Capítulo 14 -O Soldado Ferido

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           Marinette estava completamente desesperada. Ela dava leves tapinhas no pálido rosto de Chat, porém o próprio não demonstrava nenhuma reação explícita de consciência.

— CHAT, CHAT, CHAT! — Ela implorava por ele, tentando segurar as lágrimas prestes a rolar em seu delicado rosto. Com aflição, ela levou sua mão ao peito dele, podendo sentir o lento movimento que os pulmões dele faziam ao respirar. A azulada soltou um suspiro de alívio, ao perceber que ele ainda estava vivo.

— M-Marinette... — Murmurou Chat. Ele ainda não tinha a capacidade de falar corretamente, não tinha mais forças para isso.

— Estou aqui, estou aqui! — Ela disse, enquanto acariciava o rosto dele.

— Eu preciso me deitar... — Ele balançava a cabeça para os lados, contorcendo-se com a intensa dor que lhe afligia naquele momento.

— Consegue se levantar? — Marinette indagou imensamente preocupada.

— Sim. — Mentira, ele nunca conseguiria se levantar. A dor era tão forte, até ao ponto de Chat não poder sentir nada além da cintura para baixo. Marinette o sentou e apoiou as costas dele em uma parede próxima. Ele sentiu um pouco de dor, e apertou com um pouco mais de força o ferimento.

— Humm... — Ele grunhiu, tentando se livrar da forte dor que estava lhe causando uma falha em respirar. Marinette o viu suar pela têmpora, então, ela tocou cuidadosamente a testa dele. Ele fervia em febre.

— Chat? — Marinette indagou preocupada, na intenção de quebrar a tenção do momento. Contudo, Chat noir preferiu permanecer em silêncio. Sem escolha, Marinette decidiu prosseguir com o plano, o qual consistia em colocar Chat de pé.

— Ok, Chat, no três? — Ele abaixou a cabeça concordando. Marinette passou seu braço esquerdo pelas costas dele, segurando-lhe o braço com a mão direita.

— Um... Dois... Três... — Ela impulsionou o corpo de Chat para cima, e sentiu o peso dele cair sobre seus ombros. Murmurando algo inaudível, Chat caminhava juto de Marinette, ainda lidando com a insuportável dor.
O sangue dele, continuava a escorrer pelo traje, pingando no perfeitamente encerado assoalho do apartamento. Marinette o deitou no sofá, e se pôs a checar novamente a temperatura dele. Parecia que Chat tinha passado o dia inteiro queimando ao sol.

— Você precisa ir ao hospital. — Ela disse, logo depois de sentar-se no chão ao lado do sofá.

— Não, não, vão pedir minhas informações pessoais, preciso manter minha identidade segura... — Marinette retirou a franja loira e sedosa, a qual emoldurava o rosto perfeitamente simétrico dele.

A identidade secreta.

Ela não sabia quem estava por trás da máscara. Ela não sabia quem era o felino, que a presenteou com a melhor noite de sua vida. Ela não fazia a menor ideia, de quem era o homem que lhe causava palpitações, junto com uma ambição quase insaciável por tocá-lo. Era seu maior desejo saber quem era o seu herói mascarado. Porém, ele ainda não estava apto a se entregar por completo a ela. Ele não continha a confiança nela.

          As inseguranças de Marinette a fizeram questionar. Será que isso era tão mais importante do que a própria vida? Ele estaria disposto a morrer para esconder sua face? Por que ele não confiava nela? Ela foi muito precipitada, ao se envolver tão intensamente, com uma pessoa que ela nem se quer sabe como é o rosto?

— M-Marinette... — Ele parecia implorar por socorro, ao pronunciar desesperado e melancolicamente o nome dela. Ele agarrou a blusa de Marinette, novamente implorando por ajuda, e cravou seu esverdeado olhar nos olhos dela.

Mon Petit ChatonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora