Capítulo 12

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LISÍSTRATA - (Sai correndo da Acrópole.) Olá! Olá! Venham todas correndo. Aqui. Depressa!

UMA DAS MULHERES - O que foi? Por que esses gritos?

LISÍSTRATA - Um homem! Um homem! Um guerreiro se aproxima. Parece a proa de um barco apontando para cá. Vem aceso, afogueado pelas chamas de Eros bendito.

MULHER - Quem é ele? Um estranho? Um inimigo?

LISÍSTRATA - Está lá, junto do templo de Demetér.

MULHER - Ah, é, estou vendo. Quem será?

LISÍSTRATA - Ninguém conhece?

MIRRINA - (Cheia de alegria.) Eu conheço! É Cinésias, meu marido! É

o pai de meu filho.

LISÍSTRATA - Ao trabalho, então! Tua tarefa é inflamá-lo, torturá-lo, atormentá-lo. Seduções, carícias, provocações de toda espécie, tudo e, no fim, a total negação. Faça tudo com ele - exceto o que está proibido pelo nosso juramento.

MIRRINA - Não tenha medo. Eu sei como tratá-lo.

LISÍSTRATA - Eu fico contigo para te ajudar a excitá-lo até a loucura. Quanto a vocês, retirem-se. (Cinésias entra seguido de um escravo que carrega um menino. Cinésias está em estado de extrema excitação sexual.)

CINÉSIAS - Ai, Ai! Que infeliz eu sou. Acho que estou com uma doença incurável. Diariamente sinto convulsões terríveis, espasmos estranhos e súbito endurecimento de algumas partes do corpo. A esta tortura é preferível a roda.

LISÍSTRATA - Olá! Quem foi que ousou forçar as nossas linhas?

CINÉSIAS - Fui eu.

LISÍSTRATA - O que, um homem? CINÉSIAS - Nunca o fui tanto.

LISÍSTRATA - Saia daqui.

CINÉSIAS - Mas quem é você, que assim me expulsa?

LISÍSTRATA - A sentinela do dia.

CINÉSIAS - Em nome de Deus, então chama Mirrina.

LISÍSTRATA - Está bem, eu vou chamar Mirrina. Quem é você?

CINÉSIAS - O marido dela. Cinésias Peonidas.

LISÍSTRATA - Ah, bom-dia, meu prezado amigo. Teu nome é muito conhecido de nós todas. Tua mulher não tira ele dos lábios, está com ele na boca o dia inteiro. Não toca um figo, favo ou pêra que não diga: "Tem gosto de Cinésias".

CINÉSIAS - É verdade o que contas?

LISÍSTRATA - Sim, por Afrodite. E quando se fala em outros homens, ela s olha com desdém e exclama que todos juntos não valem um dedo do pé esquerdo do seu homem.

CINÉSIAS - Ah, por favor, por favor, me chama essa mulher.

LISÍSTRATA - E o que é que você me dá, se eu fizer isso?

CINÉSIAS - Qualquer coisa, o que você quiser. (Apontando para a evidência de sua condição.) Isso te agrada?

LISÍSTRATA - Bem, eu, eu vou chamá-la. (Entra na Acrópole.)

CINÉSIAS - Depressa, oh, depressa! A vida não tem mais encantos para mim desde que ela abandonou meu lar. Entro em casa com o rosto em pranto, tudo me parece tão vazio, até meus alimentos já não têm sabor. Tudo isso apenas porque esta maldita peça do meu corpo teima em apontar sempre pro alto.

MIRRINA - (Para Lisístrata, sobre o ombro dela.) Eu o amo! Ah, como eu amo! Mas ainda não posso lhe dar o meu amor. Te peço, Lisístrata, evita de me colocar ao lado dele.

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