Uma duas horas antes do sol nascer, Jonas sonhava em sua Rede com uma garota coberta de folhas, algumas pequenas raízes saíam de suas pernas e braços, mas de alguma forma ele ainda achava muito bonita aquela moça que estava a se aproximar com passos sensuais. Ela se aproximou e o segurou pela nuca. O chão sumiu e despencaram até caírem em outra superfície. Jonas cambaleava ao tentar ficar em pé. A mulher foi até uma Flor e arrancou, mostrando-a para Jonas. Em seguida deu umas mordidas e mastigou. Jonas gritou para que ela parasse, em vez disso ela mastigou com mais vontade e engoliu.
—É venenosa—Exclamou Jonas com a visão ainda turva.
—O que é puro ou impuro, eu decido, você confia.
Logo depois Jonas despencou e abriu os olhos. Ainda estava na sua Rede, seguro e longe de perigos. O que ele não entendia era o sonho, o significado ainda não tinha sentido naquela sua cabeça. O frio que sentia congelava seu coração e arrepiava até os cabelos de sua bunda. Pendurado num galho curto acima de si, ele pegou a bolsa feita de folhas banhada em reforço flexível, lá dentro tinha poções que durante as viagens eles vinham acumulando para o caso de precisarem, escolheu a de visão noturna, e bebeu uns dois pequenos goles de energético. Desceu da estonqueira e decidiu vagar pela floresta, pegaria umas frutas e quem sabe uns ingredientes bons. E ele sabia que se por acaso batesse de frente com a flor que sonhou, levaria para que Matias a analisasse e explicasse o que significava o sonho que teve.
Caminhar pela floresta sozinho era prazeroso, a brisa congelante de certo modo o fazia querer voltar para a rede e se embrulhar, no entanto, ponderava que quanto antes saíssem, melhor seria. Apesar de sua terra ser praticamente inexplorada, sentia -se mais seguro lá do em qualquer outro lugar. Nada se comparava com aquele calor maldito, era como se aquela região tivesse um próprio sol.
Meu sol, ele pensava enquanto subia em uma árvore, somos mais próximos de você do que eles, renegados pela mãe, adotados pelo sol. Tu nos castiga diariamente, e nos faz mais forte do que qualquer um.
Depois de uma hora e meia subindo e descendo árvores, pegando frutos pequenos e ingredientes para fazer poções básicas, que na verdade era o que sustentava toda essa fuga deles. Resolveu por nenhum pensamento racional, voltar a estonqueira que estavam dormindo pela praia. Aliás, era o caminho mais rápido.
Em um arbusto ele percebeu uma cor familiar, um preto e vermelhos destacados,marcados por linhas verdes esmaecidas, as pétalas fechadas.
—Lobos me mordam— disse ele, estava muito excitado, sentia que poderia encontrá-la, mas não deixou de ficar estupefato por encontrar a maldita flor. Era tenebrosa.
Ainda naquele estado de loucura e êxtase, começou a correr para chegar mais rápido, ainda corria quando ouviu vozes a frente, Carregadas pelo vento, eram de uma quantidade maior de dois, e por aí foi dicernível que não eram amigos.
Estavam a uma distância considerável, ele não saberia dizer quão longe era, qualquer barulho naquele silêncio podia ser ouvido a distância, e esses não poupavam risadas fevorosas. Já era por do sol, a penumbra despreenchia a noite e o sol banhava a manhã com tintas de amarelo e laranja no horizonte.
Tratou de se apressar, correu mais veloz do que antes, e as vozes aumentavam conforme seguia para seu destino. Foi uma corrida dura, estava a bufar quando enfim chegou perto da estonqueira. Se as pernas de Jonas fossem tão rápidas quanto as de Matias, talvez desse tempo de salvar seus amigos, mas Quando faltou uns 40 metros, parou sua corrida e se escondeu atrás de uma árvore, as vozes agora tinham rostos de homens armados, e se tinha algo mais injusto do que lutar com um madereiro, era lutar contra 5. Sem abrir o bico nenhuma vez, acompanhou todo aquele espetáculo, um plano provavelmente indo por água abaixo depois de todo seu esforço. Não lhe restou outra opção senão seguir os guerreiros. Precisava saber pelo menos para onde seus amigos estavam sendo levados.
Sempre a espreita, Jonas ficou a 150 metros de distância, as vezes perdendo-os de vista, mas seguia as vozes e rastros sem dificuldades. As vegetações outrora eram muito fechadas, em outras, aparentando uma circulação maior de humanos, o caminho era feito e aparado por foices, Algumas pegadas de cavalos e de pés ficavam bem visíveis ali. Ele os acompanhou por todo o dia, até que escureceu, e finalmente se perguntou o quanto se desviariam da rota, e se perderiam mais de uma semana até chegarem em casa.
Aproveitou aquela escuridão e se ajoelhou diante de uma Morácia, com as palmas encostadas nela, fez uma oração em sussurros.
—Mãe natureza, peço sua bênção para me comunicar com um dos seus filhos, conceda-me uma dessas irmãs para que consiga falar com meu Tot.
Muito distante Dali, uma morácia se avivou, buracos se abriram e se inluminaram com uma cor laranja, pigmentada de uns vermelhos que subiam como faíscas. Algo muito parecido com olhos e boca se formou.
—Tem alguém aí?
Um guerreiro que cochilava no seu ponto se ergueu e esfregou os olhos.
—Matias? É você?
—Não, sou eu, Jonas, chame o Tot urgentemente.
Sem demora o sonolento guerreiro correu até a cabana onde Nivaldo se encontrava em cima da esposa, a visão outrora seria escandalosa e o deixaria boquiaberto e com os olhos vidrados naqueles seios que balançavam chamativos.
—Tot, Jonas está se comunicando.
O guerreiro também não tardou em se retirar para seu posto, desejar mulher do próximo não era crime, mas desejar a mulher do Tot, era como insinuar-se para a morte.
Depois de um minuto de volta ao Jardim, Nivaldo se aproximou com seu traje comum de dormir, roupas surradas e marrons, era a única cor viável ali, até o vermelho tingido estava em árvores que não aceitávam aquele solo.
—Tudo bem com vocês aí?
–Não, Tot, Matias e Noemi foram levados, ainda sigo eles por uma distância segura, Mas estamos nos afastando cada vez mais da costa, acho que estamos indo para a Vila central, se chegarem lá, não tenho certeza que conseguiremos sair.
— a quantos dias de caminhada até aqui?
— Especulo uns 20, mas agora creio que nunca, a menos que eu consiga reforço.
Erik ponderou, estalou os dedos quando surgiu uma ideia que julgava ser tão conveniente quanto possível.
—Não se apresse, hora de brincar com fogo, vamos juntar o útil ao desagradável, transformar crise em oportunidade.
—Do que estás falando? Eu não entendo.
—Apenas os siga, quando chegarem na Vila, destrua a biblioteca com fogo, isso fará com que desloquem a atenção para um único ponto. Pelo lado cego deles, liberte Noemi e Matias e se joguem no Rio, lá estarão esperando por vocês. Não importa o que fique para trás, traga meu filho custe o que custar. Se estiverem feridos, não parem até estarem no Rio, lá estarão a salvo.
—Mas fugir de madereiros é como fugir de um lobo, é quase impossível se estiverem em maior quantidade.
—Certifique-se que Matias chegará ao Rio, e a guerra ainda estará favorável para nós.
—Como desejar, Tot.
—Outra coisa, não demore muito, faça tudo no mesmo dia que chegarem, tenho informações que A tribo Flores atravessou a fronteira. Pode haver a possibilidade de se encontrarem se o atraso for grande.
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A Marca de um Rei
ФэнтезиTempos depois da separação da pangeia, o mundo está dividido em partes desconhecidas, em um desses continentes uma revolução está acontecendo. Matias recebe um dom e parte para uma missão de formação de um único Reino. Por trás de toda a injustiça c...
