De volta a quadra

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Hinata continuava jogando a bola para cima, parecendo nervoso. Eu arqueei a sobrancelha, cruzando os braços.

— Hinata, tá tudo bem? Você tá agindo meio estranho…

Ele parou de bater a bola e segurou-a firme contra o peito.

— Eu só… — ele hesitou, olhando para o lado. — Não esperava que você fosse jogar com a gente.

Sorri, me aproximando.

— Isso é ruim?

Ele balançou a cabeça rapidamente.

— Não! Quer dizer… eu acho incrível! Mas… — Ele desviou o olhar, coçando a nuca. — Agora vou ter que treinar ainda mais pra não perder pra você.

Ri, dando um leve empurrão em seu ombro.

— Boa sorte com isso, ruivinho.

Antes que ele pudesse responder, Daichi chamou todos para o centro da quadra.

— Certo, pessoal! Vamos testar as habilidades da nossa nova jogadora. Hana, vamos começar com recepção, certo?

— Claro!

Noya se aproximou, colocando um braço sobre meus ombros.

— Olha, Hana-chan, eu sou o melhor libero daqui. Mas, se quiser aprender com o mestre, eu posso te ensinar.

— Ah, é mesmo? Então me mostra como se faz, “mestre”. — Desafiei, cruzando os braços.

Ele sorriu confiante, enquanto Kageyama se preparava para sacar. A bola veio rápida e forte, mas Noya se jogou no chão, recebendo-a com precisão.

— Viu? Simples! Agora sua vez.

Fiquei na posição, concentrando-me. Kageyama sacou novamente, e a bola veio como um foguete. Me joguei para receber, sentindo o impacto vibrar nos meus braços. A bola foi direto para as mãos de Daichi, perfeita para um levantamento.

— Isso aí, Hana! — Ele elogiou, enquanto os outros também pareciam impressionados.

— Que demais! — Hinata sorriu, me olhando com aquele brilho nos olhos que fazia meu coração dar um leve tropeço.

— Nada mal. — Tsukishima comentou, ajustando os óculos.

— Eu sou incrível, eu sei. — Pisquei para ele, que apenas revirou os olhos.

Continuamos treinando, e, conforme o tempo passava, eu percebia algo. Hinata estava mais atento ao que eu fazia do que ao treino em si. Ele me olhava de canto, desviava o olhar sempre que eu o encarava e parecia um pouco mais ansioso do que o normal.

Depois de algumas rodadas, o treino foi interrompido para uma pausa. Me sentei ao lado de Hinata no banco, bebendo um pouco de água.

— Você tá nervoso por minha causa, não tá?

Ele quase engasgou.

— O-quê?! Claro que não!

Sorri, o observando.

— Você fica todo atrapalhado quando tenta esconder algo, sabia?

Ele suspirou, olhando para as próprias mãos.

— É que… eu queria ser o único novato. Agora você tá aqui e… — Ele franziu as sobrancelhas. — Eu quero ser o melhor, mas também quero que você se divirta.

Senti meu peito aquecer. Hinata sempre foi tão sincero em tudo o que fazia…

Coloquei uma mão sobre a dele, fazendo-o arregalar os olhos.

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