Não foi fácil voltar à escola.
Mas posso dizer que foi diferente, antes eu era excluída, agora as pessoas passaram a me tratar com extrema educação e gentileza. Eu era a menina que havia sido vítima de bullying e foi preciso acontecer algo realmente ruim para que as pessoas acordassem para esse tipo de situação.
- Ei, Liv. - Sue me chamou certo dia.
Sue era uma menina indiana muito inteligente e sempre gentil com todo mundo.
- Oi. - Respondi meio sem jeito.
Era outono e começava a fazer frio.
- Eu estava pensando sobre o que aconteceu com você algumas semanas atrás e queria te perguntar o que acha de fazermos alguns cartazes contra bullying?
Virei-me para ela.
- Faça o que quiser, mas não conte comigo.
Ok, eu fui muito seca com ela.
Mas, eu estava em total apatia naquela época, nada na escola me importava além de ter paz, não queria ser o centro das atenções, eu queria ser invisível.
- Se isso te incomoda...
- Isso me incomoda. - Disse com raiva. - Faça o que quiser, mas não conte comigo, finja que sou invisível.
Comecei a me afastar dela, mas dei de cara com o Tae.
- Ei, o que houve?
- Nada. - Respondi cansada.
- A Sue está te perturbando?
- Ela só estava perguntando alguma coisa sobre cartazes de bullying...
Ele se afastou e foi até a Sue.
- Oi Sue, então a Liv não está com cabeça para essas coisas agora, sinto muito.
A pronúncia dele estava melhorando bastante naquela época e eu quase não acreditava que iria fazer um ano que éramos amigos, tudo acontecia tão depressa.
- Sinto muito Liv, eu realmente não tive a intenção de te magoar. - Disse Sue a certa distância.
Esperei até o Tae me alcançar e juntos fomos para casa.
Andamos metade do caminho em silêncio, e isso nunca incomodava a nenhum de nós, a gente apenas apreciava a companhia um do outro.
- Liv, acho que seria bom você ir a algum médico novamente. - Ele disse de repente.
Olhei para ele.
Eu sabia que estava piorando. Algumas semanas depois do que aconteceu no banheiro da escola, comecei a apresentar todos os sintomas de bulimia, o que deixava todos ao meu redor atentos e com medos de que minha doença piorasse.
- Eu já fui ao médico e eu estou tomando todos os remédios que ele me receitou, também estou tentando me alimentar melhor.
- Não esse médico, talvez um psicólogo.
- Acha que preciso de um?
- Você anda muito apática, suas notas tem caído e nem mesmo eu tenho conseguido fazer você sorrir com frequência.
Senti uma pontada no peito.
- Sinto muito, Tae. Eu tenho sido um peso para todo mundo ao meu redor, tenho tentado melhorar, mas não é tão simples.
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O Natal que prometemos
RomanceLiv e Tae tinham apenas quatorze anos quando se conheceram pela primeira vez em uma pequena cidade chamada Moontown. Em um ano, eles se tornaram melhores amigos e sentimentos foram surgindo entre eles. Mas, apesar da amizade incrível, não foi um bom...