Fazia três dias que eu não saía do quarto.
Não era cansaço físico. Era algo mais pesado. Uma mistura de mágoa, frustração… luto. Não por alguém que morreu mas, por mim mesma. Pela parte de mim que acreditava que, dessa vez, ia ser diferente.
Me escondi sob os lençóis, como se aquilo fosse me proteger do mundo.
A maçaneta girou. A luz invadiu o quarto, e junto veio a voz da Asumi.
— Hana… de novo no escuro? Por favor, olha pra mim.
Fingi que dormia.
— Hana. — Ela suspirou, se aproximando. — Você tem que levantar. Por mim. Pelo Himura. Por você.
— Eu tô cansada… — murmurei, abafada pelo travesseiro.
— Eu sei. Mas você vai se afundar nesse quarto até quando? Já se passaram três dias. Você não come direito, não fala com ninguém. Eu tô preocupada.
— Me deixa aqui, Asumi. Eu não tô pronta. Não ainda.
A porta bateu novamente. Dessa vez, passos pesados. Himura entrou.
— Já deu. Levanta, Hana.
— Himura… Agora não.
— Agora sim. Você acha que só você tá quebrada? Eu e a Asumi também estamos. Mas a diferença é que a gente se importa. E a gente te quer com a gente. Só… aparece. Olha pro time. Lembra do que ama.
— Eu não quero ver ele. Nem passar perto.
— Então ignora ele. Finge que ele nem existe. Mas não se esconde. A Hana que eu conheço nunca se escondeu.
Asumi sentou na beirada da cama.
— Hana, eles são o seu time. A gente é sua casa. E você é a nossa âncora. Sem você, tá tudo desmoronando.
— Estão perdendo ainda?
— Estão. E desde que você se enfiou aqui parece que ficou a comunicação da equipe desabou.
Fechei os olhos. Doía ouvir. Mas era verdade.
— Eles tratam você como uma deles, como.. uma irmã mais nova.
Me levantei devagar, sentindo o corpo fraco. Caminhei até o armário, puxei uma camiseta larga, sem me importar com a estampa, e um short simples. Prendi o cabelo no alto com o primeiro elástico que achei.
— Eu vou — murmurei — mas não pra jogar. Só pra olhar… ou ajudar com o que puder. Só tô indo… porque eles são meus amigos. A minha equipe precisa de mim.
Asumi sorriu, emocionada. Himura apenas assentiu com a cabeça, satisfeito.
— Vamos mostrar pra eles quem é a verdadeira Hana. Mesmo que seja só com o olhar.
Saímos do quarto juntos, e pela primeira vez em dias… o ar parecia mais leve. Saí do quarto junto com eles. A luz do corredor parecia mais forte do que nos outros dias ou talvez eu só estivesse mais fraca mesmo.
— Tá, vamo logo… — murmurei, caminhando devagar. — Mas eu vou assim mesmo, não tô nem aí.
— Assim? — Asumi me olhou de cima a baixo e franziu o cenho. — Hana… sério? Essa camiseta de banda rasgada e esse short velho?
— E daí? Não tô indo pra desfilar. Eu disse que só ia ver. Não tô com cabeça pra mais nada.
— Mas você não entendeu ainda?
— disse, cruzando os braços. — Quando você aparece quebrada, você entrega vitória pros outros. Não mostra pro mundo que tá derrotada. Mostra que ainda tá de pé mesmo com tudo tentando te derrubar.
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𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖
Teen Fiction𝙴𝚜𝚜𝚊 é 𝚊 𝚑𝚒𝚜𝚝ó𝚛𝚒𝚊 𝚍𝚊 𝙷𝚊𝚗𝚊, 𝚞𝚖𝚊 𝚖𝚎𝚗𝚒𝚗𝚊 𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚎𝚛𝚍𝚎𝚞 𝚜𝚎𝚞𝚜 𝚙𝚊𝚒𝚜 𝚎𝚖 𝚞𝚖 𝚊𝚌𝚒𝚍𝚎𝚗𝚝𝚎, 𝚎𝚕𝚊 𝚏𝚘𝚒 𝚖𝚘𝚛𝚊𝚛 𝚓𝚞𝚗𝚝𝚘 𝚌𝚘𝚖 𝚘 𝚜𝚎𝚞 𝚝𝚒𝚘 𝚞𝚔𝚊𝚒. 𝙴𝚕𝚊 𝚌𝚑𝚎𝚐𝚘𝚞 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚞𝚌𝚘 𝚝𝚎𝚖𝚙𝚘 �...
