Capítulo 12

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Os dias se passavam com rapidez e logo chegou o dia de ir ver meus pais. 

Quando cheguei em casa foi uma festa eu chorei horrores ao abraçar meus pais, eles sempre quiseram o melhor pra mim. Apesar de durões, e o meu pai ser um pouco a moda antiga. Eu não falei nada com eles sobre o ocorrido pra não preocupa-los se dependesse do meu pai eu morreria sem me envolver com alguém. 

Arrumei minhas coisas no meu antigo quarto e fiquei descansando após uma longa viagem de ônibus.

Até eu senti o cheiro da comida da minha mãe, mas eu não reagi como antes, eu fiquei enjoada e corri ate o banheiro e coloquei tudo que eu havia comido pra fora, e só me vinha uma coisa na cabeça e eu me recusava a acreditar em tal coisa sempre tomei remédio pra isso não acontecer e resolvi acreditar que era apenas uma paranoia minha. 

 Escovei os dentes e fui ate a cozinha, minha mãe havia acabado de terminar o almoço então me sentei a mesa com ela e meu pais e aquela sensação vinha a tona de novo. Corri ate o banheiro e novamente comecei a vomitar sem parar.

-filha você está bem?-minha mãe perguntou, acabei ficando deitada até aquele enjoo passar.

- tô sim mãe, comi alguma coisa estragada durante o caminho. -falei e ela assentiu, eu resolvo comer apenas uma fruta e me deitei. 

Os dias se passavam e os enjoos eram frequentes o que deixou meus pais preocupados.

No oitavo dia na casa dos meus pais eu já havia emagrecido bastante, nada parava no estomago. Eu já suspeitava o que era e então resolvi contar aos meus pais.

-Eu acho que tô gravida – soltei de uma vez durante o jantar.

-Minha filha... -minha mãe falou 

-Daiane quem é o pai dessa criança? -meu pai perguntou enquanto estávamos sentados jantando e eu engasguei, alinhei os lábios, estar gravida agora poderia me prejudicar e eu não queria Marcos na minha vida mais. Eu não queria falar que o pai dessa criança é um babaca comprometido

-Pai a gente conversa sobre isso outro dia. -falei e vi meu pai ficar alterado

- Você disse que iria para a cidade estudar e me aparece gravida, virou o que isso Daiane? -ele falou e a essa altura eu já chorava

-Pai, desculpa. -falei

-Calma Roberto. -minha mãe falou e vi que ela também estava chorando

- Calma nada Rita, foi por isso que o João me disse que você tinha saído da empresa e agora ta aí, gravida e sozinha, com certeza nem sabe quem é o pai, agindo como uma vagabunda, por isso não queria ter deixar ir pra cidade, amanhã bem cedo quero você fora da minha casa -meu pai falou e eu vi meu mudo desabar outra vez. 

Ele saiu e me deixou ali sozinha com minha mãe.

- Mãe me perdoa. -falei soluçando de tanto chorar

- Minha menina, não têm que perdoar nada, você tem sua vida, sabe que seu pai é careta, quando essa criança nascer ele vai mudar completamente. -ela falou

- a vida toda eu nunca fiz nada de errado e por causa disso ele quer me expulsar daqui -falei e me levantei e vi minha mãe arrasada. Fui até o meu pai.

- É isso mesmo pai? Você vai me expulsar daqui? -perguntei e vi que seus olhos estavam vermelhos

- Isso é uma vergonha Daiane, não vou aceitar isso na minha casa -falou e eu assenti

-Eu saio hoje mesmo -falei e fui até o meu quarto e arrumei minhas coisas, minha mãe estava na porta do meu quarto arrasada, eu também estava mas já tinha sido humilhada demais, sairia decidida a nunca mais olhar na cara do meu pai, quando terminei abracei a minha mãe, prometi dar noticias e saí daquele lugar. 

Eu sabia que meu pai havia ficado decepcionado comigo, eu entendo, sou filha única, a menininha dele como ele sempre falou mas eu cresci e muita coisa mudou e eu sei que hora ou outra ele vai querer voltar atrás.

Pelas ruas da cidade eu nem sabia o que fazer, fui direto a rodoviária e peguei o primeiro ônibus ate em casa que só saiu duas horas após eu comprar a passagem, pensei a todo momento em que fazer, não poderia desistir de tudo ate porque agora eu não estava mais só, acariciei minha barriga pequena ainda, estava ali a razão para lutar, decidi continuar a vida e mudar de endereço, não contaria nada a Marcos da gravidez, essa criança é minha. 

Após uma longa viagem eu cheguei em casa e tomei um banho e lavei o cabelo, ainda era cinco horas da manha, sequei os cabelos e me deitei. Dormi por horas acordei apenas com uma batida na porta do quarto que estava trancada

- Tô indo -falei e fui ate lá dando de cara com a Ravena e Henrique, eles me abraçaram

-Sua mãe me ligou desesperada. - ela falou e eu lembrei de tudo

- É, mas ta tudo bem, eu supero. -falei tentando parecer o mais confiante possível

-Ane, você vai falar pra ele? -Henrique perguntou

- Não, esse bebê é só meu. -falei e ele formou uma linha rígida nos lábios

-Sabe que ele tem direito né -ele falou e eu suspirei, eu sabia daquilo mas não faria isso

- É amiga ele tem razão -Ravena falou

-Eu sei mas não vou falar, ele já tem outro filho -falei dando de ombros, protegeria essa criança de todos. Eu já amava a ideia de tê-la em meus braços.

Pra confirmar no outro dia fiz um exame de sangue  que dias depois ao pegar o resultado que confirmou a gravidez, marquei uma ultra e fui com a Ravena, eu tinha um mês e meio de gestação, vi apenas aquele potinho no meu útero, o coraçãozinho eu só poderia ouvir depois, e só ali a minha ficha caiu, eu realmente seria mãe.

O Amor para AneOnde histórias criam vida. Descubra agora