim, talvez tivessem alguma ligação ancestral.
Jonas desceu para a floresta de Pinheiros e seguiu o norte. Não sabia quantos dias se passaram. Olhou embasbacado para o macaco mostrando os dois dedos da mão pequenina. De repente ele sentiu fome, tanta fome que sua barriga começou a doer. Se ajoelhou no chão gemendo, com olhos lacrimejantes implorando ao macaco por comida, esse não fez esforço em procurá-la, estendeu a mão sobre o busto do rapaz, e a fome agonizante deu lugar a uma satisfação, como se durante a vida inteira tivesse tido uma alimentação regular, o equilíbrio entre tudo que o corpo precisa, das fibras as vitaminas, dos carboidratos as proteínas.
O macaco de rabo de fogo não era qualquer um. Jonas o analisou, os pelos amarelos e a ponta do rabo laranja eram normais. Os Olhos castanhos também não tinham diferença. Uns 30 centímetros de altura quando ficava em pé. Nada de incomum foi percebido, o que não o ajudou a encontrar sentido.
Jonas pesava 68 kg, e como um macaco que era leve como uma pluma, O carregaria até ali ?
Os mistérios o assutavam, não sendo um pensador nato, ignorou essas questões, talvez Matias tivesse razão, alguma espécie de bênção fora concedida. Lembrar do amigo o fez criar uma lista do que poderia fazer agora que tinha despertado.
Para isso, levantou-se e com o macaco no ombro e começou a subir, escalou um dos Pinheiros e aproveitou para comer um pinhão, demorou uns minutos para ter uma ideia de como tirava, mas no fim conseguiu com uma pequena demonstração do… Ele precisava de um nome. Não o podia chamar de macaco, salvou sua vida e por isso entrava em alguma categoria de amizade.
—Foguito?
Recebeu um tapa e uma negação com a cabeça.
—Incógnito ?
Novamente o tapa…
—Leilane? É uma flor mágica, Não lembro pra que serve.
A troca de gênero o fez pensar, correu os olhos curiosos pelo macaco. Era macho ou fêmea ? O macaco segurou suas bochechas e deu um beijo suave e rápido no lado direito.
—Certo, é uma fêmea então? Ou ainda estou errado ?
O macaco não se deu o trabalho de reagir.
Jonas ponderou por um instante, realmente não tinha visto nada comprido além do rabo. Dele ou dela, agora seria ela e para ela. Desceu do Pinheiro e voltou a andar, esperava encontrar uma Vila ao anoitecer, afim dr andar escondido nas sombras até o Jardim.
Encontrou o erro em seu plano, o Jardim provavelmente seria na Vila central, que ele não fazia muita ideia de onde era, lá encontraria árvores de outras regiões plantadas com uma preparação rigorosa do solo, usadas em eventuais comunicações externas. Porque a cultura daquele povo seria diferente? Já receberam um ataque antes, seriam burros em acreditar que não receberiam outro. Jonas voltou a caminhar para o norte.
Adentrou a floresta com medo de ser visto, agora que os perigos lhe vieram a tona, seu plano era mesmo bobo. Caminhou incansável até chegar a margem de um grande Rio, a corrente era Forte. Atravessá-lo incurtava o caminho até a Tribo Água. Mas ela provavelmente não conseguiria fazer a mesma proeza de nadar junto a ele.
Seus pensamentos o deixaram desligado, mal viu um urso se aproximar sorrateiramente dele.
Sobressaltado pela primeira bufada do animal, subiu na árvore mais próximas como um gato. A macaca desceu e subiu nas costas do urso.
—É seu amigo ?—Perguntou Jonas.
Ela assentiu dando uma cambalhota em cima das costas do Urso e gritando.
Jonas desceu hesitante. O Urso ficou em pé muito intimidador, os pelos de Jonas se arrepiaram achando que ia morrer, mas o imenso animal virou e entrou na água, colocando as patas da frente imersas, era uma carona. Depois de subir no dorso daquela bola de pelo amarronzada, que matava um homem do seu tamanho com uma só patada, foi levado a outra margem tranquilamente. Olhou para o urso que enfiou a boca no Rio e voltou com um peixe. Acenou para aquele animal agradecendo. Um Pouco de suor escorreu de sua têmpora. Definitivamente o mundo estava ficando louco.
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A Marca de um Rei
FantasyTempos depois da separação da pangeia, o mundo está dividido em partes desconhecidas, em um desses continentes uma revolução está acontecendo. Matias recebe um dom e parte para uma missão de formação de um único Reino. Por trás de toda a injustiça c...
