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Caos absorvido

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Hinata

Amarrei o último cadarço do tênis e me levantei devagar, apoiando as mãos nos joelhos antes de esticar as costas. O ginásio de Nekoma estava diferente naquele dia. Talvez porque aquele não fosse apenas mais um amistoso, ou talvez porque minha cabeça estivesse ocupada por mais coisas além do vôlei.

Ao meu redor, os meninos do Karasuno se preparavam para a partida. Tanaka falava alto como sempre. Nishinoya parecia elétrico mesmo antes do aquecimento começar. Daichi conversava com Sugawara enquanto o treinador organizava os últimos detalhes. Do outro lado da quadra, os jogadores de Nekoma também se movimentavam, ajustando uniformes e conversando entre si.

Meu olhar passou por eles rapidamente.

Kenma estava sentado como sempre parecia estar, com aquela expressão tranquila de quem preferia estar em qualquer outro lugar. Kuroo estava perto dele. Cruzei os braços. Eu já não gostava dele antes, depois de descobrir que ele era ex-namorado da Hana, a situação só tinha piorado.

Não era exatamente ciúme. Pelo menos era isso que eu repetia para mim mesmo. Era só... Bom, ele tinha feito ela sofrer, só isso.

Isso bastava.

— Você está encarando eles de novo.

A voz de Kageyama surgiu ao meu lado. Desviei o olhar deles, suspirando.

— Eu não estou conseguindo encarando eles, é impressão sua.

— Está sim.

— Não estou.

— Eu acabei de ver Hinata.

Bufei.

— Você veio aqui só para implicar comigo?

— Não. Vim descobrir se você vai continuar errando recepção igual ontem.

Virei o rosto lentamente para ele.

— Você é uma pessoa horrível.

— É, eu sei.

Infelizmente ele parecia até orgulhoso daquilo.

Balancei a cabeça enquanto soltava um suspiro. Apesar da provocação, eu sabia que ele estava certo. Ontem tinha sido um desastre. Não só para mim, mas pra todo mundo. Nós todos estávamos nervosos, travados. Inseguros. Como se estivéssemos tentando provar alguma coisa para alguém.

— Então? — Perguntou Kageyama. — Vai continuar jogando daquele jeito?

Passei a mão na nuca.

— Claro que não, hoje vai ser diferente.

— O que mudou então de ontem pra hoje?

Por um segundo fiquei em silêncio. Porque a resposta era estranha. Meu olhar se perdeu brevemente pelas arquibancadas e sem querer me lembrei da noite anterior. Das estrelas... Da música... Da conversa. Da forma como Hana tinha conseguido me fazer esquecer completamente o amistoso por alguns minutos.

Era engraçado.

Enquanto eu estava preocupado com recepção, ataque, bloqueio e resultado, ela tinha simplesmente colocado um fone no meu ouvido e me feito lembrar que existia um mundo inteiro fora da quadra. Que respirar também fazia parte, que se divertir também fazia parte. E que confiar em si mesmo também fazia parte.

— Eu só precisava parar de pensar tanto.

Kageyama arqueou uma sobrancelha.

— Isso é possível?

— Muito engraçado.

— Estou falando sério.

— Eu também Kageyama.

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