Capítulo 27 - Beijos Roubados

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AARON


Eu odiava reuniões

Odiava ficar sentado tentando fazer com que eles aceitem participar de algo que eles deveriam ajudar por si próprios.

Suspiro aborrecido e desço do carro entrando na casa dos meus pais, tiro o casaco e o coloco no apoio antes de ir em direção a cozinha. Franzindo a testa vejo quando Bryan cata alguma coisa do chão e enfia no bolso rapidamente quando me vê

- E aí maninho?

- O que está aprontando? – eu pergunto desconfiado e ele levanta um ombro

- Nada demais, só juntando minhas coisas

- Sei – eu falo e vou até a geladeira pegando uma garrafinha de água – Você viu a Penélope?

- Não quer dizer: Oi Bryan, como você está? Ah e por falar nisso, me desculpe ter te deixado sem acompanhante – Bryan comenta divertido. Me viro para ele confuso

- E posso saber porque você está me culpando por ficar sem acompanhante?

- Porque eu a vi seu paspalho – ele diz revirando os olhos e eu inclino a cabeça estalando a mandíbula

- O que quer dizer com "eu a vi"?

- Ah larga de ser ciumento – Bryan pega sua própria garrafinha bebendo e depois continua como se eu não o estivesse a ponto de enforca-lo – Ela desceu dizendo que tinha acontecido um imprevisto, ela parecia realmente envergonhada, mas estava vermelha como se fosse matar alguém. E principalmente – ele diz e sorri malicioso – Estava uma lindeza naquele vestido sexy. Então meu irmão, eu sei que você foi o culpado por ela não ter ido, seria um idiota se não fosse

Pulo para frente pegando o seu pescoço e ele ri se afastando e correndo para longe. Dou um passo indo atrás dele, mas paro quando meu pai entra na minha frente.

- Nada de matanças antes do jantar, sua mãe não gostaria disso – ele diz cruzando os braços e eu resmungo voltando para a cozinha. Meu pai me segue e se apoia no balcão – E então? É verdade?

- O que? – eu pergunto confuso e ele sorri

- Sobre você e Penélope – olho para trás e vejo Bryan fazendo um joinha antes de desaparecer porta a fora. Xingo mentalmente e tomo o restante da água

- Bryan gosta de inventar histórias e o senhor sabe bem disso – eu comento e meu pai ri

- Sim, ainda tenho um bocado delas gravado na minha cabeça de quando ele era pequeno – seu sorriso se torna mais acolhedor e eu sei que não vou sair dessa conversa tão fácil – Não me escapa que você mudou de assunto filho

- Não tenho nada a comentar sobre isso pai

- Ah verdade? Então tudo bem – Phillip me olha consternado e depois suspira – Você deveria parar de achar que todas vão ser como Jaqueline

Fecho os olhos e massageio a têmpora. Inferno, hoje eu não estava muito tranquilo para ter essa conversa

- Pai, olha eu...

- Lide com isso Aaron – ele continua me ignorando – É péssimo da sua parte achar que a moça será como sua antiga noiva

- Penélope não é ela – eu resmungo com a voz baixa e ele me olha surpreso

- Não estava falando de Penélope, mas já que ligou a ela...

Estreito os olhos para ele que sorri se divertindo com a situação. Depois volta a ficar sério

- Sei que lhe magoou muito que Jaqueline tenha terminado o noivado da pior forma possível, mas tem que entender que nem todas serão como ela – ele diz e eu assinto – E sinceramente acho que deve começar a confiar de novo nas pessoas

- Eu confio

- Mentiroso – ele aponta e eu suspiro – Um relacionamento só funciona a base de confiança filho, sem isso você não vai a lugar nenhum com ninguém

- Que tópico de conversa nos tragou para relacionamentos sérios? – eu resmungo irritado e ele joga as mãos para o alto

- Ok, tudo bem. Faça do seu jeito, ignore, bloquei, afaste, faça o que quiser – Phillip diz irritado também e eu encolho os ombros – Agora só não reclame quando ela se afastar primeiro – ele faz uma pausa e depois abaixa o tom de voz – Talvez até seja bom para você, porque então saberá que a confiança é uma via de mão dupla e não se pode forçar, ela tem que ser dada de livre e espontânea vontade


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Com as palavras sinceras do meu pai na minha mente, adentro o jardim da mamãe e vejo ela e Penélope sentadas lado a lado rindo de algo que estão vendo na tela do notebook a sua frente.

Paro observando-as e dou um sorriso enquanto me abaixo e recebo uma Safira alegre nos braços. Ela late e lambe o meu queixo, Penélope olha para cima e me vê, ela acena sorrindo e minha mãe se levanta vindo me abraçar.

- Não sabia que viria hoje – ela diz e eu a beijo na bochecha

- Estava por perto – eu falo acompanhando-a até Penélope que me olha rapidamente e logo abaixa o olhar e continua digitando. Me sento ao seu lado encostando em suas pernas e ela lança o cotovelo em minhas costelas quando eu me aproximo ainda mais.

Disfarço um sorriso e pego o copo que minha mãe oferece com refresco de limão. Mirna se senta a nossa frente e se inclina animada

- Penélope praticamente fez a escolha do cardápio inteiro sozinha, eu sempre tinha algo para resolver – ela diz em tom culpado e Penélope sorri

- Eu gostei bastante de ficar atazanando os chefs dos restaurantes – Penélope comenta divertida e eu reviro os olhos, Mirna ri e se levanta quando o seu celular toca, ela levanta um dedo e se afasta alguns passos ficando de costas para nós.

Me viro para Penélope e a beijo rapidamente, ela ofega lançando um olhar rápido a minha mãe e se afasta. Eu dou risada baixinho e me inclino para frente

- Você acabou de dispensar um beijo meu? – eu pergunto fingindo estar magoado, ela revira os olhos em resposta

- Dispensei, você nem é tão bonito assim

- Aí – eu falo ofendido e ela sorri daquele jeito carinhoso dela. Lançando um olhar para Mirna, ela se inclina e me beija rapidamente na boca antes de sussurrar

- Eu gosto de você, mesmo você sendo meio estranho

Depois dessa confissão ela rouba o meu copo de limonada e bebe um gole enquanto desliza a tela do notebook com o dedo. E nem ao menos percebe que estou sorrindo com as palavras "eu gosto de você".

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