Capítulo 14

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CORO COMBINADO DE MULHERES E VELHOS - Atenienses, de agora em diante não falaremos mal de mais ninguém, trataremos a todos como irmãos. Já chega de infortúnios, ódios e calamidades. Se alguém, homem ou mulher, precisa de dinheiro, digamos, de duas ou três minas, que venham sem temor, nossa bolsa está cheia. E se, por acaso, a paz for concluída, ninguém terá que pagar mais a ninguém. Tudo será de todos, e nada de ninguém. Tenho ainda uma bela panela de sopa quente e um porquinho tenro e saboroso que ofereço de pleno coração. Espero todos lá em casa ainda hoje. Não tenham receio, porque nossa porta estará... muito bem trancada.

CORIFEU-VELHO - Ei! Parece que chegam outros embaixadores. Coitados, caminham com dificuldade, como se estivessem carregando um embrulho pesado entre as pernas. (Os homens se aproximam no mesmo estado do arauto anterior.) Salve a todos, amigos forasteiros. De que estado são, se mal pergunto?

EMBAIXADOR - Espartanos. Mas que importa, amigo? Agora, como vê, em toda a Grécia o nosso estado é o mesmo.

CORIFEU-VELHO - É, sinto que realmente as dificuldades crescem a olhos vistos. A situação está cada vez mais dura.

EMBAIXADOR - Não há como resistir mais à ausência do inimigo. Para atacá-lo como desejamos, é preciso que ele próprio nos abra a sua cidadela. Ao trabalho! Devemos assinar a paz de qualquer forma, com condições, sem condições, mas já. Olhem nossa condição! CORIFEU-VELHO - Pois à tarefa. Nossos homens todos também adquiriram essa doença atlética. Viram, subitamente, desenvolver-se no corpo um músculo inteiramente novo. Músculo que, ao contrário dos outros diminui com o exercício. (O magistrado volta. Agora também tem motivos para querer a paz.)

LisístrataOnde histórias criam vida. Descubra agora