Lullaby

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Lullaby

E aumente isso no rádio

Se você pode me ouvir agora

Eu estou te alcançando

Para que saiba que você não está sozinha

E se você não pode falar

Eu estou muito assustado

Porque eu não estou conseguindo te falar pelo telefone

Harry Pov

– Harry, pelo amor, eu não estou pedindo nada absurdo!

– Gina, você tem que entender! Eu não posso me dar ao luxo de sair do país para ver um jogo!

– É a copa de quadribol, Harry! A sua namorada vai jogar na droga da Copa Mundial de Quadribo! Não é um jogo qualquer!

– Eu trabalho, Ginevra – Tentei manter a calma – Eu não posso sair agora. Eu preciso manter foco, preciso dar um jeito no caso, preciso achar o Draco!

– Para de chamar ele de Draco! – Berrou apontando o dedo no meu rosto – Você não percebe como está envolvido nisso? Está obcecado, Harry! Por deus, você está obcecado! Quando foi que o caso Malfoy passou a ser "preciso achar Draco"?!

Suspirei pesadamente, negando com a cabeça.

– Eu sei onde você quer chegar. Eu não me sinto culpado. Não é isso.

– É o que então? Porque tudo o que você faz gira em torno desse cara? Qual é seu maldito problema?! Quando não está procurando ele, está falando sobre ele, falando sobre tudo o que ele fez de caridade... EU faço caridade, Harry. Mione faz caridade! Porque só quando Malfoy faz, parece especial?

Me silenciei, tentando manter a calma.

Eu não queria uma discussão agora. Eu não precisava disso.

– Quer saber? Quando resolver esse maldito amor platônico por ele, a gente pode tentar conversar. Até lá, isso acabou! – Gritou uma última vez, pegando sua bolsa sobre o sofá e saiu andando raivosa, batendo a porta ao sair, me fazendo cair no sofá suspirando pesadamente.

– Maldito amor platônico – Resmunguei comigo mesmo, me perguntando o que ela estava tentando dizer.

– Cara? – Ouvi batidas na porta e a voz inconfundível de Rony.

– Entra – Bradei e não demorou para ele entrar e se sentar ao meu lado no sofá.

– Que droga, einh – Foi tudo o que disse, e isso me fez rir.

Queria eu que Giny fosse tão simples como seu irmão!

– Giny chegou te amaldiçoando quando eu estava chegando. Vocês terminaram?

– Eu não sei. Ela saiu gritando algumas coisas sobre eu estar obcecado no caso Malfoy.

– E você não está? – Questionou e eu o olhei sem entender – Não faça essa cara. Eu concordo em algumas coisas. Você só tem mente para isso. Mesmo quando não temos pistas, você não pega outro caso. Fica dando voltas ao redor dele. Sabe, acho que você sabe mais da vida dele do que ele mesmo – Riu sem humor ao fim.

– Você acha que eu estou me sentindo culpado?

– É o que ela acha?

– Ela me disse que sim. Que eu me sinto culpado por terem usado me rosto para o sequestro, e estou assim por causa disso.

– Não acho que seja isso – Ponderou – Você não está assim desde o começo. Essa obsessão estranha é de algum tempo para cá. Começou depois que fomos tentar descobrir coisas sobre ele. Você acha que seja culpa?

– Eu não sou culpado, Ron. Eu só... eu preciso achar ele, Ron. Não sabemos onde ele está. Se está bem... Se ao menos está vivo – Minha voz foi morrendo aos poucos com a possibilidade que eu nem gostava de pensar – Ele pode estar precisando de algo, passando fome. Está longe dos amigos, do trabalho, de todas as coisas que faz de bom. Não sabemos se está tudo ok com a saúde. Não sabemos que tipo de psicopata sequestrou ele.

Ron riu amargamente.

– Harry, é tão simples – Falou após suspirar – O nome disso é preocupação. Não culpa.

– Eu estou preocupado? –Questionei – Bem, isso é ok. Porque o alarde de Giny?

– É só preocupação, cara? – Perguntou por fim, me olhando de um jeito como se tentasse me dizer algo. Mas eu não estava conseguindo entender.

– Você disse que é preocupação.

– Harry, seu maior problema é tentar que os outros te dêem as respostas. Não é assim que funciona. Onde estão as respostas?

– Com... Hermione?

– Harry, pare de esperar respostas dos outros!

– Você está soando como Mione agora, cara.

– Mesmo? – Comentou com um sorriso orgulhoso, e eu revirei os olhos – É sério. Pare de esperar que eu, Mione ou Giny te diga o que está se passando dentro de você.

– Eu só não consigo pensar claramente. Tudo o que vem na minha cabeça é achar ele. Mas eu não sei como fazer isso. E então eu fico pensando que eu preciso fazer isso. Ele é tão bom. Mas todas as vezes que penso em tudo o que ele se tornou, eu lembro de tudo o que ele já fez de ruim. E penso se vale a pena eu pensar tanto assim nele.

– Não é como se tivesse sobre seu controle.

– Mas ele fez coisas ruins – Voltei a falar, e Ron concordou com a cabeça.

– Mas elas estão no passado. Não acho que você deva continuar usando as coisas ruins que ele fez lá atrás para equilibrar o que você admira nele. E todos amadurecemos depois da guerra, Harry. Ele aparentemente fez o mesmo.

– Você falando assim, parece que estou procurando uma desculpa para não admirar ele – Revirei os olhos, mas congelei quando vi que Ron não riu, apenas sustentou o olhar e arqueou a sobrancelha.

– Cara, você já foi mais esperto, sabe? Eu costumava ser o que você se tornou no grupo – Riu, e eu o olhei confuso – Harry, eu já falei. Você precisa pensar, cara.

–É só isso o que eu faço nos últimos três meses. Pensar! Eu penso o dia inteiro! E quando durmo, e acho que finalmente vou parar com isso, ele aparece, Ron! Ele aparece nos meus sonhos! E eu não consigo salvar ele! Eu... – Suspirei, apoiando o rosto nas mão, ouvindo Ron suspirar.

– Harry, você precisa para de ficar se obrigando a sofrer por ele. Você... como mesmo me disse que surgiu a ideia sobre a identidade do sequestrador?

– Em uma série – Falei e o silêncio dele parecia ser um incentivo para continuar a falar – A série dos irmãos incestuosos. O irmão da Rainha empurrou um garoto de uma janela porque ele e a irmã estavam fazendo sexo.

– E...?

–"As coisas que faço por amor"- Citei a frase que me assombrava dia e noite.

– "As coisas que faço por amor" – Ron repetiu lentamente – Pense nisso, cara.

Franzi o cenho sem entender o que ele queria dizer, erguendo o rosto a tempo de ver ele seguir para a cozinha, resmungando algo sobre fazer um chá para me acalmar os nervos.

– O que você quis dizer com...

– Apenas pense, cara – Ele riu lá na cozinha, e eu fechei a expressão.

O que os irmãos incestuosos tinham a ver com tudo o que estava acontecendo? Com as coisas confusas que eu estava fazendo em função de encontrar Draco? Que tipo de coisa Ron achava que tinha a ser pensada sobre isso?

Neguei com a cabeça, e nesse momento eu só conseguia voltar a lembrar de todos os defeitos de Draco no passado, como se minha mente quisesse manter afastados os pensamentos sobre como era possível Draco Malfoy ter se tornado uma pessoa incrível.

Sem pensar muito, me ergui, pegando a carteira e saí de casa após gritar que iria dar uma volta.

Não ouvi a resposta de Ron, e sinceramente, não queria ouvir mais nada.

"As coisas que faço por amor"

O que tinha para ser pensado sobre isso? 

The Things I Do For LoveOnde histórias criam vida. Descubra agora